Só se é Feliz

 

Enrolada nas cobertas comecei e terminei a leitura de Aula de Inglês, da escritora Lygia Bojunga, que peguei  emprestado com a minha tia Francisca.

Não esperava que eu fosse me emocionar, mas chorei lá pela página 195, pela beleza de um amor impossível, transformado em carinho, saudade e generosidade.

O livro trata de relações de amor próprio, de amor idealizado, de conflitos entre gerações…

  • Um menino que amava uma jovem viúva
  • Um senhor encantado por uma aluna
  • Uma leitora fascinada por um cínico escritor
  • Uma tia querida que amou uma vez e ainda amava viver

Pra resenhar a leitura pensei em três questões sobre o amor e respondi com trechos do livro:

Só é feliz quem ama?

 “- Vê se pode meu querido, a minha linda filha, a minha sedutora Teresa Cristina, metida lá no meio daquela miséria, daquela fome, daquela violência, daquele calor infernal, daquilo tudo que o Rio tem bastante, mas que pelo jeito ela ainda quer mais; e você não vai acreditar no que ela disse – sacudiu o professor – você não vai acreditar! Disse que nunca se sentiu tão bem com ela mesma feito agora, vê se pode!

– Se ela está feliz…”

Só é feliz quem ama alguém?

“- Não são só as pessoas que sabem retribuir o que a gente dá pra elas. Nem só os bichos. Nem mesmo só as plantas. As coisas também. A casa. Os móveis. Os objetos. A roupa. Os adornos. Tudo tem uma vida própria: cada coisa é o que é; e os anos foram me mostrando que quanto mais atenção a gente presta nelas mais elas respondem, retribuem, cada uma ao seu jeito, fazendo com que a gente se sinta cada vez mais acompanhada quando vem pra perto delas.”

Só é feliz quem ama alguém e é correspondido?

“Tentou se lembrar se algum dia e quando tinha sido feliz com alguém. Não… com alguém, não… Lembrava da irmã, do filho, da mulher, das namoradas, da tia Penny (…); e a imaginação do Professor se demorava fabricando cenas e mais cenas de como devia ser a felicidade com alguém. Mas ele tinha sido feliz, sim… com a câmera, com os livros, com a casa, com o mar, com a floresta…”

Só não descrevo um pouco mais da trama, nem retiro outros trechos do livro porque recomendo a cada leitor e leitora que viva sua própria experiência com essa bela obra da premiada escritora.

Bom Domingo e uma Ótima Semana a Todos!

Paraquedas em si mesmo

paraquedas

Cair em si é uma expressão idiomática que significa tomar consciência.

Existem membros respeitados da sociedade que não têm consciência da sua ignorância; parentes que se julgam bons ao criticar em vez de amar; pessoas que vivem para impressionar e não se impressionam com os outros…

Há dois dias encontrei na caixa do correio o livro que encomendei: “Paraquedas – um ensaio filosófico” do escritor P.R.Cunha, com delicada dedicatória e uma história surpreendente.

Comprei o livro porque adoro os posts do autor, mas não sabia o que esperar até começar a leitura.

Em alguns momentos pensei no personagem esquizofrênico da série Maniac, desagregado de uma família artificial e cruel.

O personagem de “Paraquedas – um ensaio filosófico” não é esquizofrênico, mas a família o trata como se fosse o louco inconveniente.

Ele foge dessa dolorosa realidade para a realidade de outros livros, de outros personagens, de outros escritores, de outras formas de arte, enquanto constrói a própria história, com coragem para seguir seus instintos e amor pela fazenda literária.

Em outros momentos, eu parei a leitura para compartilhar com meu marido, que se viu em certas agruras do personagem, assim como compartilho a indicação do livro do P.R. Cunha a quem ainda não conhece esse talentoso e premiado escritor.

Boa Semana e Boas Leituras!

