Assombro

Assombro

Susto, medo, sobressalto, terror, pavor, consternação, pasmo, estupor.

Portento, prodígio, maravilha, milagre.

(Dicionário de Sinônimos e Antônimos da Língua Portuguesa, de Francisco Fernandes, 38ª edição revista e ampliada por Celso Pedro Luft)

Assombrações

Um curta de terror brasileiro e um longa de aventura colombiano, que, aparentemente, não teriam porque ser citados no mesmo post, ficaram me assombrando durante dias.

Em O Duplo , da diretora Juliana Rojas, a assombração se espalha pelo espaço. O medo reside em saber onde está o monstro: se está do lado de fora ou do lado de dentro.

DoppelgängerO Duplo

Doppelgänger é um monstro ou ser fantástico que tem o dom de se tornar idêntico a alguém que ele passa a acompanhar. Considerado como presságio de má sorte, há quem diga que ele assume o negativo da pessoa, de modo a conduzi-la a fazer coisas cruéis que ela não faria naturalmente. Aqueles que tentam comunicar-se com seu próprio Doppelgänger são tidos como imprudentes e malfadados”.

No filme O Abraço da Serpente, o terror engole o tempo (o passado, o presente e o futuro de diferentes etnias indígenas), o corpo e a alma de seres da floresta, ora como um coletivo ora como um único indivíduo, em defesa da normalidade, da ciência, da religião, entre outros valores humanos.

Chulachaqui – Corpo sem Alma

Todos têm um Chulachaqui, que tem a mesma aparência que a pessoa, mas é vazio, uma cópia que vagueia como um fantasma“. (fala do personagem Karamakate jovem, que temia perder suas raízes e se tornar um índio sem alma, sem sonhos, subjugado pelas loucuras do homem branco).

Loucura x Medo da Despersonalização

“Excetuando alguns filósofos e poetas, que viam algo de romântico e revolucionário na loucura, todos nós temos muito receio de enlouquecer, até porque isso significa romper a fronteira do conhecido e quebrar a estrutura mais íntima de nosso ser. No caso dos portadores de transtorno do pânico, esse medo é intenso e muito frequente. Ele está profundamente relacionado com os sintomas de despersonalização (deixar de se sentir a própria pessoa) e irrealidade (estranheza em relação aos fatos e pessoas que fazem parte de sua vida).

Loucura é outra coisa… Nela existe a presença de alucinações e delírios, que são alterações graves da percepção (ver coisas, ouvir vozes) e do julgamento (achar que está sendo perseguido). E isso não tem nada a ver com o transtorno do pânico em si.

(Mentes Ansiosas – Medo e Ansiedade Além dos Limites, Ana Beatriz Barbosa, Editora Objetiva, 2011)

Esses filmes são um assombro!

Escolhi a palavra Assombro para o título do post por ser sinônimo de medo, mas também pelos significados engraçados e positivos, que talvez tenham sido os primeiros de que eu me lembro ter ouvido.

Sassaricando

Marchinhas de Carnaval

Sassassaricando

Todo mundo leva a vida no arame
Sassassaricando
A viúva, o brotinho e a madame
O velho na porta da Colombo
É um assombro
Sassaricando

Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó

(Composição: Luiz Antonio / Oldemar Magalhães / Zé Mario)

Boa Semana!!!

*As imagens foram tiradas a partir de obras de arte reproduzidas no livro História da Arte, de Graça Proença, Editora Ática, 2012 (A estrela da manhã, de Joan Miró; Ta Matete e Arearea, ambas de Paul Gauguin; A persistência da memória, de Salvador Dalí, e Cinco mulheres na rua, de Ernst Kirchner).

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Paraquedas em si mesmo

paraquedas

Cair em si é uma expressão idiomática que significa tomar consciência.

Existem membros respeitados da sociedade que não têm consciência da sua ignorância; parentes que se julgam bons ao criticar em vez de amar; pessoas que vivem para impressionar e não se impressionam com os outros…

Há dois dias encontrei na caixa do correio o livro que encomendei: “Paraquedas – um ensaio filosófico” do escritor P.R.Cunha, com delicada dedicatória e uma história surpreendente.

Comprei o livro porque adoro os posts do autor, mas não sabia o que esperar até começar a leitura.

