Empatia é o primeiro passo

Outro dia estava estudando História do Brasil com o Vico e ele disse que os índios não eram tão evoluídos quanto os portugueses e que eram meio bobinhos de confiar nos desconhecidos.

Quantos preconceitos e medos herdamos da cultura que nos cerca e da perspectiva europeia da vida que aprendemos na escola, nos filmes e em boa parte das trocas sociais?

Quem me acompanha já percebeu que adoro cinema francês, tenho imenso carinho por lugares onde estive na Europa ou para onde um dia espero viajar. Não se trata de negar os prazeres que aprendemos a consumir, admirar e amar, mas não é possível continuar achando que existe um povo ou uma cultura superior à outra!

Olha que muita coisa melhorou desde os meus tempos de ensino fundamental (na época era primeiro grau). Eu nunca imaginaria estudar a História de várias nações da África – que construiram o Brasil – e me dedicar quase um ano inteiro a conhecê-las, como o Ludo conheceu ano passado.

Curumim

Voltando ao Vico, eu expliquei pra ele que não existe uma cultura melhor do que a outra e nem estágios da cultura pelos quais todos os povos precisam passar. Em antropologia esses conceitos eram defendidos pela perspectiva etnocêntrica que os colonizadores adotavam para invadir as terras e subjugar os povos das suas colônias.

O Vico não se convenceu ainda. Acho que o nível de abstração para desenvolver o olhar de antropólogo acontece um pouco mais tarde na vida, na adolescência, talvez. Algumas pessoas nunca chegam a desenvolvê-lo!

Apesar de estar novinho para a análise antropológica, uma frase do Vico  me deixou comovida. Ele disse: “Mas quem sofreu mesmo em todas as culturas foi a mulher. Até os índios decidiam o que as índias tinham que fazer. Elas nem podiam caçar.”

A sensibilidade de se colocar no lugar do outro e desenvolver a empatia é um primeiro passo para conseguir se transportar para o universo diferente do seu e olhar para o mundo com outra perspectiva, sem julgamentos.

Pra terminar, no mesmo sentido de ampliar o olhar para o mundo, recomendo o maravilhoso documentário de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado sobre o premiadíssimo fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado “The Salt of the Earth – a journey with Sebastião Salgado”.

Bjos!

Sebastiao Salgado