Diversão dentro e fora de casa

O blog Renata Papeleira iniciou uma série de posts na última sexta-feira sobre o que fazer em casa pra se divertir sem ter que gastar dinheiro que me inspirou a escrever sobre este fim de semana.

Ontem, excepcionalmente, saímos pra ir ao cinema (gastamos $ em vez de baixar o filme), mas foi por uma excelente razão: o Ludo que não costuma querer fazer programa em família porque já está adolescente e só quer sair com os amigos ou sozinho, nos convidou pra ir ao cinema com ele o Vico!!!

Fomos assistir ao filme Planeta dos Macacos: A Guerra.

Os meninos adoraram. Já tinham assistido outros filmes que também são Planeta dos Macacos, na televisão e no cinema, até mesmo aos mais antigos dos anos 1960 com o Charlton Heston, baixados na televisão.

Cinema+Pipoca+Passeio na Livraria+Sorvete= Programão em Família e Felicidade Suprema no meu Coração.

Coração de mãe

Agora minha dica que é custo zero, faz bem para os olhos e para a alma, antes da visita de domingo aos avós, uma visita ao site da escritora e ilustradora Eva Furnari.

Felpo Filva

O Vico estudou matemática pelo livro Problemas Boloridos e português pelo Felpo Filva. O Ludo leu O Segredo do Violinista, Adivinhe se Puder, Caça-Fumaça e várias outras obras escritas e ilustradas por esta criativa e premiada autora.

Eva Furnari é famosa pela Bruxinha que aparece em alguns de seus livros, mas sou especialmente apaixonada por seu coelho poeta Felpo Filva.

Recomendo a descoberta da Eva Furnari e do seu site para quem gosta de observar pessoas criativas (ela mostra parte do seu processo de criação no site) e vai aproveitar o dia de hoje ou outros dias pra ficar em casa.

Bom domingo!!!

Caça Fumaça

 

História Ilustrada do Doce

O Dolce Far Niente do Ludo e do Vico, que estão de férias até domingo, me inspirou a escrever sobre esse livro lindo, informativo e delicioso que ganhei da minha queridíssima tia Francisca: “Mil Folhas – história ilustrada do doce“, da jornalista e tradutora Lucrécia Zappi.

Por este livro, editado pela Cosac Naify, a autora ganhou o prêmio internacional de literatura infantil Bologna Ragazzi Award, na categoria New Horizons, em 2011.

O livro conta tantos fatos históricos e dados geográficos relacionados às guloseimas que eu tive que sortear algumas para sobrar espaço para um cafezinho no final do post!

capa história dos doces

Alfajor

Ela explica, por exemplo, que o alfajor, tem origem árabe (os nomes que começam por “al”, como alfaiate, algodão normalmente têm essa origem).

Era um doce comum nos conventos de Córdoba, na Espanha.

Antes de chegar na Argentina e se tornar típico dos hermanos, não tinha doce de leite na receita e levava gergelim e coentro picadinho.

Brigadeiro

Só na década de 1940 no Brasil os docinhos que se comem em uma só bocada e os bolos de festa com velinhas entraram na moda.

O brigadeiro foi uma homenagem ao militar Eduardo Gomes que se candidatou à presidência da república em 1945 com o seguinte slogan: “vote no Brigadeiro, que é bonito e é solteiro!”

Chiclete

O vidraceiro, inventor e fotógrafo amador Thomas Adams recebeu na sua loja em Nova York a proposta do general mexicano Santa Anna para desenvolver um produto a partir da resina extraída da árvore sapotizeiro.

Adams pensou que poderia fazer pneus com a resina, mas concluiu que o chictli era muito mole para revestir as rodas.

