Jostein Gaarder, para crianças, adolescentes e adultos

O dia do curinga

Depois de ter lido dois livros e meio do escritor norueguês Jostein Gaarder e assistido a uma minissérie baseada no seu best seller “O mundo de Sofia”, minha modesta opinião é que “O dia do Curinga” é a história mais interessante e melhor narrada.

No finalzinho da minha adolescência, várias amigas tinham lido “O mundo de Sofia”. Eu tentei, mas desisti antes de chegar na metade. Infelizmente, me faltavam informações de história do mundo e de história da filosofia pra que eu pudesse me envolver com a trama.

Há alguns dias encontramos em uma livraria o DVD da minissérie baseada em “O mundo de Sofia”, e quase compramos. Depois de nos depararmos de novo com ele (o DVD) na locadora Cavídeo (brava guerreira destes tempos de Netflix), alugamos e assistimos de uma tacada só todos os 8 episódios. Não achei uma maravilha, mas fiquei com vontade de dar outra chance ao livro e, quem sabe um dia, sugeri-lo para os meninos.

“O dia do Curinga” é outra história… Quero colocar na estante do Ludo e do Vico, assim que sentir que eles vão se interessar.

Além de trazer questionamentos filosóficos, o livro se aprofunda na relação entre acontecimentos históricos  e as vidas das sociedades, das famílias e dos indivíduos.

O pai do personagem principal, Hans Thomas, de 12 anos, decide viajar com ele em busca da mãe do menino, que havia ido embora de casa há 8 anos. Eles viajam de carro da Noruega até a Grécia para encontrá-la. No caminho, muitas crises existenciais, familiares e situações fantásticas acontecem.

O autor se comunica bem com crianças, adolescentes e adultos. Nascido em 1952, na Noruega, é formado em Filosofia, Teologia e Literatura, além de ter sido professor no ensino médio durante 10 anos.

O outro livro que comprei de Jostein Gaarder foi “Ei! Tem alguém aí?”.

Li com o Vico as elucubrações do personagem Joakim, de 8 anos (a mesma idade que o Vico tinha), envoltas em mistérios e aventuras poéticas como as do Pequeno Príncipe.

Ei, tem alguém aí

Ainda falta conhecer muitos livros desse autor, que me conquistou pelo Dia do Curinga. A Companhia das letras publicou, além dos acima mencionados, os seguintes títulos:

  • Através do espelho
  • A biblioteca mágica de Bibbi Bokken
  • O castelo do príncipe sapo
  • O castelo nos Pirineus
  • A garota das laranjas
  • Juca e os anões amarelos
  • O livros das religiões
  • Maya
  • Mistério de Natal
  • O pássaro raro
  • O vendedor de histórias
  • Vita brevis

Espero ter despertado a curiosidade por esse escritor, que divulga a filosofia nos seus enredos infantojuvenis e é um dos autores de maior destaque na Noruega.

 

 

 

 

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A livraria é um passeio

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Hoje chamei o Vico e o meu marido para passearmos na livraria. O Ludo ficou dormindo, aproveitando o final do feriado de Carnaval.

O Vico estava doido pra comprar mangás, mas eu avisei que só sairia de casa se fosse sem a minha carteira de dinheiro e que ele poderia gastar a mesada dele.

Acho que ganhar presente toda hora, ainda que seja livro, tira o valor do presente e incita à compulsão de comprar.

Não tenho a pretensão de ensinar dicas de finanças aos filhos neste post, mas gostaria de indicar um passeio, que pode ser econômico e divertido: a Livraria da Travessa de Botafogo.

Gosto muito dessa livraria, que também existe em outros bairros do Rio de Janeiro. Conheço as do Shopping Leblon, de Ipanema, do Centro da Cidade e do Barra Shopping.

Atualmente, acho que a de Botafogo é a melhor pra crianças e adolescentes pelas seguintes razões:

  • Ela parece pequena do lado de fora, mas tem um espaço comprido, acolhedor e escondido para crianças e adolescentes, que é ainda mais agradável do que o das outras filiais.
  • Tem um pátio interno aberto com mesas e cadeiras.
  • Não fica dentro de shopping center (se chega até ela a pé ou de metrô, taxi, ônibus, Uber…).
  • As pequenas poltronas de couro na parte interna são uma delícia.

Os pontos fracos:

  • O atendimento demoradíssimo no café
  • A pouca diversidade de mangás

Quanto aos mangás, na zona sul do Rio de Janeiro, tirando as lojas especializadas e as boas bancas de jornal, a filial da livraria Saraiva do Botafogo Praia Shopping foi onde encontramos o melhor acervo.

Nem a demora no café abalou nosso passeio. Saímos da livraria e fomos para o Le Dépanneur Delicatessen, que fica do outro lado da rua. Uma delícia. Chocolate quente e pão de queijo para fechar a tarde antes da chuva começar a cair.

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Vertigo, Legendas e O Clube do Filme

Hoje estamos ilhados em casa, assistindo filmes, lendo, conversando e comendo as guloseimas que separamos para esse feriado.

Assistimos Vertigo – Um corpo que cai, de Hitchcock, junto com o Ludo, o Vico, o vovô e a vovó.

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Lembro que eu não conseguia ver esse filme até o fim quando era criança, apesar de me sentir atraída pelo clima de suspense desse diretor incrível. Não era medo, mas falta de concentração para acompanhar os diálogos dos personagens.

Durante a minha infância e a adolescência eu queria ter conseguido assistir mais filmes do início ao fim e ter enfrentado alguns parágrafos espinhosos nos livros para alcançar a satisfação produzida pela leitura.

A concentração, a resiliência e a capacidade de leitura são temas que sempre me mobilizaram.

Desde que me tornei mãe, intuitivamente, comecei a achar que assistir filmes estrangeiros legendados podia ajudar a desenvolver a capacidade de permanecer lendo um livro até o fim, que é uma dificuldade para a geração das telas (de televisão, computador e celular).

Nas minhas buscas por uma explicação científica para essa suposição sobre a capacidade de leitura, encontrei uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que defende essa ideia dos filmes legendados para melhorar a leitura em crianças e adolescentes.

No experimento da UFSC, realizado com estudantes de 11 a 16 anos, depois de assistirem aos filmes estrangeiros legendados, os alunos tinham que responder questionários sobre os filmes para mostrar o que haviam entendido e a maioria apresentou melhora na capacidade de leitura.

Bem antes de conhecer essa pesquisa, eu havia lido “O clube do filme”, de David Gilmour, que me mostrou a importância da companhia e da conversa nesse processo cinematográfico de desenvolvimento da leitura.

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“O clube do filme” não fala de legenda e leitura, mas está aqui neste post porque é um livro que trata da educação pelo cinema.

Recomendo esse livro, que é um relato do relacionamento do autor com seu filho adolescente. Ele é um pai canadense, crítico de cinema, que resolveu educar o filho assistindo a uma lista de filmes com o garoto e discutindo sobre o que acabavam de ver juntos. O livro é ótimo, mas, infelizmente não está mais aqui em casa.

Quero continuar usando esse artifício delicioso de assistir filmes legendados para a formação da cultura literária e cinematográfica do Ludo e do Vico e já estou prestes a comprar de novo o livro “O clube do filme” no sebo virtual porque não lembro pra quem eu emprestei.

Última Dica: Afastar os celulares antes de assistir filmes com as crianças é indispensável para viver a experiência de assistir um filme integralmente!