Papeizinhos amarelados

Que adolescente tem segredinhos não é novidade.

Hoje eu estava conversando com meu marido sobre diários. Eu já até escrevi sobre o tema aqui e como era incomum, pelo menos há uns vinte e tantos anos, meninos escreverem diários.

Ele me perguntou qual era a real intenção das meninas ao escreverem um diário porque se era pra ser segredo não deveriam escrever.

Aí é que entram meus papeizinhos.

Sabe a música “Paranoia” do Raul Seixas?

Caso não saiba ou não se lembre, tem uma parte que é assim:

“Se eu vejo um papel qualquer no chão
Tremo, corro e apanho pra esconder
Com medo de ter sido uma anotação que eu fiz
Que não se possa ler
E eu gosto de escrever, mas…
Mas eu sinto medo!
Eu sinto medo!”

Eu ainda acho sensacional a letra dessa música.

Fazia todo o sentido querer colocar para fora do corpo as ideias e emoções para que elas fossem materializadas e organizadas numa folha de papel. O que não queria dizer que devessem ser compartilhadas. Os diários com cadeado que as meninas dos anos 1980 faziam tinham esse propósito. Se não tinham, eu estava enganada até agora.

Antes e depois de ter um diário, minhas observações, desejos e projetos eram anotados em papéis avulsos e me apavorava a ideia de que alguém pudesse encontrá-los. Eu não era organizada e nem conseguia manter um caderno do início ao fim para as matérias da escola. Ainda tenho alguma dificuldade com cadernos. O diário teve o mesmo destino. Era mais um enfeite mesmo. Continuei com os papeizinhos.

Hoje eu não tenho ideias pra esconder, nem me preocupo com as descobertas que alguém possa fazer a meu respeito.

A emoção de ter um pouquinho de loucura escondida num papel virou nostalgia…

Boa Semana!

Beijos

Provocações

O título é apenas para destacar a série de vídeos no Youtube com o ator e diretor Antonio Abujamra em que, ao final do programa, ele fazia a pergunta “O que é a vida?” para seus convidados.

Quando a resposta era elaborada, filosófica, poética, ele repetia a pergunta: “Fulano, o que é a vida?” e o convidado ficava sem graça e tentava melhorar ou simplificar o que havia dito.

Eu fiz essa pesquisa na internet para minha única aluna adulta, com quem eu gosto de trocar ideias sobre variados assuntos. Ela já tem um ótimo entendimento da nossa língua e quer se aperfeiçoar na gramática e na conversação.

Outra pergunta do Abujamra para os seus convidados era se a felicidade é uma ideia ultrapassada.

Entre tantas ideias ultrapassadas, como preconceitos, padrões de normalidade e de sucesso, a felicidade não seria a minha escolha de provocação, se eu fosse o Abujamra, mas eu continuo gostando do programa dele, que se foi há alguns anos.

A melhor justificativa que eu consegui achar para a felicidade como ideia ultrapassada foi: “buscar o sentido da vida e não a felicidade é o que faz você viver melhor.”

Eu não sei o que é a vida, mas as pessoas entrevistadas também não sabiam.

Minha felicidade ou meu sentido da vida é ver quem eu amo feliz e saborear o processo de criar minhas aulas, meu lar, meu lanche, esse texto…

A pandemia, pra quem cumpre o isolamento, trouxe para a sala de casa essas ideias adormecidas pela própria vida.

Poema sobre a vida, do Mario Quintana, lido pelo Abujamra,  talvez seja a resposta certa para a primeira pergunta, mas mesmo que não seja, tem o mérito de produzir felicidade em cerca de um minuto.

Boa semana!

Fomes

Antes de mais nada, preciso dizer que estar gordinha não é sempre um problema, então não vivo questionando minhas fomes.

Para as pessoas que eu amo tanto faz quanto eu peso na balança.

Não tenho problema de saúde nem de falta de disposição.

O real problema das minhas fomes e de estar gordinha é não ter as mesmas opções para me vestir que eu tinha com o corpo mais magro.

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Foto por Jessica Gaudioso em Pexels.com

Acho que estou reclamando de barriga cheia, mas resolvi escrever sobre as minhas fomes pra tentar me relacionar melhor com elas.

Então, pense comigo se você tem essas fomes ou outras fomes e como elas dirigem sua alimentação e sua vida.

Fome de Viver: Tenho fome de viver de forma macia, mais pra mal passada, na manteiga, com acompanhamento, sem picles, nem ketchup, nem grandes expectativas, que pesam e deixam um gosto estranho na boca. Essa fome também inclui cheiros, toques, sons e imagens como Lavanda, um Abraço, o canto do Japu Preto e uma Floresta de Araucárias.

Fome de Leão: Essa fome que aparece quando pulo refeições, bebo pouca água, durmo mal, como muito mais carboidratos do que proteínas ou quando vejo fotos ou vídeos de comidas quase pornográficas de tão apelativas.

Fome de Gol: A fome de alcançar os desejos imediatos. Essa é a fome dos ansiosos. Lembra aquele teste em que as crianças têm que esperar sem comer o doce para ganhar outro doce? Não sei se quando eu era criancinha esperaria. Hoje eu não espero.

Fome de poder: Essa acho que eu não tenho.

Fome do Coração: É a das comidas bestas que insistimos em engolir quando sentimos tédio, tristeza, tensão (pré-menstrual ou outras tensões), medo, cansaço, preguiça e outros buracos existenciais.

Nem todas as fomes que eu listei me prejudicam, mas ainda assim, acho que posso diminuir a fome de leão, a fome de gol e a fome do coração.

Quem tiver alguma sugestão (que não seja dieta) pra diminuir essas fomes, escreva nos comentários, por favor.

Se você souber ou tiver outras fomes, compartilhe comigo!

Obrigada pela Leitura e Bom Final de Semana!