Condessa de Ségur

As meninas exemplares

Quando eu tinha cerca de 8 anos meu pai me deu uns livros de capa dura no formato histórias em quadrinhos da escritora Condessa de Ségur e eu adorei! Li e reli várias vezes.

A avó do meu marido também contava as histórias da condessa pra ele quando ele era pequeno e essas leituras se tornaram memórias de risadas e afeto de noites especiais.

Décadas mais tarde li algumas histórias do livro texto para os meninos e eles também gostaram.

Quem foi a tal Condessa de Ségur que atravessou gerações aqui no Brasil?

Seu nome era Sofia. Ela nasceu em São Petersburgo em 1799 e se tornou uma conhecida escritora de literatura infanto-juvenil no século XIX na Europa, tendo se popularizado mais tarde mundo afora.

Sophie_de_Ségur

Por que os livros dela são clássicos da literatura infantil?

Porque a escritora russa conseguiu traduzir nas suas personagens infantis as maldades, a ingenuidade, as descobertas, as falhas e os acertos que tanto se apresentavam no comportamento das crianças do século XIX quando no das crianças de hoje em dia.

Os adultos também são descritos como idiotas, espertos, caridosos, egoístas entre outras nuances de caráter observadas pelo olhar dos pequenos.

Além das características bem trabalhadas das personagens, ela cria situações engraçadas, compara a vida no campo e na cidade, que era muito mais distante do que podemos imaginar atualmente, além de outras peculiaridades dos rituais da sociedade europeia da época em que ela viveu.

Para quem tiver interesse em procurar no sebo virtual, segue uma lista de alguns livros da condessa Sofia:

  • As meninas exemplares
  • Os desastres de Sofia
  • As Férias
  • Memórias de um burro
  • Os dois patetas

casa segúr

 

 

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Conselhos no Aniversário do Ludo

conselho

Quem tem filho adolescente ou se lembra dessa fase da vida sabe que nem sempre é fácil o convívio em casa.

Hoje o Ludo está fazendo 15 anos e está de castigo, infelizmente.

Fiz uma poesia pra ele em forma de conselhos que começam com negativas, que ele precisa ouvir e aceitar.

Amo muito meu filho e amar também é educar e passar por momentos difíceis, aconselhar, dar bronca, tirar a internet etc.

Só não pode haver violência física ou moral, sob hipótese alguma dentro da família!

Amor, respeito e limites são fundamentais e educar dá um trabalho danado!

Não É

Não é porque você está mais velho que pode sair quando quer

Não é por convencer um que você vai comandar o mundo inteiro

Não é pelo seu cansaço que a vida pode andar em marcha ré

Não é porque o gosto é ruim que pode praguejar o cozinheiro

Não é o fato dos outros serem foscos que lhe trará o próprio brilho

Não é o seu erro que dirá quem você é

Não é procurando os culpados que sua vida entrará nos trilhos

Não é o castigo ou a bronca que pesa, mas o que se constrói com amor e fé

Não é feliz aquele que consegue tudo

Não é por você ouvir Não que eu não Te Ame e não deseje Feliz Aniversário Ludo

Dança da Solidão

retalho grandes flores azuis

Esse é mais um post livremente adaptado a partir de uma matéria da revista Psychology Today, que tem assuntos bem interessantes.

Muita gente tem medo da solidão por associá-la a algum tipo de abandono ou à falta de habilidades para se relacionar, como na triste e bela música Dança da Solidão gravada na poderosa voz da cantora Marisa Monte:

“Solidão é lava que cobre tudo

Amargura em minha boca

Sorri seus dentes de chumbo…”

De fato a solidão crônica é tão prejudicial à saúde quanto o tabagismo e a obesidade, além de estar ligada à incidência de depressão e de distorcer a percepção sobre os vínculos com os amigos e outros entes queridos.

