Atalho

 

Olá amigos e amigas do Blog Ludo e Vico e novos Visitantes!

Faz tempo que não escrevo aqui.

Hoje retornei com um atalho para dois outros blogs:

PaiolPress

PaiolLab

Os dois blogs são os diários e também os laboratórios de inglês que estou realizando com as crianças e os adolescentes que participam do Projeto Paiol de Histórias da Fundação Cultural Casa Lygia Bojunga. São turmas muito empolgadas e cheias de talentos!

Aguardo as visitas de vocês lá no Tumblr.

Beijos e Ótima Semana a Todos!

Só se é Feliz

 

Enrolada nas cobertas comecei e terminei a leitura de Aula de Inglês, da escritora Lygia Bojunga, que peguei  emprestado com a minha tia Francisca.

Não esperava que eu fosse me emocionar, mas chorei lá pela página 195, pela beleza de um amor impossível, transformado em carinho, saudade e generosidade.

O livro trata de relações de amor próprio, de amor idealizado, de conflitos entre gerações…

  • Um menino que amava uma jovem viúva
  • Um senhor encantado por uma aluna
  • Uma leitora fascinada por um cínico escritor
  • Uma tia querida que amou uma vez e ainda amava viver

Pra resenhar a leitura pensei em três questões sobre o amor e respondi com trechos do livro:

Só é feliz quem ama?

 “- Vê se pode meu querido, a minha linda filha, a minha sedutora Teresa Cristina, metida lá no meio daquela miséria, daquela fome, daquela violência, daquele calor infernal, daquilo tudo que o Rio tem bastante, mas que pelo jeito ela ainda quer mais; e você não vai acreditar no que ela disse – sacudiu o professor – você não vai acreditar! Disse que nunca se sentiu tão bem com ela mesma feito agora, vê se pode!

– Se ela está feliz…”

Só é feliz quem ama alguém?

“- Não são só as pessoas que sabem retribuir o que a gente dá pra elas. Nem só os bichos. Nem mesmo só as plantas. As coisas também. A casa. Os móveis. Os objetos. A roupa. Os adornos. Tudo tem uma vida própria: cada coisa é o que é; e os anos foram me mostrando que quanto mais atenção a gente presta nelas mais elas respondem, retribuem, cada uma ao seu jeito, fazendo com que a gente se sinta cada vez mais acompanhada quando vem pra perto delas.”

Só é feliz quem ama alguém e é correspondido?

“Tentou se lembrar se algum dia e quando tinha sido feliz com alguém. Não… com alguém, não… Lembrava da irmã, do filho, da mulher, das namoradas, da tia Penny (…); e a imaginação do Professor se demorava fabricando cenas e mais cenas de como devia ser a felicidade com alguém. Mas ele tinha sido feliz, sim… com a câmera, com os livros, com a casa, com o mar, com a floresta…”

Só não descrevo um pouco mais da trama, nem retiro outros trechos do livro porque recomendo a cada leitor e leitora que viva sua própria experiência com essa bela obra da premiada escritora.

Bom Domingo e uma Ótima Semana a Todos!

Só penso

Não pense que a cabeça aguenta se você parar

Pensar não é só para os gênios, os cientistas, os filósofos… mas também para os corajosos, os curiosos, e as crianças que ainda não conhecem o medo de errar.

Os gênios erram e acertam e continuam, genialmente, errando e acertando.

Nós também erramos e acertamos, mas preferimos a segurança de seguir outras cabeças, nem sempre geniais, mas notoriamente valorizadas pela ordem social.

Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado, se quiser voar

“Normalidade” é um nome ideologicamente forjado para designar a maioria.

Que significa ser “normal” além de pertencer à maioria estatística?

… A passagem de maioria estatística” (uma declaração de fato) para “normalidade” (uma decisão avaliativa) atribui uma diferença de qualidade à diferença numérica.

… A questão da “normalidade versus anormalidade” é a forma como o tema da “maioria versus minoria” é absorvido, domesticado e depois confrontado na construção e preservação da ordem social.”

