Pisa e Homeschooling

  • O que é o Pisa?

O Programme for International Student Assessment (Pisa) é uma iniciativa de avaliação de estudantes matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental em escolas públicas e particulares.

O Pisa é coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil, a coordenação do Pisa é responsabilidade do Inep.

  • Para que serve o Pisa?

O objetivo do Pisa é produzir indicadores que contribuam para a discussão da qualidade da educação nos países participantes.

As avaliações do Pisa acontecem a cada três anos e abrangem três áreas do conhecimento – Leitura, Matemática e Ciências.

  • Como está o desempenho do Brasil no Pisa?

O Brasil, infelizmente, está sempre na “lanterna desse campeonato”.

  • O que Homeschooling tem a ver com o Pisa?

Homeschooling é o nome pelo qual se conhece a Educação Domiciliar em muitos países.

A maioria dos países que se destacam há anos no Pisa admitem a Educação Domiciliar.

Podemos afirmar que esses países vêm se destacando no Pisa por causa da Educação Domiciliar?

Não, mas podemos afirmar que a Educação Domiciliar não piorou a Educação, não acabou com as escolas, nem com o acesso à Educação nos países que se destacam há anos pelos melhores índices de desempenho escolar, segundo o Pisa.

A Educação Domiciliar é simplesmente uma opção nesses países.

A maioria dos países que encabeçaram a lista do Pisa em 2015 já admitiam a Educação Domiciliar:

Cingapura, China, Japão, Estônia, Canadá, Taiwan, Finlândia, Irlanda, Eslovênia, Suíça, Nova Zelândia, Dinamarca, Polônia, Bélgica, Austrália, Reino Unido, Portugal, França, Áustria, Rússia, República Checa, Itália, Luxemburgo…

  • Por que famílias de países culturalmente tão diferentes como Japão, China, Canadá e Irlanda optam pela Educação Domiciliar?

China

“Muitos defensores da educação em casa na China apontam que não enviar seus filhos para escolas públicas os libera de aprendizagem mecânica e doutrinação entorpecente na sala de aula.” ·

Japão

“… as famílias japonesas que estudam em casa geralmente são motivadas por necessidades especiais de seus filhos. Infelizmente, tem havido falta de apoio em sala de aula para muitas crianças com necessidades especiais, variando de dificuldades de aprendizagem a outras questões como “hikikomori” ou crianças reclusas, outra preocupação crescente aqui no Japão.

Nem todas as famílias de homeschooling japonesas estão fazendo isso por causa de necessidades especiais, no entanto. Algumas famílias estão escolhendo o caminho de educação escolar em casa porque sentem que seus filhos merecem essa opção. Eles acham que é melhor para seus filhos do que para o ensino obrigatório, especialmente porque há mais frustração com o fracasso da educação voltada para resultados, que vem com o aumento das horas de lição de casa e a preparação para exames. Como tem havido casos em que as crianças educadas em casa passaram com sucesso nos exames para entrar nas universidades mais difíceis do Japão, mais famílias estão começando a ver a educação escolar em casa como uma opção legítima ou alternativa às escolas públicas nos dias de hoje.” ·

Canadá

“Hoje, alguns ainda escolhem o homeschooling por causa de preocupações com o currículo do governo ou o desejo de uma ênfase religiosa específica na educação de seus filhos. Mas muitas famílias agora escolhem a educação escolar em casa simplesmente porque é possível e prática como nunca se imaginou. Os pais que trabalham em casa, famílias que viajam frequentemente, crianças com muito talento para esportes, para atividades artísticas ou que tenham necessidades especiais, combinadas com o surgimento de opções educacionais por meio da tecnologia digital, são apenas algumas das razões pelas quais os pais escolhem a educação escolar em casa.” ·

Irlanda

“As pessoas podem escolher educar em casa por vários motivos; tudo, desde o seu filho que odeia a escola até o seu desejo de uma educação secular para o seu filho – e muita coisa no meio. Na Irlanda, você pode decidir estudar em casa por muitas razões – como manter uma oposição religiosa ou ideológica à educação disponível nas escolas daqui. Ou até mesmo objetando a educar uma criança em uma escola.”

  • Moral da história, sou pedagoga, não tenho interesse em política partidária e não sou religiosa. Ainda assim, antes de condenar a Educação Domiciliar como se fosse acabar com a Educação no Brasil ou desprestigiar os profissionais da Educação ou tirar os alunos das escolas, me interessei pelo assunto e acho que deve ser uma opção legal.

