Detetive no Carnaval

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Aqui em casa, somos bichos caseiros que se escondem durante o Carnaval.

O Ludo, o Vico e seus amigos já passaram da fase de gostar de se fantasiar de heróis e piratas e ainda não começaram a curtir os carnavais pelos blocos e outras festas para maiores de 18 anos.

Ontem, eu e o Vico brincamos bastante do jogo Detetive, que não jogávamos há um tempão. Fiquei feliz de vê-lo blefando e desvendando quem matou o Sr. Carlos Fortuna.

Detetive foi inventado em 1943 por um casal inglês: Anthony e Elva Pratt. O marido teve a ideia do jogo e a esposa desenhou o tabuleiro. Eles o apresentaram para a fábrica Waddingtons, que começou a comercializá-lo em 1948 como Cluedo.

O jogo fez tanto sucesso pelo mundo todo que até virou filme.

O filme Clue (Os 7 Suspeitos), de 1986, é uma adaptação do jogo. Tem nota 7.3 no IMDB. Assisti há anos e me lembro de ter gostado! Em DVD, soube que fizeram 3 finais diferentes.

Nosso jogo de Detetive é o da embalagem “pra viagem”. As cartas, peças e fichas de anotações cabem em um estojo. Só o tabuleiro (pequeno, mas nem tanto) fica de fora. Acho que dá pra considerá-lo brincadeira de bolso.

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Segue aqui um resumo do manual pra quem esqueceu como se joga:

  • Embaralhe separadamente,  em 3 bolos, as cartas dos suspeitos, das armas e dos ambientes
  • Tire (sem olhar) uma carta de cada bolo e coloque-a no envelope pardo
  • Misture todas as cartas restantes em um só bolo e distribua igualmente entre os jogadores
  • O objetivo é descobrir as 3 cartas que estão no envelope, seguindo as próprias anotações. Nas anotações se escreve as cartas que estão em suas mãos e os palpites das cartas que devem estar nas mãos dos outros jogadores

Existe um site para fanáticos pelo jogo Detetive que é interessante, principalmente, porque tem as cartas de vários países com desenhos diferentes, ao acessar o link “International Cluedo”. Acho que é uma ótima maneira de reinventar o jogo, imprimindo, copiando à mão os desenhos ou se inspirando neles para criar novos suspeitos e armas e variar a brincadeira.

Bom Carnaval pra quem gosta da folia!

Bom jogo pra quem gostou da dica!

 

 

 

 

 

Cama de Gato

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Barbante é um material leve e barato, bem apropriado para brincadeiras de bolso.

A origem do barbante na nossa língua teve início no século XVI, muito tempo depois da popularização desse material na Europa.

A palavra barbante vem de Brabante, que era um ducado entre a Holanda e a Bélgica, onde se produzia o fio.

O barbante desde então é a matéria prima da brincadeira cama de gato, que é ainda mais antiga do que o próprio barbante. Gregos e romanos já se divertiam com ela, usando outros materiais.

Pelo mundo afora se brinca de cama de gato.

  • Na língua inglesa, chama-se Cat’s Cradle (berço de gato)
  • Em alemão, é conhecida por Hexenspiel (brincadeira da bruxa)
  • No idioma espanhol é Juego del Cordel (jogo da corda) ou Cuna de Gato
  • Na Roma Antiga era Hamaca…

Para lembrar como se brinca, siga esses passos com atenção e paciência.

Existem brincadeiras com o barbante na mesma linha da cama de gato. Algumas são feitas com histórias ou lendas locais e fazem parte da riqueza cultural de vários povos.

Na Ilha de Páscoa, por exemplo, os “kai kai” usam desenhos feitos pelas linhas do barbante para contar a história da ilha, a chegada dos seus primeiros habitantes, a formação de seus vulcões e o dia a dia do povo, de uma forma lúdica, que é levada a sério.

Ciente da importância dessa brincadeira com cordas,  em 1978, o matemático japonês Hiroshi Noguchi e o missionário inglês Philip Noble se juntaram e criaram a International String Figure Association – ISFA (Associação Internacional de Formas em Cordas) com o objetivo de preservar a cultura dos jogos e das histórias contadas pelas mãos e pelo barbante para as futuras gerações.

No site da ISFA tem histórias, pesquisas, vídeos, dicas de livros e tudo mais que se refere a jogos com barbante. Vale à pena visitar.

A cama de gato, que muitos conhecem na infância, já viajou no tempo e no espaço e deve continuar divertindo e ensinando as próximas gerações.

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Coleção Pequeno Vampiro

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No quarto ano (antiga terceira série do primário) o Vico chegou em casa com um livro que também me acompanhou quando eu tinha a idade dele: O Pequeno Vampiro.

Eu tive quase todos os volumes da coleção, de Angela Sommer-Bodenburg, publicada pela Martins Fontes.

Quem sugeriu o livro para o Vico foi uma colega da sala dele. Eu fiquei super feliz com o incentivo de colegas para a leitura. De lá pra cá ele continuou seguindo outras dicas de livros dos amigos.

Voltando ao Pequeno Vampiro, o único volume que restou da minha antiga coleção aqui em casa foi o primeiro.