(Zygmunt Bauman, Sobre educação e juventude, Zahar, 2012, páginas 70 e 71)

Quando eu me declarava você ria e no auge da minha agonia eu citava Shakespeare

“Linus Pauling pensava que a vitamina C curava tudo. Isaac Newton passou metade de seu tempo ocupado com códigos estranhos da Bíblia…

Genialidade muitas vezes envolve pensar em uma ideia absurda contrária à sabedoria tradicional e ir atrás dela obsessivamente, apesar dos pessimistas…

Quem às vezes triunfa em algo também deve fracassar às vezes, só por ser o tipo de pessoa que chega a tentar.”

(Scott Alexander, Slater Star Coder, tradução de Mariana Nântua, A diferença entre o gênio e o tolo, Revista Época, 06 de maio de 2019, página 80)

O filho que ainda não veio; o início, o fim e o meio

“… Mesmer veio demasiado cedo ou demasiado tarde, e precisamente a época em que ele teve a infelicidade de nascer carece de uma entidade capaz de uma obscura e respeitosa intuição. É uma época que não permite um claro-escuro nas coisas da alma…

Nessa desesperada batalha por uma nova psicoterapia, Mesmer está totalmente só. Seus discípulos e colaboradores estão atrasados meio século ou um século…

Seu mundo o processou e o condenou. Agora está madura a época em que os juízes se sentam ao seu lado direito.”

(Stefan Zweig – A cura pelo espírito em perfis de Franz Mesmer, Mary Baker Eddy e Sigmund Freud, Zahar, 2017, páginas 26 e 27)

*Os títulos dos textos foram tirados das letras das músicas Tente Outra Vez; Carimbador Maluco; Tu és o MDC da Minha Vida e Gita, todas do Raul Seixas.

Boa Semana!!!

Assombro

Assombro

Susto, medo, sobressalto, terror, pavor, consternação, pasmo, estupor.

Portento, prodígio, maravilha, milagre.

(Dicionário de Sinônimos e Antônimos da Língua Portuguesa, de Francisco Fernandes, 38ª edição revista e ampliada por Celso Pedro Luft)

Assombrações

Um curta de terror brasileiro e um longa de aventura colombiano, que, aparentemente, não teriam porque ser citados no mesmo post, ficaram me assombrando durante dias.

Em O Duplo , da diretora Juliana Rojas, a assombração se espalha pelo espaço. O medo reside em saber onde está o monstro: se está do lado de fora ou do lado de dentro.

DoppelgängerO Duplo

Doppelgänger é um monstro ou ser fantástico que tem o dom de se tornar idêntico a alguém que ele passa a acompanhar. Considerado como presságio de má sorte, há quem diga que ele assume o negativo da pessoa, de modo a conduzi-la a fazer coisas cruéis que ela não faria naturalmente. Aqueles que tentam comunicar-se com seu próprio Doppelgänger são tidos como imprudentes e malfadados”.

No filme O Abraço da Serpente, o terror engole o tempo (o passado, o presente e o futuro de diferentes etnias indígenas), o corpo e a alma de seres da floresta, ora como um coletivo ora como um único indivíduo, em defesa da normalidade, da ciência, da religião, entre outros valores humanos.

Chulachaqui – Corpo sem Alma

Todos têm um Chulachaqui, que tem a mesma aparência que a pessoa, mas é vazio, uma cópia que vagueia como um fantasma“. (fala do personagem Karamakate jovem, que temia perder suas raízes e se tornar um índio sem alma, sem sonhos, subjugado pelas loucuras do homem branco).

Loucura x Medo da Despersonalização

“Excetuando alguns filósofos e poetas, que viam algo de romântico e revolucionário na loucura, todos nós temos muito receio de enlouquecer, até porque isso significa romper a fronteira do conhecido e quebrar a estrutura mais íntima de nosso ser. No caso dos portadores de transtorno do pânico, esse medo é intenso e muito frequente. Ele está profundamente relacionado com os sintomas de despersonalização (deixar de se sentir a própria pessoa) e irrealidade (estranheza em relação aos fatos e pessoas que fazem parte de sua vida).

