Eu amei um livro didático

flores zen

Um livro didático marcou meu ginásio (últimos anos do ensino fundamental) e minha disciplina preferida, língua portuguesa. Esse livro foi a “Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa” do José de Nicola e Ernani Terra, edição 1990, que, com o passar do tempo, sumiu.

O livro apresentava um projeto gráfico que incluía tirinhas de histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, do Recruta Zero, do Calvin e de outros personagens que faziam parte do repertório dos alunos daquela época, além da reprodução de obras de arte famosas, como o Abaporu de Tarsila do Amaral, fotografias (tinha uma de grafitagem, que eu adorava, onde se lia “I love you como nunca iloviei ninguém”), letras das músicas “Um Índio”, de Caetano Veloso, “O que será – a flor da pele”, de Chico Buarque, poesias de Vinícius de Morais,“Soneto de fidelidade”, Fernando Pessoa, “Poema em linha reta”, apenas para citar algumas páginas de que me lembro.

Claro que nem todos os exercícios gramaticais eram divertidos, mas o material mais interessante, que consistia nas poesias, letras de música e diferentes gêneros de texto, era também apresentado musicalmente o que tornava o livro ainda mais amado, em sala de aula.

flores asia

Não havia a internet, que hoje oferece às crianças e aos adolescentes acesso imediato a qualquer áudio, texto, imagem ou vídeo que seja do interesse deles e que apresenta informações que se desdobram infinitamente.

Quando avaliada sob o enfoque educativo, a tecnologia sem alguma espécie de mediação, pode levar a uma enchente de dados que se perdem pela ausência de direcionamento, crítica e sentido.

Havia, justamente, um sentido enquanto estávamos na sala de aula, que não se limitava a aprender a matéria para a prova, mas a compartilhar aquela experiência, trocar impressões e desenvolver uma sensibilidade em relação ao conhecimento. Esse livro didático era um guia maravilhoso.

Não enxergávamos apenas assuntos que precisavam ser memorizados, mas construíamos significados que nos aproximavam uns dos outros e dos encantos da língua portuguesa.

Você tem algum livro didático afetivo, queridinho, que marcou seus anos de escola?

Eu adoraria conhecê-lo!

 

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16 comentários sobre “Eu amei um livro didático

  1. Sim,tive alguns livros que gostei mais,mas não lembro os nomes.Lembro de um livro de Língua Portuguesa,era “grossão”,acho que tinha tudo de Português,naquele livro.E também apresentava tirinhas ao longo do livro,para ilustrar as matérias.Tive um de Geografia que também gostei muito.No começo era ensinado coisas sobre o espaço,atê hoje sei sobre astros,planetas,cometas,pois guardei na memória o pouco que o livro ensinava desse assunto.Depois o livro tratava de outras coisas,como relevo(não me interesaava muito este assunto),sociedade,poluição,…Este livro de Geografia tinha um pouco de tudo.Tive um outro livro,na época era sobre Ciências,ainda no primário,mas já falava bastante coisa que me serviram até no Segundo Grau.Na minha época,era Segundo Grau.Todos os meus livros do primário eram avançados para a época de estudo a que eram destinados.Este livro de Ciências falavra sobre Eletricidade,adorava esta parte,tanto que no Segundo Grau,escolhi,na matéria de Física,falar sobre Eletricidade. Este livro também falava sobre outros assuntos,mas não lembro,agora.Era muito bom.No Segundo Grau tive um livro de Literatura que também era ótimo.Completando com meu professor na época,nossa,que delícia…Sim,meu professor de Língua Portuguesa e Literatura era um excelente professor e uma excelente pessoa.Tive um livro de Química que também era ótimo.Outro que era grosso,muitas páginas,pudera,reunia as matérias dos três anos do Segundo Grau,era ótimo,bom de entender,tinha várias ilustrações,fórmulas,…
    Muito bom.Bem,que eu me lembre,foram só esses livros didáticos me marcaram.Fiquei com alguns mesmo depois dos estudos,mas precisei me desfazer por motivo de mudanças.Não lembro nome de nenhum.Mas nome comum,das matérias.Mas me lembro do dia do amigo