Em alguns momentos pensei no personagem esquizofrênico da série Maniac, desagregado de uma família artificial e cruel.

O personagem de “Paraquedas – um ensaio filosófico” não é esquizofrênico, mas a família o trata como se fosse o louco inconveniente.

Ele foge dessa dolorosa realidade para a realidade de outros livros, de outros personagens, de outros escritores, de outras formas de arte, enquanto constrói a própria história, com coragem para seguir seus instintos e amor pela fazenda literária.

Em outros momentos, eu parei a leitura para compartilhar com meu marido, que se viu em certas agruras do personagem, assim como compartilho a indicação do livro do P.R. Cunha a quem ainda não conhece esse talentoso e premiado escritor.

Boa Semana e Boas Leituras!

Best Sellers sobre Adolescência

Best Sellers sobre Adolescência

Enquanto o Ludo, aos 16 anos, parece mais sereno e satisfeito com a vida, o Vico, que fará 14 em breve, começou a apresentar “reações de adolescente” em casa.

  • O que acontece com cada um, em cada fase da vida, pode ser medido e rotulado?
  • De quem é a culpa pelas reações dos adolescentes?
  • Se o sentimento sobre a infância nem sempre existiu, quando começaram a pensar e “criar” a adolescência?

Achei que as respostas estivessem nos best sellers que ensinam a “lidar” com adolescentes, mas, posso ter me enganado, como demonstra a pesquisa da professora Ana Mercês Bahia Bock, sobre esses mesmos best sellers, que compartilho aqui, respondendo a 3 perguntas:

1 – DE ONDE VEIO A ADOLESCÊNCIA?

Com as revoluções industriais, o trabalho se sofisticou, do ponto de vista tecnológico e passou a exigir um tempo prolongado de formação, adquirida na escola, reunindo em um mesmo espaço os jovens e afastando-os do trabalho por algum tempo. Além disso, o desemprego crônico/estrutural da sociedade capitalista trouxe a exigência de retardar o ingresso dos jovens no mercado e aumentar os requisitos para este ingresso, o que era respondido pelo aumento do tempo na escola.

A sociedade então assiste à criação de um novo grupo social com padrão coletivo de comportamento – a juventude/a adolescência.

O jovem, apesar de possuir todas as condições cognitivas, afetivas e fisiológicas para participar do mundo adulto, estava desautorizado a isso, devendo permanecer em um compasso de espera para esse ingresso; vai ficando distante do mundo do trabalho e distante também das possibilidades de obter autonomia e condições de sustento. Vai aumentando o vínculo de dependência do adulto, apesar de já possuir todas as condições para estar na sociedade de outro modo.

Não há nada de patológico; não há nada de natural. A adolescência é social e histórica. Pode existir hoje e não existir mais amanhã, em uma nova formação social; pode existir aqui e não existir ali; pode existir mais evidenciada em um determinado grupo social, em uma mesma sociedade (aquele que fica mais afastado do trabalho) e não tão clara em outros grupos (os que se engajam no trabalho desde cedo e adquirem autonomia financeira mais cedo)…

2 – O QUE OS BEST SELLERS SOBRE ADOLESCENTES ENSINAM?

Autor: Waldman, L.

Livro: E Agora? Tenho um filho adolescente.(1997)

… o adulto é valorizado como capaz da aceitação e da paciência e o jovem é tomado como alguém sem controle ou maturidade. A adolescência passa e tudo fica resolvido. Não há o que se fazer enquanto a adolescência é vivida; resta ser tolerante.

Autor: Tiba, I.

Livros:

  • Puberdade e Adolescência: desenvolvimento biopsicossocial.(1985)
  • Disciplina: limite na medida certa.(1996)

… O que é um filho saudável? Não se sabe pelo texto. Sabe-se que a saúde reduz a intensidade do conflito (necessário e inevitável). A orientação oferecida para os adultos é de tolerância e compreensão, supondo que a adolescência é natural e não tem jeito a não ser tolerar.

Autora: Zagury , T.

Livros:

  • O adolescente por ele mesmo: orientação para pais e educadores.(1996)
  • Limites sem trauma. (2001)

Zagury apresenta a adolescência com características negativas… São negativas no sentido de incompletude e imaturidade e por não serem características desejadas… Há uma grande preocupação em orientar os pais para se manterem hierarquicamente superiores em relação a seus filhos adolescentes…

3 – O QUE A PESQUISA SOBRE ESSES BEST SELLERS CONCLUIU?

