Parque do Martelo

O post de hoje é uma dica pouco conhecida pelos próprios cariocas. Um lugar cercado de natureza e seguro para levar as crianças chamado Parque do Martelo.

portao parque do martelo

Onde fica: No bairro Humaitá (no limite com os bairros Lagoa, Jardim Botânico e Botafogo), no Rio de Janeiro. O acesso se dá pela Rua Miguel Pereira, 41.

Quem cuida: É administrado e mantido pela Associação de Moradores do Alto Humaitá (AMAH).

caminho parque do martelo

História do parque: O local já foi ocupado por uma pequena favela, nos anos 1950 e 1960, e seria transformado em um conjunto habitacional enorme nos anos 1980, quando a associação de moradores esbravejou e conquistou na justiça o direito à área verde para manter o sossego da região. O terreno de 16 mil m² ficou fechado pela prefeitura até 2005, quando finalmente foi ocupado pela AMAH e batizado de Parque do Martelo.

mata parque do martelo

O que encontrei por lá: Horta comunitária, compostagem, apiário, oficinas de técnicas de construções sustentáveis, parquinho, chuveirão, duas trilhas – que não me aventurei a desbravar, ainda: a primeira tinha uma subida muito íngreme e estava interditada e a segunda tinha cobra, segundo um senhor que me desaconselhou a continuar a caminhada. Eu já ouvi falar que a vista de cima das trilhas é linda, mas fica pra outra vez, quem sabe…

casa arvore parque do martelo

Adorei essa casinha com telhado verde!!!

O que fiquei sabendo: Aceita festas de aniversários e piqueniques, com agendamento. Recebe uma feira de produtos orgânicos toda quinta, de 7:30 às 11:30. Já aconteceram festas juninas e feiras de artesanato dentro do parque.

Horário de visitação: De segunda a sexta das 8h às 12h e das 13h às 16h; sábados, das 8h às 13h e domingos das 9h às 13h.

casa do parque do martelo

O Parque do Martelo está no Facebook, pra quem quiser curtir e acompanhar as programações!

Espero que entre na lista dos residentes e dos visitantes da cidade maravilhosa.

Beijos e bom final de domingo!

 

 

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Empatia é o primeiro passo

Outro dia estava estudando História do Brasil com o Vico e ele disse que os índios não eram tão evoluídos quanto os portugueses e que eram meio bobinhos de confiar nos desconhecidos.

Quantos preconceitos e medos herdamos da cultura que nos cerca e da perspectiva europeia da vida que aprendemos na escola, nos filmes e em boa parte das trocas sociais?

Quem me acompanha já percebeu que adoro cinema francês, tenho imenso carinho por lugares onde estive na Europa ou para onde um dia espero viajar. Não se trata de negar os prazeres que aprendemos a consumir, admirar e amar, mas não é possível continuar achando que existe um povo ou uma cultura superior à outra!

Olha que muita coisa melhorou desde os meus tempos de ensino fundamental (na época era primeiro grau). Eu nunca imaginaria estudar a História de várias nações da África – que construiram o Brasil – e me dedicar quase um ano inteiro a conhecê-las, como o Ludo conheceu ano passado.

Curumim

Voltando ao Vico, eu expliquei pra ele que não existe uma cultura melhor do que a outra e nem estágios da cultura pelos quais todos os povos precisam passar. Em antropologia esses conceitos eram defendidos pela perspectiva etnocêntrica que os colonizadores adotavam para invadir as terras e subjugar os povos das suas colônias.

O Vico não se convenceu ainda. Acho que o nível de abstração para desenvolver o olhar de antropólogo acontece um pouco mais tarde na vida, na adolescência, talvez. Algumas pessoas nunca chegam a desenvolvê-lo!

Apesar de estar novinho para a análise antropológica, uma frase do Vico  me deixou comovida. Ele disse: “Mas quem sofreu mesmo em todas as culturas foi a mulher. Até os índios decidiam o que as índias tinham que fazer. Elas nem podiam caçar.”

A sensibilidade de se colocar no lugar do outro e desenvolver a empatia é um primeiro passo para conseguir se transportar para o universo diferente do seu e olhar para o mundo com outra perspectiva, sem julgamentos.

Pra terminar, no mesmo sentido de ampliar o olhar para o mundo, recomendo o maravilhoso documentário de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado sobre o premiadíssimo fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado “The Salt of the Earth – a journey with Sebastião Salgado”.

Bjos!

Sebastiao Salgado