Fontes:

http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/o-que-e-o-pisa/21206

http://www.ebc.com.br/educacao/2013/12/ranking-do-pisa-2012

http://www.ebc.com.br/educacao/2013/12/ranking-do-pisa-2012

https://japandaily.jp/homeschooling-in-japan-4182/

https://www.scmp.com/lifestyle/families/article/2153883/chinese-parents-who-homeschool-their-kids-and-why-they-reject

https://www.fraserinstitute.org/blogs/homeschooling-in-canada-continues-to-grow

http://giftedireland.ie/homeschooling/

 

 

 

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14 comentários sobre “Pisa e Homeschooling

  1. Querida mãe do Ludo e Vico… não sou pedagogo, muito menos professor (apesar de ter contato constante com estes maravilhosos profissionais) mas digo que seu texto, no mínimo amplia nosso olhar. Também não tenho interesse em política partidária, não sou religioso e acredito que deve ser uma opção legal, mas, acho que esta discussão ainda vai dar muito “pano para manga” rsrsrsrsrs.
    De qualquer formas gostei muito da sua explanação. Parabéns! Tenha uma semana iluminada e produtiva… beijo no coração!

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  2. Eu acho que essa opção deve ser válida sim, afinal os pais podem decidir o que querem para seus filhos (não creio que caiba ao Estado esse tipo de decisão). Porém, espero que seja uma prática séria, que professores com formação atuem nesse tipo de educação. Ademais, esse tipo de educação não deve ser barato, o número de adeptos não será tão grande assim, e as escolas tradicionais não irão acabar. E os professores terão uma opção a mais para trabalharem, o contrário de desprestígio.
    Gostei das suas opiniões.
    Abraço.

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    1. Muito obrigada pelo seu comentário, Alan. Pelo que tenho lido e assistido desde a faculdade de pedagogia, há várias formas das famílias se engajarem em homeschooling e até em unschooling, Meus filhos estão na escola regular, mas eu gostaria, havendo necessidade para eles, de ter a liberdade de escolher. Que bom que você também não ficou preso aos antagonismos políticos e religiosos e se sentiu livre para pensar e opinar. Abraço⭐️

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  3. Eu fiz um longo comentário, mas parece q não seguiu. Vou tentar novamente.

    Nem tudo de bom ou mau que acontece nos países de primeiro mundo será bom ou mau no Brasil
    Esta forma de ensino existe na Bélgica e Portugal, mas poucos a utilizam.
    Eu não pretendo experimentar. Acho q a educação é um papel do Estado que deve fornecer ensino de qualidade a tds na escola pública. E deve promover formações aos seus professores.
    No Brasil, dentro da sua realidade atual, o objetivo é passar aos pais esta responsabilidade. O que é bom para o Estado, pois gastará menos, já tendo cortado cerca de 50% nos gastos com educação. Já o Estado não quer resolver o problema da violência, então vamos armar os cidadãos.
    Eu conheci um caso no Brasil q conseguiu essa permissão nos anos 90, uma família do RS q foi dar a volts ao mundo, ou quase isso, num veleiro.
    A outra conheci de perto e estive em casa deles em Portugal. A filha tinha 8 ou 9 anos e ia à escola apenas p prestar os exames. Eu vi uma criança associal e mesmo mimada em casa, e voltei a vê-la no parque com a mesma atitude. Os pais são psicólogos.
    Eu só admitiria esta forma de ensino em caso de filho com necessidade especial ou em caso de viagem prolongada.

    Estou curiosa qto ao próximo PISA. Penso q os países q receberam mais imigrantes poderão ter uma queda.