  • A Adolescência é considerada uma Fase Terrível

A adolescência foi apresentada, nos 4 livros estudados, por meio de elementos, em geral, negativos. Negativos porque são características desvalorizadas na sociedade; porque aparecem como incompletude, imaturidade, algo que ainda não acabou de acontecer e de se desenvolver…

  • Best Sellers não conhecem a Origem da Adolescência

Poucas referências são feitas à gênese da adolescência, não se buscando uma visão clara da gênese dos fenômenos. Como surgem estas características? Na verdade, não se tem nenhuma leitura sobre isto porque se crê que a adolescência é natural; é uma fase do desenvolvimento, não sendo necessário se falar da gênese…

  • As Recomendações dos Best Sellers são Alienantes

Os pais recebem milhares de orientações que devem seguir para aliviar as tensões na família. Cabe a eles salvar as relações. Ficam sobrecarregados de responsabilidade, quando poderiam ver seus filhos adolescentes como parceiros… Nossa cultura valoriza o adulto produtivo. Desvaloriza todas as outras fases da vida: a infância, a velhice e a adolescência, tomadas como fases improdutivas…

Enfim, a visão naturalizante da adolescência é mais do que uma visão que acoberta as determinações sociais; é uma visão que impede a construção de uma política social adequada para que os jovens possam se inserir na sociedade como parceiros sociais fortes, criativos, cheios de projetos de futuro.

São decorrentes desta visão, as produções … que apresentam as características da adolescência de forma naturalizada, como crise de um desenvolvimento que tem a infância de um lado e o mundo adulto do outro; orientam pais e professores no sentido da tolerância, pois a crise é passageira; que universalizam e igualam todos os jovens, estejam eles onde estiverem, inseridos em qualquer cultura e sociedade.

Boa Semana!

 

Almanaque do Meu Pai

Dia 18 de Maio

Aniversário do meu amado pai, avô do Ludo e do Vico

Dia Internacional dos Museus

Nascimento de Frank Capra (diretor do clássico filme A Felicidade não se compraentre outros filmes famosos, de 1926 a 1961)

Primeira publicação de Asterix e os Godos, considerado um dos melhores trabalhos da dupla Goscinny e Uderzo

Dia da Luta Antimanicomial

Início do Primeiro Reinado do Imperador Napoleão Bonaparte (1804-1814)

Para o meu Pai

PARA ensinar o Tutti Frutti balançava como criança

O  MEU par que salvava as festas nas pistas de dança

GENEROSO professor de poesias, de outras culturas e de outros mundos

DEDICADO a compartilhar os melhores queijos e pensamentos profundos

SENSÍVEL ao olhar de um neto, à minha voz no telefone, ao inesperado abraço

CURIOSO, não se cansa de aprender, pois, desde sempre, “saber não ocupa espaço”

E, apesar de grande na forma e no conteúdo, esse papai, que -praticamente- sabe tudo,

AMADO, aprendeu a amar o compasso diferente e a melodia desconhecida

PAI, que brinca de escrever seu mundo dentro da nossa vida

“Womp-bomp-a-loom-op-a-womp-bam-boom”

Curiosidades de Pessoas e Livros

Bibliognosta: Grande conhecedor(a) de livros

Bibliocasta: Destruidor(a) de livros

Bibliomania: Desordem obsessivo-compulsiva por colecionar livros, podendo levar ao isolamento social

Bibliofilia: Amor pelos livros

Bibliofagia: Ação de roer papéis, documentos, encadernações de livros, etc.

Bibliofobia: Aversão à leitura

Bibliótafo: Aquele que esconde seus livros raros

Alguns Museus para conhecer em Petrópolis

Museu Imperial

Palácio Quitandinha

Museu de Cera de Petrópolis

Casa Museu de Santos Dumont

Museu de Porcelana de Petrópolis

Casa dos 7 Erros

Museu da FEB (Força Expedicionária Brasileira)

Palácio Rio Negro

Museu do Artesanato do Estado do Rio de Janeiro

Museu das Armas Históricas Ferreira da Cunha

Muitas Felicidades, Pai!!!