O solitário passa a acreditar que é menos amado do que na verdade é e se afasta ainda mais de quem lhe quer bem, criando um círculo vicioso.

flores azuis e brancas

A solidão, porém, não segue um critério objetivo.

As distorções individuais  sobre os vínculos fortes ou frágeis nos relacionamentos são os gatilhos da solidão.

Pessoas casadas e com diversos telefones de amigos na agenda podem ser solitárias.

Da mesma forma, há quem viva sem outra companhia em casa e tenha poucos contatos no dia a dia, mas não sinta solidão.

Soluções Possíveis

  • Lembrar os gestos de carinho e consideração de amigos e familiares
  • Perceber que a solidão traz uma postura muito crítica e até agressiva com os outros
  • Buscar o otimismo e a atitude positiva diante da vida para que sua mente não sabote o esforço de estabelecer conexões com as pessoas
  • Revisitar lugares e experiências favoritas com aqueles que tornaram esses momentos especiais e que ainda estão na sua vida
  • Conseguir se colocar no lugar do outro antes de julgá-lo e se afastar

Espero que esse post possa informar ou ajudar as pessoas que sofrem ou assistem alguém sofrendo a solidão.

florido colorido

 

 

Shows da Vida

Elvis

O clima do Rock in Rio me inspirou a escrever um post sobre shows e infância.

Alguns grandes eventos musicais foram significativos na minha infância e na dos meninos, pela emoção do momento compartilhado com pessoas queridas.

Cantamos juntos, vibramos, sentimos a proximidade com as estrelas, que moram nas ondas do rádio (ou outras mídias) e naqueles instantes se aproximam de algumas formas dos fãs ou aproximam os fãs, seja pela conversa, pelas piadas ou pelas surpresas que só existem nesse tipo de festa!

Meu primeiro Show

Foi o presente de aniversário de 6 anos! Meus pais me levaram, com mais 3 amigas, para o show da Blitz que era O SUCESSO nos anos 1980.

Eu tive até álbum de figurinhas da banda na época. Sabia todas as letras das músicas deles. Foi no Canecão que é uma casa de shows desativada, infelizmente.

Era um show família. Tinha mesa pra pedir comida se a gente quisesse, mas nosso pedido, aceito pelo pessoal da casa, foi ficar em cima da mesa pra dançar, afinal éramos umas pirralhinhas muito felizes com aquele evento inacreditável e inesquecível!

Show do Tom

Eu devia ter uns 12 ou 13 anos quando fui com meus pais assistir ao show do Tom Jobim no Jockey Clube do Rio de Janeiro.

Estranho uma menina dessa idade gostar de Bossa Nova, mas eu gostava e achei lindo demais.

O Milton Nascimento estava por lá e, simplesmente, deu uma canja. Cantou “Eu sei que vou te amar”. Arrepiou.

Hoje, assistindo pela TV, um pedaço do show da Maria Rita cantando jazz no palco Sunset, do Rock in Rio, fiquei com lágrimas nos olhos com os primeiros acordes de “Águas de Março”.

Show do Elvis

O Ludo era muito fã do Elvis quando tinha 10 anos e nós tivemos a oportunidade de levá-lo e o Vico também, claro, para assistir ao show Elvis Presley in Concert, no Maracanãzinho.

Tinha uma sombra do mito, uma espécie de holograma, um telão, vários músicos que o acompanharam, uma banda maravilhosa. Foi emocionante.

O melhor de tudo: A animação e os olhinhos brilhando dos meninos e os momentos felizes que nós quatro compartilhamos com as músicas do Rei do Rock.

Enquanto escrevo este post estou vendo e ouvindo o show do Nile Rodgers pela TV. Sensacional! Já tinha assistido um documentário sobre esse genial guitarrista e produtor musical. Quem não conhece ainda, vale olhar quem ele é aqui.

E você? Lembra do seu primeiro show inesquecível?

Elvis foge do show

As imagens do post são da coleção Mortos de Fama – Elvis e sua Pélvis, alteradas pelo aplicativo Prisma.

