Só penso

Não pense que a cabeça aguenta se você parar

Pensar não é só para os gênios, os cientistas, os filósofos… mas também para os corajosos, os curiosos, e as crianças que ainda não conhecem o medo de errar.

Os gênios erram e acertam e continuam, genialmente, errando e acertando.

Nós também erramos e acertamos, mas preferimos a segurança de seguir outras cabeças, nem sempre geniais, mas notoriamente valorizadas pela ordem social.

Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado, se quiser voar

“Normalidade” é um nome ideologicamente forjado para designar a maioria.

Que significa ser “normal” além de pertencer à maioria estatística?

… A passagem de maioria estatística” (uma declaração de fato) para “normalidade” (uma decisão avaliativa) atribui uma diferença de qualidade à diferença numérica.

… A questão da “normalidade versus anormalidade” é a forma como o tema da “maioria versus minoria” é absorvido, domesticado e depois confrontado na construção e preservação da ordem social.”

(Zygmunt Bauman, Sobre educação e juventude, Zahar, 2012, páginas 70 e 71)

Quando eu me declarava você ria e no auge da minha agonia eu citava Shakespeare

“Linus Pauling pensava que a vitamina C curava tudo. Isaac Newton passou metade de seu tempo ocupado com códigos estranhos da Bíblia…

Genialidade muitas vezes envolve pensar em uma ideia absurda contrária à sabedoria tradicional e ir atrás dela obsessivamente, apesar dos pessimistas…

Quem às vezes triunfa em algo também deve fracassar às vezes, só por ser o tipo de pessoa que chega a tentar.”

(Scott Alexander, Slater Star Coder, tradução de Mariana Nântua, A diferença entre o gênio e o tolo, Revista Época, 06 de maio de 2019, página 80)

O filho que ainda não veio; o início, o fim e o meio

“… Mesmer veio demasiado cedo ou demasiado tarde, e precisamente a época em que ele teve a infelicidade de nascer carece de uma entidade capaz de uma obscura e respeitosa intuição. É uma época que não permite um claro-escuro nas coisas da alma…

Nessa desesperada batalha por uma nova psicoterapia, Mesmer está totalmente só. Seus discípulos e colaboradores estão atrasados meio século ou um século…

Seu mundo o processou e o condenou. Agora está madura a época em que os juízes se sentam ao seu lado direito.”

(Stefan Zweig – A cura pelo espírito em perfis de Franz Mesmer, Mary Baker Eddy e Sigmund Freud, Zahar, 2017, páginas 26 e 27)

*Os títulos dos textos foram tirados das letras das músicas Tente Outra Vez; Carimbador Maluco; Tu és o MDC da Minha Vida e Gita, todas do Raul Seixas.

Boa Semana!!!

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Assombro

Assombro

Susto, medo, sobressalto, terror, pavor, consternação, pasmo, estupor.

Portento, prodígio, maravilha, milagre.

(Dicionário de Sinônimos e Antônimos da Língua Portuguesa, de Francisco Fernandes, 38ª edição revista e ampliada por Celso Pedro Luft)

Assombrações

Um curta de terror brasileiro e um longa de aventura colombiano, que, aparentemente, não teriam porque ser citados no mesmo post, ficaram me assombrando durante dias.

Em O Duplo , da diretora Juliana Rojas, a assombração se espalha pelo espaço. O medo reside em saber onde está o monstro: se está do lado de fora ou do lado de dentro.

DoppelgängerO Duplo

Doppelgänger é um monstro ou ser fantástico que tem o dom de se tornar idêntico a alguém que ele passa a acompanhar. Considerado como presságio de má sorte, há quem diga que ele assume o negativo da pessoa, de modo a conduzi-la a fazer coisas cruéis que ela não faria naturalmente. Aqueles que tentam comunicar-se com seu próprio Doppelgänger são tidos como imprudentes e malfadados”.

No filme O Abraço da Serpente, o terror engole o tempo (o passado, o presente e o futuro de diferentes etnias indígenas), o corpo e a alma de seres da floresta, ora como um coletivo ora como um único indivíduo, em defesa da normalidade, da ciência, da religião, entre outros valores humanos.

Chulachaqui – Corpo sem Alma

Todos têm um Chulachaqui, que tem a mesma aparência que a pessoa, mas é vazio, uma cópia que vagueia como um fantasma“. (fala do personagem Karamakate jovem, que temia perder suas raízes e se tornar um índio sem alma, sem sonhos, subjugado pelas loucuras do homem branco).

Loucura x Medo da Despersonalização

“Excetuando alguns filósofos e poetas, que viam algo de romântico e revolucionário na loucura, todos nós temos muito receio de enlouquecer, até porque isso significa romper a fronteira do conhecido e quebrar a estrutura mais íntima de nosso ser. No caso dos portadores de transtorno do pânico, esse medo é intenso e muito frequente. Ele está profundamente relacionado com os sintomas de despersonalização (deixar de se sentir a própria pessoa) e irrealidade (estranheza em relação aos fatos e pessoas que fazem parte de sua vida).

Loucura é outra coisa… Nela existe a presença de alucinações e delírios, que são alterações graves da percepção (ver coisas, ouvir vozes) e do julgamento (achar que está sendo perseguido). E isso não tem nada a ver com o transtorno do pânico em si.

(Mentes Ansiosas – Medo e Ansiedade Além dos Limites, Ana Beatriz Barbosa, Editora Objetiva, 2011)

Esses filmes são um assombro!

Escolhi a palavra Assombro para o título do post por ser sinônimo de medo, mas também pelos significados engraçados e positivos, que talvez tenham sido os primeiros de que eu me lembro ter ouvido.

Sassaricando

Marchinhas de Carnaval

Sassassaricando

Todo mundo leva a vida no arame
Sassassaricando
A viúva, o brotinho e a madame
O velho na porta da Colombo
É um assombro
Sassaricando

Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó

(Composição: Luiz Antonio / Oldemar Magalhães / Zé Mario)

Boa Semana!!!

*As imagens foram tiradas a partir de obras de arte reproduzidas no livro História da Arte, de Graça Proença, Editora Ática, 2012 (A estrela da manhã, de Joan Miró; Ta Matete e Arearea, ambas de Paul Gauguin; A persistência da memória, de Salvador Dalí, e Cinco mulheres na rua, de Ernst Kirchner).

Paraquedas em si mesmo

paraquedas

Cair em si é uma expressão idiomática que significa tomar consciência.

Existem membros respeitados da sociedade que não têm consciência da sua ignorância; parentes que se julgam bons ao criticar em vez de amar; pessoas que vivem para impressionar e não se impressionam com os outros…

Há dois dias encontrei na caixa do correio o livro que encomendei: “Paraquedas – um ensaio filosófico” do escritor P.R.Cunha, com delicada dedicatória e uma história surpreendente.

Comprei o livro porque adoro os posts do autor, mas não sabia o que esperar até começar a leitura.

Em alguns momentos pensei no personagem esquizofrênico da série Maniac, desagregado de uma família artificial e cruel.

O personagem de “Paraquedas – um ensaio filosófico” não é esquizofrênico, mas a família o trata como se fosse o louco inconveniente.

Ele foge dessa dolorosa realidade para a realidade de outros livros, de outros personagens, de outros escritores, de outras formas de arte, enquanto constrói a própria história, com coragem para seguir seus instintos e amor pela fazenda literária.

Em outros momentos, eu parei a leitura para compartilhar com meu marido, que se viu em certas agruras do personagem, assim como compartilho a indicação do livro do P.R. Cunha a quem ainda não conhece esse talentoso e premiado escritor.

Boa Semana e Boas Leituras!