Ao observar uma criança comprando um pedaço de goma de mascar feita de cera de abelha, teve o clic! Adoçou a goma em tiras pequenas e transformou o chictli em chiclete!

historia dos doces

Sorvete

O corajoso aventureiro, Marco Polo, no final do século XIII, provou doces gelados com leites, frutas e mel na Mongólia e ensinou aos venezianos como o leite e o iogurte eram importantes para o povo oriental.

Na Sicilia, à essa época, já faziam uma espécie de raspadinha com gelo, vinho, frutas, pétalas de rosas e jasmim.

Segundo o livro, Catarina de Médici foi a pessoa que mais contribuiu para a fórmula do sorvete nos dias de hoje. Para cada banquete, seu cozinheiro, Rugieri, preparava um sorvete diferente. Além dessa peculiaridade gastronômica, ela ensinou os parisienses a usarem o garfo para comer e a colocarem gelo no copo para esfriar a bebida.

No Brasil, antes do sorvete se popularizar, as pessoas se refrescavam com uma bebida chamada Aluá, feita com farinha de milho ou abacaxi fermentados.

Madagascar era o nome do primeiro navio que trouxe sorvete para nossas terras, em 1834, vindo de Boston. Dos EUA também veio a primeira fábrica de sorvetes que se instalou por aqui, chamada U.S. Harkson, que se tornaria a Kibon anos mais tarde.

doces

Biscoito e Oblata

Doce na idade média ainda não era muito doce porque os recursos para as explosões de sabores eram escassos. Por isso, foi criado o biscoito, pouco adocicado e assado duas vezes para ser bem resistente. Biscoito é uma palavra que vem do latim bis (dois, neste caso, duas vezes) coctus (cozido). Esse doce podia ser consumido durante meses sem estragar. Devia quebrar os dentes. rsrs

A oblata é o biscoito da Roma Antiga que era vendido em troca de moeda ou comida por jovens que trabalhavam nas pastelarias e usavam as sobras para fazer esses biscoitos. Eles tentavam convencer os compradores cantando versos e gritando rimas engraçadas.

Mil Folhas

O grande cozinheiro e confeiteiro Marie-Antoine Carême viveu a miséria e o abandono na infância e a realização profissional, a inventividade e o reconhecimento da Paris aristocrática na vida jovem e adulta no século XIX.

Além da bomba de chocolate, uma célebre invenção sua que eu não poderia deixar de incluir nesta lista de doces incríveis é o bolo que tem 729 camadas de massa e 729 camadas de manteiga. Segundo a autora, Lucrecia Zappi, trata-se de uma “arte da dobradura da massa folhada que já era conhecida entre os gregos e os árabes”, que Carême arredondou a conta para o nome de Mil Folhas.

Uma doce semana para todos!

cafezinho

 

 

 

 

 

 

 

Eu amei um livro didático

flores zen

Um livro didático marcou meu ginásio (últimos anos do ensino fundamental) e minha disciplina preferida, língua portuguesa. Esse livro foi a “Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa” do José de Nicola e Ernani Terra, edição 1990, que, com o passar do tempo, sumiu.

O livro apresentava um projeto gráfico que incluía tirinhas de histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, do Recruta Zero, do Calvin e de outros personagens que faziam parte do repertório dos alunos daquela época, além da reprodução de obras de arte famosas, como o Abaporu de Tarsila do Amaral, fotografias (tinha uma de grafitagem, que eu adorava, onde se lia “I love you como nunca iloviei ninguém”), letras das músicas “Um Índio”, de Caetano Veloso, “O que será – a flor da pele”, de Chico Buarque, poesias de Vinícius de Morais,“Soneto de fidelidade”, Fernando Pessoa, “Poema em linha reta”, apenas para citar algumas páginas de que me lembro.

Claro que nem todos os exercícios gramaticais eram divertidos, mas o material mais interessante, que consistia nas poesias, letras de música e diferentes gêneros de texto, era também apresentado musicalmente o que tornava o livro ainda mais amado, em sala de aula.

flores asia

Não havia a internet, que hoje oferece às crianças e aos adolescentes acesso imediato a qualquer áudio, texto, imagem ou vídeo que seja do interesse deles e que apresenta informações que se desdobram infinitamente.