Best Sellers sobre Adolescência

Best Sellers sobre Adolescência

Enquanto o Ludo, aos 16 anos, parece mais sereno e satisfeito com a vida, o Vico, que fará 14 em breve, começou a apresentar “reações de adolescente” em casa.

  • O que acontece com cada um, em cada fase da vida, pode ser medido e rotulado?
  • De quem é a culpa pelas reações dos adolescentes?
  • Se o sentimento sobre a infância nem sempre existiu, quando começaram a pensar e “criar” a adolescência?

Achei que as respostas estivessem nos best sellers que ensinam a “lidar” com adolescentes, mas, posso ter me enganado, como demonstra a pesquisa da professora Ana Mercês Bahia Bock, sobre esses mesmos best sellers, que compartilho aqui, respondendo a 3 perguntas:

1 – DE ONDE VEIO A ADOLESCÊNCIA?

Com as revoluções industriais, o trabalho se sofisticou, do ponto de vista tecnológico e passou a exigir um tempo prolongado de formação, adquirida na escola, reunindo em um mesmo espaço os jovens e afastando-os do trabalho por algum tempo. Além disso, o desemprego crônico/estrutural da sociedade capitalista trouxe a exigência de retardar o ingresso dos jovens no mercado e aumentar os requisitos para este ingresso, o que era respondido pelo aumento do tempo na escola.

A sociedade então assiste à criação de um novo grupo social com padrão coletivo de comportamento – a juventude/a adolescência.

O jovem, apesar de possuir todas as condições cognitivas, afetivas e fisiológicas para participar do mundo adulto, estava desautorizado a isso, devendo permanecer em um compasso de espera para esse ingresso; vai ficando distante do mundo do trabalho e distante também das possibilidades de obter autonomia e condições de sustento. Vai aumentando o vínculo de dependência do adulto, apesar de já possuir todas as condições para estar na sociedade de outro modo.

Não há nada de patológico; não há nada de natural. A adolescência é social e histórica. Pode existir hoje e não existir mais amanhã, em uma nova formação social; pode existir aqui e não existir ali; pode existir mais evidenciada em um determinado grupo social, em uma mesma sociedade (aquele que fica mais afastado do trabalho) e não tão clara em outros grupos (os que se engajam no trabalho desde cedo e adquirem autonomia financeira mais cedo)…

2 – O QUE OS BEST SELLERS SOBRE ADOLESCENTES ENSINAM?

Autor: Waldman, L.

Livro: E Agora? Tenho um filho adolescente.(1997)

… o adulto é valorizado como capaz da aceitação e da paciência e o jovem é tomado como alguém sem controle ou maturidade. A adolescência passa e tudo fica resolvido. Não há o que se fazer enquanto a adolescência é vivida; resta ser tolerante.

Autor: Tiba, I.

Livros:

  • Puberdade e Adolescência: desenvolvimento biopsicossocial.(1985)
  • Disciplina: limite na medida certa.(1996)

… O que é um filho saudável? Não se sabe pelo texto. Sabe-se que a saúde reduz a intensidade do conflito (necessário e inevitável). A orientação oferecida para os adultos é de tolerância e compreensão, supondo que a adolescência é natural e não tem jeito a não ser tolerar.

Autora: Zagury , T.

Livros:

  • O adolescente por ele mesmo: orientação para pais e educadores.(1996)
  • Limites sem trauma. (2001)

Zagury apresenta a adolescência com características negativas… São negativas no sentido de incompletude e imaturidade e por não serem características desejadas… Há uma grande preocupação em orientar os pais para se manterem hierarquicamente superiores em relação a seus filhos adolescentes…

3 – O QUE A PESQUISA SOBRE ESSES BEST SELLERS CONCLUIU?