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    1. Oi querida. Obrigada por participar da discussão. Que bom que concordamos que algumas crianças e adolescentes com necessidades especiais se beneficiariam com o homeschooling, já que pouquíssimas são devidamente incluídas na educação inclusiva. Eu mesma trabalhei numa escola particular, cara e conceituada, e presenciei o despreparo, o descaso e até o preconceito dos profissionais, sem falar na ausência de socialização desses alunos. Acredito, que crianças e adolescentes vítimas constante de bullying por não corresponderem ao ritmo ou estereótipos esperados nos esportes, nas demais matérias e nas interações sociais, e ainda aqueles cujos pais querem e podem oferecer mais do que a maioria das escolas oferece ou as escolas que eles podem pagar oferecem, também merecem o direito de escolha. Eu conheço uma família que faz homeschooling no Rio de Janeiro e se enquadra no último caso. A adolescente, inclusive, tem muitos amigos e não é mimada. Tive colegas mimadas na escola, meus filhos também. O mundo é diverso e acho que a educação oferecida pelo Estado e pelas escolas particulares atende a muitos, mas não a todos. Não votei no atual governo e nem sou evangélica, só acompanho assuntos sobre educação com muito interesse e sem preconceito. Se a educação nos países que se sobressaem no Pisa é boa, não imagino que os imigrantes possam ser causadores de queda nos índices de qualidade do ensino desses países de primeiro mundo. Até entre os defensores do Homeschooling há discordâncias, que dirá entre nós duas, apesar de tantas outras afinidades, né? Beijo🌷

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  4. O próximo PISA para os países q mais receberam imigrantes terá alteração, pq os estudantes com 12 anos ou mais não ficam todo o ano escolar na sala “normal” devido a aprendizagem de um novo idioma. É natural q problemas com o novo idioma continuem por 3 anos, sem falar na defasagem de conteúdo. Muitos deles vem de onde o árabe ou francês é a lingua materna, e seguiram para países de outro ramo linguístico .

    A escola como a família são muito importantes no crescimento de um indivíduo. Cada uma com a sua função.
    A escola é quem nos vai preparar não apenas em conhecimento, mas vai nos preparar a conviver com os outros, alguns deles diferentes, alguns deles com opiniões diferentes, vai nos preparar para o trabalho em grupo, vai nos fazer perceber e praticar a responsabilidade, respeitar hierarquia. Não creio q o ensino em casa irá preparar p o mesmo.

    Detalhe, a jovem q conhecia ia à escola apenas p fazer exames obrigatórios. Não era um ensino a mais, não era um ensino para completar o q era ensinado na escola.

    Eu vejo as ações deste governo cujo o ministro da educação chamou os brasileiros de ladrões, como ações voltadas para o indivíduo e não para a coletividade. Só alguns poderão comprar a sua arma, só alguns poderão seguir o ensino em casa… Estou à espera p ação na saúde!

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      1. Sim, a liberdade de escolha é livre, mas é importante mostrar os pontos negativos q não visualizam. Sem falar numa queda de competitividade se o jovem desejar cursar no futuro alguns cursos de concorrência. E qdo o filho estiver a trabalhar com outros, certamente terá dificuldade de trabalhar ou gerir um grupo.
        Não são certezas absolutas. É a realidade. Se fosse assim tão bom como dizem os q estão adorar e a indicar que países do primeiro mundo adotam, então já existiriam muito menos escolas. Não é verdade? A verdade absoluta é q um número muito limitado de famílias a utilizam em tais países, mas os números não são apresentados pelos seus defensores. Claro! 😉

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      2. Querida, justamente, é um número pequeno de famílias, que sente essa necessidade e pode optar (sem ser presa ou perder a guarda dos filhos, nos países em que a lei dá a liberdade de escolha). Por ser um número pequeno de famílias, a opção pelo Homeschooling não interfere na qualidade da educação dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Foi isso que eu tentei mostrar ao comparar com os resultados do Pisa.

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  5. Morando em Portugal, por uma série de razões, eu e minha companheira pesquisamos e cogitamos o “ensino em casa”. Acabamos não optando por essa vertente, mas gostava de mencionar aqui alguns aspectos, que descobrimos em nossa pesquisa, sobre essa vertente, aqui em Portugal.
    – O Homescholling é permitido, mas a criança tem de prestar exames nacionais junto com as outras, e se não passar, a “licença” para o ensino em casa é retirada e os pais tem de matricular a criança em uma escola oficial.
    – A maioria esmagadora dos pais que opta pelo ensino em casa o faz para poder colocar as crianças em escolas “não oficiais”, que não são reconhecidas como tal pelo estado. Tipicamente essas escolas adotam metodologias alternativas de ensino.
    Considerando a situação social e econômica do Brasil, e tudo que li sobre crianças trabalhando e evasão escolar, penso que, não devendo proibir o ensino em casa, ele deveria ser apreciado caso-a-caso…

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