Quando avaliada sob o enfoque educativo, a tecnologia sem alguma espécie de mediação, pode levar a uma enchente de dados que se perdem pela ausência de direcionamento, crítica e sentido.

Havia, justamente, um sentido enquanto estávamos na sala de aula, que não se limitava a aprender a matéria para a prova, mas a compartilhar aquela experiência, trocar impressões e desenvolver uma sensibilidade em relação ao conhecimento. Esse livro didático era um guia maravilhoso.

Não enxergávamos apenas assuntos que precisavam ser memorizados, mas construíamos significados que nos aproximavam uns dos outros e dos encantos da língua portuguesa.

Você tem algum livro didático afetivo, queridinho, que marcou seus anos de escola?

Eu adoraria conhecê-lo!

 

O caminho do bem

pelucias de frente

Essa fofurice toda aí em cima tem uma justificativa: o post é sobre um filme que trata de preservar e proteger a infância e sobre o verdadeiro caminho do bem capaz de garantir que isso aconteça. Não é tão óbvio quanto parece…

Quem indicou o filme Medo da Verdade foi o Ludo, que adora suspense e drama e já havia assistido e gostado de outros dois filmes baseados em livros do mesmo autor – Dennis Lehane – (“Ilha do Medo” e “Sobre Meninos e Lobos”). Ele, inclusive, está lendo “A Ilha do Medo”, que gerou um filme assustadoramente bom!

“Medo da Verdade”, que nós vimos ontem, antes de dormir, é mais suave, mas também deixa suas marcas em quem assiste.

filme Medo da Verdade

O filme usa o desaparecimento de uma menina de quatro anos para envolver o espectador em uma trama na qual as nuances de bondade e maldade dos personagens são propositalmente confusas.

A família da menina desaparecida consiste na mãe, bem mais preocupada em namorar e conseguir cocaína do que no bem estar da filha, e nos tios, que moram na mesma casa, odeiam a mãe da menina e parecem realmente se importar com a pequena.

O personagem principal, Patrick, é um bad boy regenerado que usa seus contatos no bairro em que nasceu para investigar pequenos crimes, como detetive particular, em parceria com sua mulher, que, quase sempre, diverge ou se incomoda com as decisões tomadas nas investigações.

Patrick passa o filme todo vigiando os próprios passos para assegurar seu lugar no Céu. Essa certeza de estar fazendo a coisa certa e a fé religiosa decidem os rumos da história.

O problema é que a Justiça na Terra foi criada para promover alguma paz social, mas nem sempre funciona para os casos concretos.

Destaco a direção do Ben Affleck e as excelentes atuações de Ed Harris, como policial que participa da investigação, e da atriz Amy Ryan, que faz a mãe da menina desaparecida. Morgan Freeman dispensa comentários…

Terminei o filme divergindo do meu marido sobre o melhor rumo para a história, mas, passado um tempo, ele acabou concordando comigo.

Fica a dica para quem quiser assistir um filme que “dá o que falar”.

pelucias de costas

 

 

 

 

Dislexia, Minecraft & Línguas

poster minecraft prisma

O que é Dislexia?

A dislexia é classificada como um transtorno de aprendizagem. É literalmente um transtorno, um aborrecimento! Imagina você não ter dificuldades de entender os assuntos na escola, achá-los até fáceis, mas na hora de ler e de escrever se enrolar todo?!

O disléxico, entre outras coisas, ignora palavras no meio da frase, mistura a ordem das letras e das sílabas, além de viver trocando “p” e “b”, “c” e “g”, “t” e “d”, “v” e “f”.

Resultado: Ansiedade, insatisfação e até raiva dos livros e dos cadernos.