O livro tem humor, suspense e umas pitadinhas de terror.

Anton é o menino que conhece um vampiro criança, chamado Rudiger.

Eles compartilham seus medos, suas curiosidades e as queixas sobre os pais.

Os pais de Anton sempre saíam para ir ao cinema ou ao teatro e o deixavam sozinho, até o dia em que ele conhece Rudiger e passa a viver situações inusitadas com o amigo imortal.

Os vampiros adultos também estavam sempre dormindo no caixão ou voando, mas Rudiger tinha, ao menos, a companhia do irmão adolescente, Lumpi, e da irmã caçula, Ana, que ainda era banguela e bebia leite.

O pequeno vampiro protege Anton da fome de seus parentes, como a terrível tia Dorotéia e o ensina a driblar as desconfianças dos outros humanos e a aproveitar a infância com brincadeiras e histórias vampirescas, mas nem percebe que sua irmãzinha, apaixonada por Anton, planeja transformar o amigo em um vampiro.

Essa é mais uma coleção de livros infantis, aprovada pelo Vico e por mim, que faz gostar de ler.

Curiosamente o nome do pai do pequeno vampiro é Ludovico!

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A bolsa amarela

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“Tempo, tempo mano velho falta um tanto ainda eu sei

Pra você correr macio…”

(Sobre o tempo, Pato Fu)

A personagem Raquel, do livro “A bolsa amarela”é uma menina que deseja que o tempo passe para que ela tenha logo os mesmos direitos dos adultos: Ser ouvida e ter privacidade, entre outras “regalias” dos mais velhos.

Além de comandar o tempo, a menina quer poder ser menino para ter a mesma liberdade que só os homens, na sociedade machista em que ela vive, têm.

Diante das limitações dentro e fora de casa, a criança encontra pela criatividade e pelo prazer de escrever um espaço onde existem amigos secretos e aventuras.

Estes amigos, que estão sempre com ela, ficam escondidos dentro da sua bolsa amarela, onde também são guardados os desejos mais profundos da pequena escritora.

A premiada autora Lygia Bojunga, que foi traduzida em várias línguas, nos torna crianças confidentes da menina diante das injustiças e incoerências do mundo adulto.

Li esse livro pela primeira vez há algumas décadas e ele voltou a me surpreender.

Apesar de vivermos em uma sociedade menos machista do que a da época em que o livro foi publicado, 1976, e das reviravoltas na educação dos filhos, “A bolsa amarela” continua atual.

Os sentimentos da criança em relação ao mundo que não cabe na sua bolsa e os desejos de poder decidir sobre o que mais valoriza na sua vida são atemporais.

Este livro, clássico da literatura infantojuvenil, é, portanto, uma indicação da “mãe que lê” e também da biblioteca “gostar de ler” do Ludo e do Vico.

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Criatividade até o fim do livro

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Para abrir a última parte da resenha de “Ser Criativo – o poder da improvisação na vida e na arte”, escolhi um trecho que me comoveu. Nele, Albert Einstein, do alto da sua genialidade, fala da retomada dos questionamentos da infância:

“Um adulto normal nunca ocupa sua cabeça com problemas como tempo e espaço. Na sua opinião tudo o que havia a aprender sobre esse assunto foi aprendido na infância”. Dizia o grande cientista: “Eu, ao contrário, me desenvolvi tão lentamente que só comecei a me questionar sobre tempo e espaço quando já era adulto”.

Depois da infância, segundo o livro, entre outras, duas forças se destacam na luta contra a criatividade. Essas forças são a crítica e o medo.

Ao explicar o “fantasma da crítica”, Stephen Nachmanovitch divide a crítica segundo o tempo da criação:

  • A crítica construtiva ocorre paralelamente ao tempo da criação, como um feedback contínuo.
  • A crítica obstrutiva atua antes (bloqueio) ou depois (rejeição ou indiferença) da criação.

Na crítica construtiva, “os dois parceiros, musa e revisor, estão sempre em sincronia, como um par de bailarinos que se conhecem há muito tempo”.

Antes de chegar nos frutos da criatividade, outra listinha do autor que me chamou a atenção foi a dos medos que tolhem a criatividade.

Os budistas assim definem esses 5 medos que impedem a nossa liberdade:

  • Medo de perder a vida
  • Medo de perder os meios de subsistência
  • Medo de perder a reputação
  • Medo dos estados alterados de consciência
  • Medo de falar em público (que é o mesmo medo de dizer o que se pensa, o medo da exposição e o bloqueio da escrita, por exemplo).

Finalmente, ao chegar nos frutos da criatividade,  encerro a leitura deste livro em um parágrafo que sintetiza suas ideias principais:

“A criatividade sempre envolve uma certa dose de disciplina, autocontrole e sacrifício. Planejamento e espontaneidade se tornam uma coisa só. Razão e intuição passam a ser duas faces da mesma moeda”.

Espero, sinceramente, que os melhores momentos que selecionei da leitura de “Ser Criativo – o poder da improvisação na vida e na arte”, também tenham sido proveitosos para quem me acompanhou até aqui.

Obrigada!

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