  • A Adolescência é considerada uma Fase Terrível

A adolescência foi apresentada, nos 4 livros estudados, por meio de elementos, em geral, negativos. Negativos porque são características desvalorizadas na sociedade; porque aparecem como incompletude, imaturidade, algo que ainda não acabou de acontecer e de se desenvolver…

  • Best Sellers não conhecem a Origem da Adolescência

Poucas referências são feitas à gênese da adolescência, não se buscando uma visão clara da gênese dos fenômenos. Como surgem estas características? Na verdade, não se tem nenhuma leitura sobre isto porque se crê que a adolescência é natural; é uma fase do desenvolvimento, não sendo necessário se falar da gênese…

  • As Recomendações dos Best Sellers são Alienantes

Os pais recebem milhares de orientações que devem seguir para aliviar as tensões na família. Cabe a eles salvar as relações. Ficam sobrecarregados de responsabilidade, quando poderiam ver seus filhos adolescentes como parceiros… Nossa cultura valoriza o adulto produtivo. Desvaloriza todas as outras fases da vida: a infância, a velhice e a adolescência, tomadas como fases improdutivas…

Enfim, a visão naturalizante da adolescência é mais do que uma visão que acoberta as determinações sociais; é uma visão que impede a construção de uma política social adequada para que os jovens possam se inserir na sociedade como parceiros sociais fortes, criativos, cheios de projetos de futuro.

São decorrentes desta visão, as produções … que apresentam as características da adolescência de forma naturalizada, como crise de um desenvolvimento que tem a infância de um lado e o mundo adulto do outro; orientam pais e professores no sentido da tolerância, pois a crise é passageira; que universalizam e igualam todos os jovens, estejam eles onde estiverem, inseridos em qualquer cultura e sociedade.

Boa Semana!

 

Mãe e Bailarina

Nem toda mulher quer ser mãe

Tanto tem mãe com açúcar quanto com sacarina

Tem gente boa que não teve mãe

Nem toda boa mãe quis ser bailarina

(Mãe e Bailarina, Mãe do Ludo e Vico, 2019)

“Minha mãe é gozada.

Não tem essas manias de arrumação que muita mãe dos outros tem,

ela até que vai deixando as coisas meio espalhadas na casa, um bocado fora do lugar,

e na hora em que precisa de alguma coisa quase deixa todo mundo maluco,

revirando pra lá e pra cá.”

(Bisa Bia Bisa Bel, Ana Maria Machado, 1981)”

Ana Maria Machado é a 6ª ocupante da cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras, autora de mais de cem livros para crianças e outros para adultos.  

Uma vez, ela disse que seu livro de maior sucesso de público -Bisa Bia Bisa Bel- surgiu da saudade de suas avós e da vontade de falar delas para seus dois filhos (ainda nasceria a filha e futura ilustradora).

“Eu sou pipsis (príncipe)

Você é pipesa (princesa)”

(Vico, aos 2 anos de idade, explicando, com muito carinho, uma brincadeira para a Mãe)

“Dona mamãe ralha e beija,

Erra, acerta, arruma a mesa,

Cozinha, escreve, trabalha fora,

Ri, esquece, lembra e chora

Traz remédio e sobremesa

Tem até pai que é tipo mãe

Esse então é uma beleza!”

(Se as coisas fossem mães, Sylvia Orthof, 1984)

“…Mamãe foi filha única de pais separados, não sabia lidar com família. A gente teve que aprender junto com ela. Depois, quando ela tinha 40 anos, papai morreu. Nós tínhamos 14, 12 e sete anos. Aí, faltava pai, marido, trabalho, grana. Depois, muitas outras faltas. Mas o que ficou mesmo de mais importante foi nunca desistir de acreditar no amor, na vida e na liberdade… Ela conseguiu dar a nós o que ela nunca teve: irmãos amorosos e amigos… É pieguice, mas é verdade.”

(Claudia Orthof, filha da escritora Sylvia Orthof em entrevista sobre a mãe)

Te amo

(Ludo -outro dia e muitas vezes- sem ser Natal nem Ano Bom, para a Mãe)

“Não é mesmo distraída a alegre vovó Guida?