Loucura é outra coisa… Nela existe a presença de alucinações e delírios, que são alterações graves da percepção (ver coisas, ouvir vozes) e do julgamento (achar que está sendo perseguido). E isso não tem nada a ver com o transtorno do pânico em si.

(Mentes Ansiosas – Medo e Ansiedade Além dos Limites, Ana Beatriz Barbosa, Editora Objetiva, 2011)

Esses filmes são um assombro!

Escolhi a palavra Assombro para o título do post por ser sinônimo de medo, mas também pelos significados engraçados e positivos, que talvez tenham sido os primeiros de que eu me lembro ter ouvido.

Sassaricando

Marchinhas de Carnaval

Sassassaricando

Todo mundo leva a vida no arame
Sassassaricando
A viúva, o brotinho e a madame
O velho na porta da Colombo
É um assombro
Sassaricando

Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó

(Composição: Luiz Antonio / Oldemar Magalhães / Zé Mario)

Boa Semana!!!

*As imagens foram tiradas a partir de obras de arte reproduzidas no livro História da Arte, de Graça Proença, Editora Ática, 2012 (A estrela da manhã, de Joan Miró; Ta Matete e Arearea, ambas de Paul Gauguin; A persistência da memória, de Salvador Dalí, e Cinco mulheres na rua, de Ernst Kirchner).

Paraquedas em si mesmo

paraquedas

Cair em si é uma expressão idiomática que significa tomar consciência.

Existem membros respeitados da sociedade que não têm consciência da sua ignorância; parentes que se julgam bons ao criticar em vez de amar; pessoas que vivem para impressionar e não se impressionam com os outros…

Há dois dias encontrei na caixa do correio o livro que encomendei: “Paraquedas – um ensaio filosófico” do escritor P.R.Cunha, com delicada dedicatória e uma história surpreendente.

Comprei o livro porque adoro os posts do autor, mas não sabia o que esperar até começar a leitura.

Em alguns momentos pensei no personagem esquizofrênico da série Maniac, desagregado de uma família artificial e cruel.

O personagem de “Paraquedas – um ensaio filosófico” não é esquizofrênico, mas a família o trata como se fosse o louco inconveniente.

Ele foge dessa dolorosa realidade para a realidade de outros livros, de outros personagens, de outros escritores, de outras formas de arte, enquanto constrói a própria história, com coragem para seguir seus instintos e amor pela fazenda literária.

Em outros momentos, eu parei a leitura para compartilhar com meu marido, que se viu em certas agruras do personagem, assim como compartilho a indicação do livro do P.R. Cunha a quem ainda não conhece esse talentoso e premiado escritor.

Boa Semana e Boas Leituras!

Best Sellers sobre Adolescência

Best Sellers sobre Adolescência

Enquanto o Ludo, aos 16 anos, parece mais sereno e satisfeito com a vida, o Vico, que fará 14 em breve, começou a apresentar “reações de adolescente” em casa.

  • O que acontece com cada um, em cada fase da vida, pode ser medido e rotulado?
  • De quem é a culpa pelas reações dos adolescentes?
  • Se o sentimento sobre a infância nem sempre existiu, quando começaram a pensar e “criar” a adolescência?

Achei que as respostas estivessem nos best sellers que ensinam a “lidar” com adolescentes, mas, posso ter me enganado, como demonstra a pesquisa da professora Ana Mercês Bahia Bock, sobre esses mesmos best sellers, que compartilho aqui, respondendo a 3 perguntas:

1 – DE ONDE VEIO A ADOLESCÊNCIA?

Com as revoluções industriais, o trabalho se sofisticou, do ponto de vista tecnológico e passou a exigir um tempo prolongado de formação, adquirida na escola, reunindo em um mesmo espaço os jovens e afastando-os do trabalho por algum tempo. Além disso, o desemprego crônico/estrutural da sociedade capitalista trouxe a exigência de retardar o ingresso dos jovens no mercado e aumentar os requisitos para este ingresso, o que era respondido pelo aumento do tempo na escola.

A sociedade então assiste à criação de um novo grupo social com padrão coletivo de comportamento – a juventude/a adolescência.