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  2. Peço desculpas por alguns erros que escrevi,foi a pressa de não perder as ideias e,quanto ao professor de Língua Portuguesa e Literatura,não levem a mal,eram deliciosas as aulas com ele pois era um professor muito bom,o melhor que tive até hoje,ensinava muito e “mastigado”,ensinava todos os pormenores,os “macetes”,ele era ótimo.E,como pessoa,era super gente fina.Um professor com P maiúsculo.Ele gostava de dar aula,não faltava.Os alunos não achavam ele bom,não.Achavam que ele “puxava muito”,entende?Como reclamavam dele!Mas eu sabia que ele ensinava super bem,que explicava tudinho,que a matéria poderia ser dada de qualquer modo,que o próprio aluno entendesse,mas eu percebia que ele não fazia assim,ele não deixava o aluno ao Deus dará,ele ensinava tudo.Infelizmente,meus colegas eram burros,mesmo.Peço desculpa,mas era a mais pura verdade.Não que eu fosse super inteligente,não.Mas você sabe quando tem gente que não consegue ver quando um professor,ou professora é bom,boa,que dá tudo de si para ensinar,mesmo não vendo resultado?Modéstia à parte,eu fui a melhor aluna dele,eu tinha até confiança e liberdade para perguntar tudo o que não entendia,nos mínimos detalhes a ele,sobre a matéria,é lógico.Ele brincava,dizendo que eu estava fazendo um questionário,tinha vezes que até o deixava sem resposta,ele tinha que pesquisar para me responder na próxima aula.Eu não fazia de propósito,não.Exatamente porque eu sabia que ele era ôtimo professor e ia me explicar a dúvida,pesquisando ou não.Ai,ai…Bons tempos…Eu poderia dizer que aquele professor era um livro didático em forma de gente.Mas deixo de fora o nome “deste livro”,ok?

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  3. Apaixonei-me pelos livros de Língua Portuguesa usados no Ensino Médio, as aulas eram especiais, as charges, os poemas.

    “Soneto de Fidelidade” é de lei nos livros do colégio (risos).

    Mas amei um livro de redação que meu pai me trouxe certa vez, que tinha o texto “O Lixo” de Luis Fernando Veríssimo. Acho muito inteligente, eu lia várias vezes e ficava pensando que o autor foi muito criativo. Eu adorava aquele livro de redações.

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    1. Que máximo, Poliane! Fico muito feliz por você também ter se apaixonado pelos livros de língua portuguesa na escola. Vou pesquisar esse livro de redação! Tenho dois meninos que vão ainda vão começar o ensino médio e eu me interesso por esses temas até hoje. Obrigada pela dica! Beijos!

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  4. Ah, já que você perguntou…eu tenho um pequeno trauma com livro didático. Bom, trauma é uma palavra muito forte: foi mais uma impressão que ficou para sempre. Numa apostila do Positivo tinha um exercício baseado num continho/crônica do Luis Fernando Veríssimo. No texto um sujeito todo ocupado e cheio das amizades está atrasado para chegar ao aniversário da mãe. Ele quer ir até a casa dela, mas os amigos o convencem: “Fica, toma mais uma com a gente”. Encurtando a história, com dor na consciência ele chega à casa da mãe às cinco para a meia noite, e lá ela o aguardava sozinha, com um bolinho. Ele fica pedindo desculpas por ter chegado tão tarde, mas ela tem coração de mãe e fica satisfeita com a presença dele.

    Nossa, eu me lembro de estar em sala de aula e de me sentir como se o texto fosse um soco no meio do meu coração. Lembro de ter pensando que jamais faria isso com a minha mãe, jamais a deixaria em segundo plano. Foi um dos meus primeiros contatos com texto literário. Até hoje a lembrança me comove.

    Adorei seu post (como sempre, aliás)! Um beijo grande.

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