 

Literatura Infantil por Cecília Meireles

Cecilia Meireles.jpg

Uma compra muito valiosa pra mim na Bienal do Livro do Rio foi o livro “Problemas da literatura infantil” da poeta e educadora Cecília Meireles.

Apesar do título trazer a palavra “problemas” está longe de ser um rol de queixas e reclamações. O livro, publicado em 1951, reúne 3 conferências da autora sobre educação,  cheias de histórias e curiosidades sobre a literatura voltada para crianças.

Selecionei 3 assuntos e alguns trechos para compartilhar aqui neste post. Espero que vocês também aproveitem a leitura!

Como surgiu a Literatura Infantil?

  1. O primeiro caso foi a redação escrita das tradições orais, que hoje chamamos de Folclore! Cecília Meireles coloca neste grupo os contos dos irmãos Grimm, por exemplo. Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, Rapunzel, etc.. que, inclusive, eram histórias bem mais assustadoras nas versões medievais.
  2. O segundo caso foi o dos livros escritos para uma determinada criança, que passaram, posteriormente, para o uso geral, como foi o caso das Fábulas de La Fontaine (A Lebre e a Tartaruga; A Raposa e as Uvas …) escritas para o filho do Rei Luís XIV.
  3. O terceiro caso foi o dos livros que não haviam sido escritos para crianças, mas que despertaram interesse nesse público e dos quais se fizeram adaptações e reduções com o objetivo de torná-los ainda mais adequados aos pequenos leitores.

Os Clássicos

Adorei um parágrafo no qual a poeta e educadora reconhece em 1951 que nem todos os livros célebres de uma época são atemporais e em que ela fala da construção dos clássicos.

“Os livros que hoje constituem a “biblioteca clássica” das crianças foram selecionados por elas. Muitos não traziam, inicialmente, esse destino; outros, que o traziam, foram postos de lado, esquecidos. Ainda outros, envelheceram: serviam ao leitor de uma época, não ao de todas as épocas. Faltava-lhes eternidade.”

book worm

Formação do Leitor Crítico

Foi curioso ler algumas críticas da autora ao rádio, ao cinema e até às histórias em quadrinhos que estavam tomando o lugar da narração de histórias e da imaginação.

Hoje, depois de muitos debates acadêmicos e da influência da mídia nas nossas vidas, entendemos que há vários meios de formação de leitores.

Em um aspecto, porém, ela está muito atual. O excesso de informação sem a preparação para a análise crítica do que se está lendo ou ouvindo já atingia as crianças nos anos 1950 e nem se falava em televisão, muito menos em internet!

“Mas a crise do livro infantil não é uma crise de carência. Ao contrário, é de abundância. De tudo temos, e no entanto, a criança parece cada vez menos interessada pela leitura. O cinema, o rádio, o noticiário rápido das revistas, tudo traz ao corrente das últimas atualidades: mas em tom anedótico, sem lhe solicitar profunda reflexão, nem lhe inspirar grande respeito. O mundo vai acontecendo ao redor dela, e de certo modo parece um espetáculo absurdo, mas de que o homem consegue tirar vantagens instantâneas e opulentas”.

Qualquer semelhança com os tempos em que vivemos e com os debates sobre educação, tecnologia e formação de leitores críticos não é mera coincidência.

Problemas da literatura infantil

 

 

 

 

XVIII Bienal do Livro Rio

bienal do livro rio

Ontem, feriado de 07 de setembro, o passeio de parte da família, eu, meu marido e o Ludo foi a visita à Bienal do Livro, no Riocentro, das 11:30 às 15 horas.

Ficamos exaustos nesta verdadeira Comic Con dos livros, mas conseguimos aproveitar o evento!