O jovem, apesar de possuir todas as condições cognitivas, afetivas e fisiológicas para participar do mundo adulto, estava desautorizado a isso, devendo permanecer em um compasso de espera para esse ingresso; vai ficando distante do mundo do trabalho e distante também das possibilidades de obter autonomia e condições de sustento. Vai aumentando o vínculo de dependência do adulto, apesar de já possuir todas as condições para estar na sociedade de outro modo.

Não há nada de patológico; não há nada de natural. A adolescência é social e histórica. Pode existir hoje e não existir mais amanhã, em uma nova formação social; pode existir aqui e não existir ali; pode existir mais evidenciada em um determinado grupo social, em uma mesma sociedade (aquele que fica mais afastado do trabalho) e não tão clara em outros grupos (os que se engajam no trabalho desde cedo e adquirem autonomia financeira mais cedo)…

2 – O QUE OS BEST SELLERS SOBRE ADOLESCENTES ENSINAM?

Autor: Waldman, L.

Livro: E Agora? Tenho um filho adolescente.(1997)

… o adulto é valorizado como capaz da aceitação e da paciência e o jovem é tomado como alguém sem controle ou maturidade. A adolescência passa e tudo fica resolvido. Não há o que se fazer enquanto a adolescência é vivida; resta ser tolerante.

Autor: Tiba, I.

Livros:

  • Puberdade e Adolescência: desenvolvimento biopsicossocial.(1985)
  • Disciplina: limite na medida certa.(1996)

… O que é um filho saudável? Não se sabe pelo texto. Sabe-se que a saúde reduz a intensidade do conflito (necessário e inevitável). A orientação oferecida para os adultos é de tolerância e compreensão, supondo que a adolescência é natural e não tem jeito a não ser tolerar.

Autora: Zagury , T.

Livros:

  • O adolescente por ele mesmo: orientação para pais e educadores.(1996)
  • Limites sem trauma. (2001)

Zagury apresenta a adolescência com características negativas… São negativas no sentido de incompletude e imaturidade e por não serem características desejadas… Há uma grande preocupação em orientar os pais para se manterem hierarquicamente superiores em relação a seus filhos adolescentes…

3 – O QUE A PESQUISA SOBRE ESSES BEST SELLERS CONCLUIU?

  • A Adolescência é considerada uma Fase Terrível

A adolescência foi apresentada, nos 4 livros estudados, por meio de elementos, em geral, negativos. Negativos porque são características desvalorizadas na sociedade; porque aparecem como incompletude, imaturidade, algo que ainda não acabou de acontecer e de se desenvolver…

  • Best Sellers não conhecem a Origem da Adolescência

Poucas referências são feitas à gênese da adolescência, não se buscando uma visão clara da gênese dos fenômenos. Como surgem estas características? Na verdade, não se tem nenhuma leitura sobre isto porque se crê que a adolescência é natural; é uma fase do desenvolvimento, não sendo necessário se falar da gênese…

  • As Recomendações dos Best Sellers são Alienantes

Os pais recebem milhares de orientações que devem seguir para aliviar as tensões na família. Cabe a eles salvar as relações. Ficam sobrecarregados de responsabilidade, quando poderiam ver seus filhos adolescentes como parceiros… Nossa cultura valoriza o adulto produtivo. Desvaloriza todas as outras fases da vida: a infância, a velhice e a adolescência, tomadas como fases improdutivas…

Enfim, a visão naturalizante da adolescência é mais do que uma visão que acoberta as determinações sociais; é uma visão que impede a construção de uma política social adequada para que os jovens possam se inserir na sociedade como parceiros sociais fortes, criativos, cheios de projetos de futuro.

São decorrentes desta visão, as produções … que apresentam as características da adolescência de forma naturalizada, como crise de um desenvolvimento que tem a infância de um lado e o mundo adulto do outro; orientam pais e professores no sentido da tolerância, pois a crise é passageira; que universalizam e igualam todos os jovens, estejam eles onde estiverem, inseridos em qualquer cultura e sociedade.

Boa Semana!