Cordel Reflexivo

sertão cordel

Quero lhe dar este presente

Uma reflexão de repente

Não ao acaso ou de supetão

Mas de verso improvisado,

Um folk xilogravado

Nesta rede septilhado

Como trova do sertão

 

O que de mais fundo lhe toca o peito?

Mostrar a fim de causar despeito?

Ser cheio de si e de si mesmo se iludir?

Honra, dignidade e respeito?

Manter a guarda com atitude?

Assim, ainda que o medo lhe inunde,

Plantar-se de pé quando cair?

 

Saber sobre viver, morrer e amar?

Deixar de legado as fotos no celular?

Esperar no calendário, num futuro imaginário,

O dia de acordar com a macaca, de enfiar o pé na jaca?

Será revolucionário!

Mas só se a preguiça deixar…

Que é o vício mais duro de largar.

 

Falta de abraço?

Mania de perseguição?

Angústia de chegar?

Raiva da opinião?

O outro, os outros, a outra, as outras?

Seu laudo médico?

Sua prescrição?

 

A saudade de não saber,

De não precisar de conforto,

De caber num saco, todo torto,

Do que era antes de ser?

Pois essa reflexão não é só sua

Ela é a razão de toda criatura

À qual é dada a peleja de nascer

cacto cordel

 

*As ilustrações foram tiradas do livro Cultura da Terra, de Ricardo Azevedo (escritor e ilustrador)

Bom domingo a todos!

Hábito de Reclamar

pato donald

O antigo Pato Donald e o fazendeiro Eustaquio Bagge, do Cartoon Network, são personagens que simbolizam a rabugice e a insatisfação constante.

Nas últimas semanas tenho pensado bastante nesse hábito de reclamar.

Andando de metrô, anos atrás, me chamava atenção o desprazer da maioria dos passageiros que iam e vinham sentados. Podia ser por causa do emprego ou do desemprego, do par ou ausência de um par, dos filhos, dos pais, dos vizinhos, dos colegas…

Dava a impressão que algum tipo de vergonha impedia um sorriso de satisfação ou de paz de espírito para os estranhos que usavam o mesmo vagão.

Anos antes, quando eu nem me imaginava andando sozinha de metrô, quem me surpreendia pelo seu bom humor constante era um senhor chamado Joel. Ele trabalhava no meu prédio. De segunda a sexta, comemorava com a mesma empolgação o reencontro com as mesmas pessoas. Ou era excesso de endorfina, dopamina e serotonina naquele ser humano ou alguma disciplina budista para ver o copo sempre cheio.

Quanta gente você conhece que prefere começar uma conversa criticando, fazer piada reclamando, manter a rotina dando bronca e cobrando algo dos outros

O hábito de reclamar também pode ser um sinal para cuidar da saúde. A Distimia,  como explica o Dr Drauzio Varella é um tipo de depressão, que durante séculos serviu para caracterizar as pessoas mal humoradas, irritadiças e de personalidade complicada, às vezes até pedantes, por acharem que nada é suficientemente bom ou original.

Encontrei em alguns blogs e sites ideias para ajudar as pessoas a largarem o hábito de reclamar

  • Em primeiro lugar: Se quiser ajudar o reclamão não seja agressivo. Tente apontar o hábito sem atacar a pessoa.
  • Se a pessoa estiver disposta a mudar esse hábito, sugira o desafio de Will Owens: A pessoa escolhe um acessório e tem que muda-lo de lugar toda vez que fizer uma queixa ou uma crítica. O objetivo é mantê-lo no mesmo lugar por 21 dias seguidos. A pulseira que se pode mudar de braço é o objeto ideal. A contagem dos 21 dias zera a cada reclamação.
  • Conte e pergunte sobre 3 a 4 coisas pelas quais podemos ser gratos diariamente
  • Uma última dica: Preste atenção se você também está com o hábito de reclamar. “Pense no reclamar como sendo mau hálito. Percebemos quando vem da boca de outra pessoa, mas não quando vem da nossa”.

Uma ótima semana a todos!

Fontes:

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/distimia-3/

https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/comportamento/o-habito-de-reclamar-pode-causar-doencas-e-levar-a-solidao

https://obemviver.blog.br/2015/05/18/reclamar-menos-faz-bem-excelente-materia/

https://menthes.com.br/reclamar-menos-e-desafio-que-compensa-conheca-estrategias/

http://necessidadebasica.com.br/2016/04/um-mundo-livre-de-reclamacoes/