Do que mais gostei na Bienal do Livro:

  • A enorme presença do público jovem, interessada em ler.
  • As editoras de universidades com diversidade e qualidade de títulos.
  • Os livros com descontos em algumas editoras, bom negócio para quem sabe garimpar no meio de muitas ofertas, tem paciência e foco ou sorte.
  • O aplicativo Índigo para não ficar na fila do estacionamento funcionou.

balõesDo que menos gostei na Bienal do Livro:

  • A desorganização no trânsito na entrada e na saída do Riocentro. Um desespero para quem vai de carro. Tem o BRT na porta do evento. É uma opção.
  • O preço dos livros em algumas editoras mais badaladas, como a Zahar, a Cia das Letras, bem como na loja Saraiva que construíram para o evento, era o mesmo das livrarias.
  • O preço do lanche no Bob’s. R$17,00 um Double Cheese!!! Tinha outras opções, mas demoramos para encontrá-las e a fome era grande.
  • R$ 25,00 o estacionamento.

EDUFBA

Comprei dois ótimos livros que devem gerar futuros posts:

  1. Problemas da literatura infantil, da poeta e educadora Cecília Meireles. Editora Global. Apresentação da escritora Laura Sandroni.
  2. O Adolescente e a Internet – Laços e Embaraços no Mundo Virtual, da professora e pesquisadora da Unesp, coordenadora do grupo de pesquisa A Formação do Sujeito na Era Digital, Cláudia Prioste. Editora Edusp.

pic nic na grama no RIocentro

As imagens desse post são o ingresso do evento, a frente e o verso do flyer da editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA) e a foto das pessoas fazendo um picnic na grama próximo das barracas de comida, food trucks etc.

Bom final de semana!

 

 

 

O Menino Fernando Sabino

passaros

Eu li, meu marido leu, o Ludo leu e o Vico está lendo. Todos nós conhecemos este livro como uma “obrigação” da escola e, em todos os casos, o fardo se revelou um prazer.

O livro “O Menino no Espelho”, de Fernando Sabino, narra uma “meninice” distante da que cada um de nós teve, nas primeiras décadas do século passado, mas os medos, as traquinagens e os sonhos de Fernando são atemporais e viverão enquanto existir infância.

O autor publicou esse livro em 1982.

“O menino no espelho” também teve sua adaptação para as telonas, mas a leitura é insubstituível.

Peguei emprestado o livro do Vico, folheei algumas páginas e selecionei aleatoriamente um trecho sensível e engraçado desta obra prima da literatura infantojuvenil brasileira:

Nasci no dia 12 de outubro, aniversário do Gerson, que estava fazendo oito anos. Meu irmão tinha pedido de presente uma surpresa, e surpresa ele teve: nasci em casa, como acontecia naquela época, e minha mãe mandou botar o bebê na cama do Gerson, como presente de aniversário.

Quando ele acordou e deu comigo a seu lado, ficou na maior alegria. Foi um custo para se convencer de que eu não era um brinquedo dele, que pudesse ficar carregando pela casa de cá para lá o tempo todo.

Daí o carinho com que ele me tratou a vida toda. Embora o Toninho, que era só dois anos mais velho, sempre tenha sido também muito meu amigo, e fosse o meu companheiro de quarto, o Gerson, pelo fato de já ser para mim um homem com seus dezesseis anos, me despertava uma grande fascinação; eu queria ser como ele quando crescesse.

Diga-se de passagem que, ao completar oito anos, também pedi à minha mãe um bebê. Ela achou graça, botando na minha cama um boneco, o que me deixou com muita raiva ao acordar, pois além do mais eu não era menina para ganhar um presente daqueles.

Fernando Sabino, assim como seu personagem, nasceu no dia 12 de outubro, em Belo Horizonte, dia das crianças, também foi escoteiro, filho, irmão, criativo, talentoso e apaixonado. Viveu, aumentou um pouquinho e imaginou algumas das maravilhosas aventuras narradas no livro que tanto nos emocionam.

aviador menino no espelho

As ilustrações estão no livro e são de Carlos Scliar, coloridas aqui com o aplicativo Prisma.