Beijos!!!

*As imagens foram tiradas do livro “The Second Kids’ World Almanac of Records and Facts” e da Internet (cartaz do filme “A Felicidade não se Compra” e Google – Mapas de Museus de Petrópolis).

Bom Fim de Semana a Todos:)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mãe e Bailarina

Nem toda mulher quer ser mãe

Tanto tem mãe com açúcar quanto com sacarina

Tem gente boa que não teve mãe

Nem toda boa mãe quis ser bailarina

(Mãe e Bailarina, Mãe do Ludo e Vico, 2019)

“Minha mãe é gozada.

Não tem essas manias de arrumação que muita mãe dos outros tem,

ela até que vai deixando as coisas meio espalhadas na casa, um bocado fora do lugar,

e na hora em que precisa de alguma coisa quase deixa todo mundo maluco,

revirando pra lá e pra cá.”

(Bisa Bia Bisa Bel, Ana Maria Machado, 1981)”

Ana Maria Machado é a 6ª ocupante da cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras, autora de mais de cem livros para crianças e outros para adultos.  

Uma vez, ela disse que seu livro de maior sucesso de público -Bisa Bia Bisa Bel- surgiu da saudade de suas avós e da vontade de falar delas para seus dois filhos (ainda nasceria a filha e futura ilustradora).

“Eu sou pipsis (príncipe)

Você é pipesa (princesa)”

(Vico, aos 2 anos de idade, explicando, com muito carinho, uma brincadeira para a Mãe)

“Dona mamãe ralha e beija,

Erra, acerta, arruma a mesa,

Cozinha, escreve, trabalha fora,

Ri, esquece, lembra e chora

Traz remédio e sobremesa

Tem até pai que é tipo mãe

Esse então é uma beleza!”

(Se as coisas fossem mães, Sylvia Orthof, 1984)

“…Mamãe foi filha única de pais separados, não sabia lidar com família. A gente teve que aprender junto com ela. Depois, quando ela tinha 40 anos, papai morreu. Nós tínhamos 14, 12 e sete anos. Aí, faltava pai, marido, trabalho, grana. Depois, muitas outras faltas. Mas o que ficou mesmo de mais importante foi nunca desistir de acreditar no amor, na vida e na liberdade… Ela conseguiu dar a nós o que ela nunca teve: irmãos amorosos e amigos… É pieguice, mas é verdade.”

(Claudia Orthof, filha da escritora Sylvia Orthof em entrevista sobre a mãe)

Te amo

(Ludo -outro dia e muitas vezes- sem ser Natal nem Ano Bom, para a Mãe)

“Não é mesmo distraída a alegre vovó Guida?

Para dar de beber ao gato,

Pôs o leite no sapato,

E no pé – coisa maluca!

Ela pôs sua peruca.”

(A alegre vovó Guida que é um bocado distraída, Tatiana Belinky, 1988)

“Eu tive uma infância boa. Meus pais eram filhos de gente abastada. Meu pai, quando menino, tinha um cavalinho dele, um pônei, só para ele, porque o pai dele era dono de cavalos e carruagens… Ele foi o décimo quinto filho, num tempo em que as famílias tinham 15 filhos. Minha mãe também teve 14 irmãos. Só que a mãe dela, minha avó, foi mais prática, teve vários gêmeos. Já com a mãe do meu pai foi de um em um, coitada…”

 (Tatiana Belinky, aos 87 anos, para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial)

“Quando eu crescer, quero ser mãe e bailarina

(Mãe do Ludo e Vico -aos 6 anos- revelando dois sonhos para sua inspiradora Mamãe)

 

Validade dos Ditados

Desde 23 de abril um bocado de ideias para um post chegaram e foram embora.

Espremi livros, filmes, músicas e reflexões desses 10 dias e acho que deu um caldo.

Aliás, a expressão dar um caldo pode ter muitos significados. O que eu queria dizer é que esse post quase passou da validade, mas ainda guarda um sabor agradável, espero.

Uma parte do post é dos Ditados vencidos.

A outra parte é dos Ditados sem prazo de validade.

Adivinhe quais Ditados já estão com cheirinho estranho…

MENTE VAZIA É A OFICINA DO DIABO

Dia 23 de abril, assistimos ao filme O homem que copiava que é de 2003.