Isso acontecia com o Vico. Tenho a felicidade de dizer acontecia porque depois de passar por quatro fonoaudiólogas competentes, que não conseguiram ajudá-lo, conhecemos uma psicopedagoga muito iluminada, que atende na “Casa de Janelas Amarelas”, a Marcília Neves, que praticamente, resolveu a questão. Isso já faz alguns anos. O Vico não precisou repetir de ano e adora a escola.

Minecraft e Dislexia

Além da excelente e querida Marcília, que identificou uma razão emocional no meio das letras, acho que jogar Minecraft na internet também ajudou a desatar os nós na língua.

A vontade de conversar com os amigos teclando durante o jogo fez o Vico enfrentar o medo de se expor e ele saiu escrevendo, errando e aprendendo na marra – com as piadas de quem estava do outro lado da tela e pela observação da ortografia certa dos outros jogadores. Eles abreviavam algumas palavras, mas não a maioria. Eram apenas crianças brincando, exercitando as habilidades no jogo e a rapidez para se comunicar pela escrita.

Com a significativa melhora desse transtorno, os livros da Coleção Diário de Pilar tiveram caminho aberto e se tornaram seu primeiro amor pela leitura impressa.

quebra-cabeça neon

Línguas e Dislexia

A dislexia não desaparece em outras línguas. As letras que já são confusas em português têm sons diferentes nos outros idiomas!

Enquanto havia um problema com o português eu achava que não devia empurrar outra língua goela abaixo no Vico. Ele até se saía bem no inglês e no espanhol da escola, mas, depois que veio estudar no colégio onde está atualmente, percebemos que o inglês não tinha sido internalizado de verdade.

Tentamos algumas estratégias:

  • Cursos

Existem cursos de inglês ótimos no mercado, mas nenhum considera a dislexia nos métodos de ensino e de avaliação.

Normalmente, o aluno com dislexia fica cada vez mais envergonhado de errar na leitura e na escrita na frente dos colegas e pode até criar um bloqueio com a língua.

Os cursos para o Vico viraram sinônimo de lugar pra bagunçar, que foi a estratégia usada por ele para se sentir mais confortável no ambiente.

No caso dele, portanto, não funcionou até hoje.

  • Cursos de Inglês Online

O curso de inglês online tem as vantagens do custo mais baixo do que o curso presencial e do ritmo da aprendizagem ser ditado pelo aluno, que pode voltar nos temas que teve mais dificuldade.

A desvantagem é a desmotivação a médio prazo. Pelo menos foi a experiência que eu vivi com o Vico. Qual é a criança ou o adolescente que vai gostar de aprender sozinho (ainda que supervisionado pela mãe) algo que não é do seu maior interesse e por quanto tempo isso vai funcionar?

Essa tentativa durou cerca de um ano.

  • Site de “Homeschool”

Existem vários sites de “Homeschool”. Esse é o nome da prática de estudar em casa, em vez de ir para a escola, permitida nos EUA e em alguns outros países.

Conheci e gostei do site “time4learning”, principalmente para a alfabetização e os primeiros anos do ensino fundamental. O aluno reconhece os sons das letras em diversas palavras, brincando com joguinhos.

O problema é que só quem já entende razoavelmente o idioma acompanha a velocidade do áudio. Deve ser ótimo pras crianças americanas que tenham dislexia.

  • Aulas Particulares

Finalmente, acertamos! Um amigo do Vico deu a indicação de um professor canadense que está morando aqui no Rio (espero que constitua família e continue aqui por muitos anos) que cobra um preço equivalente ao de um curso de inglês não extorsivo e que tem motivado e melhorado bastante o inglês do Vico!

Acabamos encontrando um caminho que se adaptou ao nosso bolso, ao temperamento do Vico e às suas singularidades, mas quantas pessoas têm essa sorte?

A aprendizagem da língua materna e das línguas estrangeiras, quando se tem dislexia, é um assunto que ainda está embrionário aqui no Brasil.

