Justos, próximos e verdadeiros

Nesse último feriado, fui com o Vico e um amigo dele, que é um amor, fazer um lanche aqui perto de casa. Para minha triste surpresa o amigo solta a declaração de que quando crescer quer morar em qualquer país da Europa ou da América do Norte, pois odeia o Brasil. O único argumento que foi usado para justificar seu horror ao país foi a violência, mas felizmente ele não foi  assaltado até hoje. Cheguei a comentar que meu pai já foi assaltado duas vezes na Europa, mas o amigo se manteve firme na sua convicção.

paz, esperança e respeito

Coincidentemente, o Ludo havia me mostrado no final de semana um vídeo em que o professor e historiador Luiz Antonio Simas fala do branqueamento físico e cultural do Brasil no início da República. Os intelectuais brasileiros da época queriam esconder e até eliminar a cultura afro-brasileira presente nas cidades, como o Rio de Janeiro, para que o Brasil pudesse se passar por um pedaço da civilização europeia na América do Sul e o Rio pela Paris da “Belle Èpoque” nos trópicos. Nesse contexto, o samba, por exemplo, foi classificado como crime pela Lei de Vadiagem, que vigorou por 40 anos.

igualdade

Outra coincidência desse final de semana foi a matéria exibida no Fantástico que afirmou que existe um povo que é mais honesto do que todos os outros do planeta: os dinamarqueses. Como se existisse realmente superioridade de caráter entre os povos e não circunstâncias demográficas, econômicas etc.

eleitor, expressão, escola

Por que praticamos esse “bullying” contra nós mesmos, em vez de sermos justos, próximos e verdadeiros?

Justos, próximos e verdadeiros

Tirei do livro “Correspondência”, de Bartolomeu Campos Queirós,  com desenhos de Angela Lago, as imagens e poesias que ilustram esse post. Nesse livro, que eu guardo desde criança, amigos enviam cartas uns para os outros para que as palavras somadas se tornem a Carta Maior (Constituição).

 

 

 

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