Para dar de beber ao gato,

Pôs o leite no sapato,

E no pé – coisa maluca!

Ela pôs sua peruca.”

(A alegre vovó Guida que é um bocado distraída, Tatiana Belinky, 1988)

“Eu tive uma infância boa. Meus pais eram filhos de gente abastada. Meu pai, quando menino, tinha um cavalinho dele, um pônei, só para ele, porque o pai dele era dono de cavalos e carruagens… Ele foi o décimo quinto filho, num tempo em que as famílias tinham 15 filhos. Minha mãe também teve 14 irmãos. Só que a mãe dela, minha avó, foi mais prática, teve vários gêmeos. Já com a mãe do meu pai foi de um em um, coitada…”

 (Tatiana Belinky, aos 87 anos, para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial)

“Quando eu crescer, quero ser mãe e bailarina

(Mãe do Ludo e Vico -aos 6 anos- revelando dois sonhos para sua inspiradora Mamãe)

 

Validade dos Ditados

Desde 23 de abril um bocado de ideias para um post chegaram e foram embora.

Espremi livros, filmes, músicas e reflexões desses 10 dias e acho que deu um caldo.

Aliás, a expressão dar um caldo pode ter muitos significados. O que eu queria dizer é que esse post quase passou da validade, mas ainda guarda um sabor agradável, espero.

Uma parte do post é dos Ditados vencidos.

A outra parte é dos Ditados sem prazo de validade.

Adivinhe quais Ditados já estão com cheirinho estranho…

MENTE VAZIA É A OFICINA DO DIABO

Dia 23 de abril, assistimos ao filme O homem que copiava que é de 2003.

André, personagem de Lázaro Ramos, é um operador de fotocopiadora, que gosta de desenhar, mora com a mãe e está apaixonado. Essa mente ocupada com o ofício, com o ócio criativo e com o amor tem ideias mirabolantes, ingênuas, perigosas, ilícitas…

No dia seguinte, andando aqui na Avenida do Imperador, atrás de uma batedeira, eu e meu marido entramos numa loja de utensílios domésticos e ouvimos a seguinte conversa entre dois vendedores, que nem deram bola pra nossa presença:

Um dia vou sair do Brasil.

– Pra onde tu vai?

– Pra Espanha, Miami ou Havana.

– Havana? O que é que tem lá?

– Tem praias…

O resto da conversa não escutamos, mas ficamos imaginando o que o sujeito esperava encontrar em um dos destinos escolhidos: Muitos encontros amorosos, ofertas de empregos bem mais interessantes do que aqui em Petrópolis ou até ficar rico e nem precisar trabalhar.

Quantas outras pessoas, trabalhando no Mercado, na Feira, no Escritório de Advocacia, no Hospital, na Assembleia Legislativa, estudando na Faculdade de Engenharia ou de Economia, também imaginam atalhos para seus sonhos?

QUEM SAI AOS SEUS NÃO DEGENERA

Dia 27, passou no canal TV Escola o documentário QI: a história de uma farsa.

Segundo o documentário, o teste desenvolvido no começo do século XX, pelo psicólogo francês Alfred Binet, para medir atrasos no desenvolvimento de crianças em idade escolar, foi explorado por eugenistas que manipulavam dados para garantir a pureza étnica da sociedade.

Há pouco tempo o Congresso dos Estados Unidos cortava gastos com pessoas mais necessitadas com base na teoria de que a pobreza seria inata. O filme revela, inclusive, como as políticas sociais foram influenciadas pela ideia de que a inteligência é definida no nascimento.

PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO

“A arte e a literatura têm conduzido seres humanos por jornadas empáticas desde que os cidadãos da antiga Atenas choravam pelos personagens que viam no palco durante o festival de Dionísio.