Espero que este post ajude quem está perdido no quebra-cabeça da dislexia.

 

 

 

Justos, próximos e verdadeiros

Nesse último feriado, fui com o Vico e um amigo dele, que é um amor, fazer um lanche aqui perto de casa. Para minha triste surpresa o amigo solta a declaração de que quando crescer quer morar em qualquer país da Europa ou da América do Norte, pois odeia o Brasil. O único argumento que foi usado para justificar seu horror ao país foi a violência, mas felizmente ele não foi  assaltado até hoje. Cheguei a comentar que meu pai já foi assaltado duas vezes na Europa, mas o amigo se manteve firme na sua convicção.

paz, esperança e respeito

Coincidentemente, o Ludo havia me mostrado no final de semana um vídeo em que o professor e historiador Luiz Antonio Simas fala do branqueamento físico e cultural do Brasil no início da República. Os intelectuais brasileiros da época queriam esconder e até eliminar a cultura afro-brasileira presente nas cidades, como o Rio de Janeiro, para que o Brasil pudesse se passar por um pedaço da civilização europeia na América do Sul e o Rio pela Paris da “Belle Èpoque” nos trópicos. Nesse contexto, o samba, por exemplo, foi classificado como crime pela Lei de Vadiagem, que vigorou por 40 anos.

igualdade

Outra coincidência desse final de semana foi a matéria exibida no Fantástico que afirmou que existe um povo que é mais honesto do que todos os outros do planeta: os dinamarqueses. Como se existisse realmente superioridade de caráter entre os povos e não circunstâncias demográficas, econômicas etc.

eleitor, expressão, escola

Por que praticamos esse “bullying” contra nós mesmos, em vez de sermos justos, próximos e verdadeiros?

Justos, próximos e verdadeiros

Tirei do livro “Correspondência”, de Bartolomeu Campos Queirós,  com desenhos de Angela Lago, as imagens e poesias que ilustram esse post. Nesse livro, que eu guardo desde criança, amigos enviam cartas uns para os outros para que as palavras somadas se tornem a Carta Maior (Constituição).

 

 

 

O rádio e o livro de Jo Nesbo

Invenções telefone

Outro dia, fomos à livraria e o Ludo pediu pra levar “O Morcego”, de Jo Nesbo.

Para quem, como eu, nunca tinha ouvido falar em Jo Nesbo, fiquei sabendo, pelo Ludo que ele é um escritor norueguês de literatura policial, que vem fazendo muito sucesso e vai ter alguma de suas histórias adaptada para o cinema. Será estrelada pelo ator Michael Fassbender, que é o Magneto jovem (X Men) e já atuou em muitos outros filmes, como o ótimo Bastardos Inglórios.

O Ludo está gostando do livro e pretende ler todos da série protagonizada pelo detetive Harry Hole.

Harry Hole usa sua genialidade para desvendar crimes, mas tem uma personalidade difícil e problemas com a bebida. Não é a primeira vez que um personagem desses aparece e cai no gosto do público.

estudo em vermelho sherlock

Há alguns anos nos divertíamos muito aqui em casa assistindo a versão do Sherlock Holmes interpretado pelo ator Benedict Cumberbatch, mas a série , na época, não levou o Ludo a se interessar pelo livros de Conan Doyle.

Perguntei para o meu filho como foi que ele descobriu esse Jo Nesbo e ele me disse que foi em um podcast. Podcasts são os programas de rádio da internet.

Achei curioso porque, quando o rádio começou a se espalhar pelo Brasil, havia, inicialmente, o interesse em educar, transmitir informações e encurtar as distâncias entre as pessoas, assim como a internet.