André, personagem de Lázaro Ramos, é um operador de fotocopiadora, que gosta de desenhar, mora com a mãe e está apaixonado. Essa mente ocupada com o ofício, com o ócio criativo e com o amor tem ideias mirabolantes, ingênuas, perigosas, ilícitas…

No dia seguinte, andando aqui na Avenida do Imperador, atrás de uma batedeira, eu e meu marido entramos numa loja de utensílios domésticos e ouvimos a seguinte conversa entre dois vendedores, que nem deram bola pra nossa presença:

Um dia vou sair do Brasil.

– Pra onde tu vai?

– Pra Espanha, Miami ou Havana.

– Havana? O que é que tem lá?

– Tem praias…

O resto da conversa não escutamos, mas ficamos imaginando o que o sujeito esperava encontrar em um dos destinos escolhidos: Muitos encontros amorosos, ofertas de empregos bem mais interessantes do que aqui em Petrópolis ou até ficar rico e nem precisar trabalhar.

Quantas outras pessoas, trabalhando no Mercado, na Feira, no Escritório de Advocacia, no Hospital, na Assembleia Legislativa, estudando na Faculdade de Engenharia ou de Economia, também imaginam atalhos para seus sonhos?

QUEM SAI AOS SEUS NÃO DEGENERA

Dia 27, passou no canal TV Escola o documentário QI: a história de uma farsa.

Segundo o documentário, o teste desenvolvido no começo do século XX, pelo psicólogo francês Alfred Binet, para medir atrasos no desenvolvimento de crianças em idade escolar, foi explorado por eugenistas que manipulavam dados para garantir a pureza étnica da sociedade.

Há pouco tempo o Congresso dos Estados Unidos cortava gastos com pessoas mais necessitadas com base na teoria de que a pobreza seria inata. O filme revela, inclusive, como as políticas sociais foram influenciadas pela ideia de que a inteligência é definida no nascimento.

PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO

“A arte e a literatura têm conduzido seres humanos por jornadas empáticas desde que os cidadãos da antiga Atenas choravam pelos personagens que viam no palco durante o festival de Dionísio.

O teatro, o cinema, a pintura e a fotografia desempenharam todos um papel na geração do que os gregos chamavam de ekstasis, ou êxtase, em que saímos temporariamente de nós mesmos e somos transportados para outras vidas e culturas.”

(Roman Krznaric, O poder da Empatia – A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo, Editora Zahar, p.190)

PEDRAS QUE ROLAM NÃO CRIAM LIMO

Dia 30 de abril assistimos A história de Buddy Holly, filme de 1978.

Buddy Holly foi um pioneiro do Rock, que influenciou os Beatles, os Rolling Stones, Bob Dylan, Eric Clapton e Elvis Costello e que morreu no dia que a música morreu.

Ao receber o Prêmio Nobel de Literatura 2016, Bob Dylan se manifestou sobre a questão das letras de música serem consideradas literatura, detalhando suas influências por meio de livros e músicas.

Na música, ele citou como seu herói, Buddy Holly, que no final dos anos 1950, aos vinte e bem poucos anos, misturou country, rock, rhythm and blues.

Buddy escrevia, cantava e tocava as próprias músicas, o que era incomum na época, assim como era incomum um cantor jovem estar despreocupado em fazer o tipo sensual, arrepiando na guitarra de óculos!

CAMARÃO QUE DORME A ONDA LEVA

Para homenagear a cantora Beth Carvalho, falecida no dia 30 de abril escolhi esse ditado, que, além de engraçado é um samba.

Uma mulher de vanguarda, dona de grande voz e empatia, num mundo masculino, com sabedoria e generosidade resgatou sambistas esquecidos, como Cartola, e revelou novos talentos, dentre os quais Zeca Pagodinho.

Segundo a própria Beth, em entrevista gravada em 16 de fevereiro de 2018 :

O samba é revolucionário, é vanguarda porque é a crônica do dia-a-dia. Se não quiser ler jornal, acompanhe o samba que ele vai dizer o que está acontecendo agora.”

CAUTELA E CANJA DE GALINHA NÃO FAZEM MAL A NINGUÉM

Até gripe forte apareceu nesse espaço de 10 dias. Foi o Vico quem pegou.

A Sonia Hirsch – autora de Atchiiim! – tem um blog de onde copiei a receita de canja a seguir:

“… comida de gripe é aquela velha canja tradicional brasileira que veio da China e da Índia junto com os marinheiros, nas caravelas. O arroz, branco ou integral, deve ser cozido em bastante água por 3 horas, no mínimo. Quanto mais cozinhar, melhor fica. Se galinha caipira houver, cozinhar junto até ela desmanchar; caldo de galinha ajuda a dissolver muco. Temperar com alho, cebola, aipo, alho-poró, pimenta, azeite extravirgem, pouco sal ou shoyu, salsinha, hortelã. Tomar essa canja à vontade até melhorar.”

No livro Atchiiim! da editora Correcotia encontrei ótimas recomendações, além dos desenhos maluquinhos e lindos da Eva Furnari.

Até breve!

 

Lobo do Homem

 

Prólogo da Ilha dos Cachorros

Dez séculos atrás, antes da Era da Obediência, cães livres governavam suas liberdades marcando seus territórios.

Buscando a ampliação de seus domínios, a Dinastia Kobayashi, amante de gatos, declarou guerra e atacou com fúria os incautos animais de quatro patas.

Na véspera da aniquilação total dos cachorros, um menino guerreiro que simpatizava com a condição dos cães sitiados, traiu sua espécie. Decapitou a cabeça do líder do clã Kobayashi e empunhou sua espada berrando o seguinte grito de guerra haiku: Eu viro as costas – para os humanos! 

Ele seria, futuramente, conhecido como o lendário menino Samurai. Descanse em paz.

No final das sangrentas guerras de cães, os vira-latas vencidos tornaram-se animais de estimação sem poder:

Domesticados

 Dominados

 Desprezados

Mas eles sobreviveram e se multiplicaram.

Os Kobayashis, no entanto, nunca perdoaram seu inimigo conquistado.

Sina Canina

Por que chamar mulher de cachorra ou chamar homem de cachorro é considerado ofensivo se os cães são os melhores amigos dos humanos?

Dia de cão é uma expressão que designa um dia a ser esquecido.

Mundo cão e Vida de cão trazem a mente imagens de sofrimento e injustiça.

Fazer uma Cachorrada é agir de forma desonesta.

Quando teria sido o momento em que os cachorros viraram sinônimo de tanta coisa ruim na vida dos seus mestres humanos?

Excepcionalismo Humano x Abolicionismo Animal 

Wesley Smith (WS)Pesquisador do Discovery Institute e autor de “A Rat is a Pig is a Dog is a Boy: The Human Cost of the Animal Rights Movement” defende o excepcionalismo humano e afirma que o movimento pelos direitos animais é antiético por atribuir o mesmo valor moral aos humanos e animais baseado na senciência, mas acha que devemos melhorar o tratamento humanitário dos animais e métodos de criação.

Gary Francione (GF)Desenvolvedor da teoria abolicionista de direitos animais e autor de “Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog?” defende o direito do animal de não ser propriedade e argumenta que todo uso de animais é moralmente injustificável e que devemos abolir, e não regulamentar, a exploração animal.

WS:Ativismo de direitos animais… não é apenas sobre o sofrimento; é sobre não ter o direito de possuir um animal, e os animais não tendo o direito de serem possuídos. Gary acredita que nós nem sequer deveríamos ter cães, não importa o quão bem nós os tratamos, porque, como ele chama-os, são refugiados em um mundo no qual eles não pertencem. Portanto, não é apenas sobre o sofrimento; é uma visão de direitos na qual a ideia de possuir animais é vista como equivalente à escravidão.

GF: Eu sou contra qualquer uso de animais em absoluto. O cão-guia está no topo da minha lista, Michael? Não, absolutamente não. Deixe-me apenas esclarecer uma coisa. Minha posição é muito simples: todos nós concordamos que é errado causar sofrimento e morte desnecessários aos animais, e que os motivos de diversão, prazer ou conveniência não constituem necessidade. Mas 99.999999% de nossos usos de animais só podem ser justificados por motivos de diversão, prazer ou conveniência.

*Todas as imagens desse post foram tiradas de cenas do filme A ilha dos Cachorros, de Wes Anderson, que assistimos no Feriado de Páscoa, por indicação do Ludo

Boa Semana!