A televisão, desde o seu surgimento por aqui, na década de 1950, sempre teve o interesse descarado em vender bens de consumo em larga escala. Tinha propaganda até no nome dos programas: Reporter Esso, Telenotícias Panair, Telejornal Pirelli…

Hoje, todos os esses meios de comunicação têm o mesmo objetivo, mas, às vezes, sem querer, convencem adolescentes a se afastar um pouco da sua programação para fazer outras atividades, como ler.

Invenções TV

As ilustrações das invenções são do livro The Second Kids World Almanac of Records and Facts, de Margo McLoone-Basta e Alice Siegel, que eu guardo desde que ganhei, em 1987!

Formação do leitor: uma questão de jardinagem

bouquet rosa e amarelo

Entender por que razão algumas pessoas têm prazer em ler e outras demonstram total desinteresse pelos livros é um assunto que me mobiliza.

Este fim de semana, passeando com a família numa livraria, tive a felicidade de encontrar o livro “Formação do leitor: uma questão de jardinagem”, da Coleção Mediações, que trata da prática da leitura em seus diversos âmbitos.

O livro me encantou pela mensagem simples, poética e desmistificadora sobre a formação de leitores.

A autora, Maria Clara Cavalcanti, é contadora de histórias do grupo Confabulando, pesquisadora da Cátedra Unesco de Leitura (vinculada à PUC- Rio de Janeiro) e autora de livros infantis e juvenis, além de ser avó.

Ela começa o livro contando que a pessoa que a fez gostar de ler não sabia ler.

Foi sua babá, Felícia, que era uma “leitora do mundo”, conhecedora de várias expressões, adivinhas, rimas e superstições quem a aproximou dos livros.

Essa leitura do mundo enriqueceu o vocabulário da autora antes da alfabetização e despertou na menina o prazer de ouvir, ler, escrever e, também, de contar histórias.

flores rosa e cor de abóbora

Selecionei alguns trechos do livro que, no meu entender, deveriam guiar as famílias e as escolas preocupadas em formar leitores:

“Impor uma mesma leitura a diferentes leitores, estabelecer prazos de leitura, transformando a leitura em obrigação para ser testada em provas, sem levar em conta o gosto, o fôlego e o ritmo de leitura de cada leitor é como semear diferentes sementes em um mesmo solo. É não se preocupar com o ritmo de crescimento e as necessidades de cada semente para conseguir florescer. Resultado? Algumas florescem enquanto outras, irremediavelmente, morrem.”

bouquet girassol

“Assim como cabe ao jardineiro descobrir a semente adequada para florescer neste ou naquele canteiro, cabe ao mediador descobrir a leitura mais saborosa, mais atraente para cada leitor sem pré-conceitos, sim, mas atento à qualidade do que é oferecido.

Por isso, eu repito, sendo de boa qualidade, sim, vale tudo: livros de imagens, histórias em quadrinhos, mangás, romances açucarados, poemas, cordéis, livros de faroeste e por aí vai…”

maria sem vergonha e outras

“Faz-se necessária a sabedoria de sugerir e não impor uma leitura, de oferecer um leque de opções, respeitar escolhas mesmo que essas não sejam de seu agrado, acompanhar, sem interferir, esse processo maravilhoso de descoberta da leitura.”

Aqui em casa, temos ritmos de leitura e interesses bem diferentes e, pelo visto, está tudo bem.

Aprendi que não adianta insistir para um pré-adolescente e outro adolescente que o livro tal é ótimo. O Ludo lê vários livros ao mesmo tempo sem a menor pressa de terminá-los e o Vico é um devorador de mangás.

Assim, frequentando livrarias e sebos, conversando com os amigos e, às vezes, escutando a opinião dos adultos, eles vão criando os próprios interesses pela leitura dos livros e do mundo.

Você consegue se lembrar como aconteceu seu interesse pelos livros?

Se quiser compartilhar suas lembranças, sinta-se em casa!!!

*As fotos das flores foram tiradas do livro “Pequenos arranjos do cotidiano”, de Helena Lunardelli, Editora SENAC.