O teatro, o cinema, a pintura e a fotografia desempenharam todos um papel na geração do que os gregos chamavam de ekstasis, ou êxtase, em que saímos temporariamente de nós mesmos e somos transportados para outras vidas e culturas.”

(Roman Krznaric, O poder da Empatia – A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo, Editora Zahar, p.190)

PEDRAS QUE ROLAM NÃO CRIAM LIMO

Dia 30 de abril assistimos A história de Buddy Holly, filme de 1978.

Buddy Holly foi um pioneiro do Rock, que influenciou os Beatles, os Rolling Stones, Bob Dylan, Eric Clapton e Elvis Costello e que morreu no dia que a música morreu.

Ao receber o Prêmio Nobel de Literatura 2016, Bob Dylan se manifestou sobre a questão das letras de música serem consideradas literatura, detalhando suas influências por meio de livros e músicas.

Na música, ele citou como seu herói, Buddy Holly, que no final dos anos 1950, aos vinte e bem poucos anos, misturou country, rock, rhythm and blues.

Buddy escrevia, cantava e tocava as próprias músicas, o que era incomum na época, assim como era incomum um cantor jovem estar despreocupado em fazer o tipo sensual, arrepiando na guitarra de óculos!

CAMARÃO QUE DORME A ONDA LEVA

Para homenagear a cantora Beth Carvalho, falecida no dia 30 de abril escolhi esse ditado, que, além de engraçado é um samba.

Uma mulher de vanguarda, dona de grande voz e empatia, num mundo masculino, com sabedoria e generosidade resgatou sambistas esquecidos, como Cartola, e revelou novos talentos, dentre os quais Zeca Pagodinho.

Segundo a própria Beth, em entrevista gravada em 16 de fevereiro de 2018 :

O samba é revolucionário, é vanguarda porque é a crônica do dia-a-dia. Se não quiser ler jornal, acompanhe o samba que ele vai dizer o que está acontecendo agora.”

CAUTELA E CANJA DE GALINHA NÃO FAZEM MAL A NINGUÉM

Até gripe forte apareceu nesse espaço de 10 dias. Foi o Vico quem pegou.

A Sonia Hirsch – autora de Atchiiim! – tem um blog de onde copiei a receita de canja a seguir:

“… comida de gripe é aquela velha canja tradicional brasileira que veio da China e da Índia junto com os marinheiros, nas caravelas. O arroz, branco ou integral, deve ser cozido em bastante água por 3 horas, no mínimo. Quanto mais cozinhar, melhor fica. Se galinha caipira houver, cozinhar junto até ela desmanchar; caldo de galinha ajuda a dissolver muco. Temperar com alho, cebola, aipo, alho-poró, pimenta, azeite extravirgem, pouco sal ou shoyu, salsinha, hortelã. Tomar essa canja à vontade até melhorar.”

No livro Atchiiim! da editora Correcotia encontrei ótimas recomendações, além dos desenhos maluquinhos e lindos da Eva Furnari.

Até breve!

 

Keiko e Margherite

Primeira vez em Tóquio, Margherite entrou na loja de conveniência e perguntou a atendente Keiko:

-Por favor, tem pãozinho de espelta?

Keiko ofereceu um Oniguiri e quis saber o que era espelta.

Até aí nada demais. Parte da cultura de um povo é a comida.

Só que Margherite e Keiko não são consideradas pessoas comuns nas suas respectivas culturas.

Além disso, elas não se encontraram na ficção.

Pelo menos, não nos livros Querida Konbini e A Diferença Invisível.

Embora o primeiro seja um romance passado em Tóquio e o segundo uma HQ inspirada na vida de uma parisiense, as duas histórias falam de pessoas que não cabem nas regras e expectativas sociais.

Primeiro pensei nas semelhanças e diferenças entre Keiko e Margherite e nas culturas que as sufocaram.

Depois, formulei 7 perguntas de mau gosto que caberiam nos universos das duas e também no seu e no meu.

A resenha de Querida Konbini que me despertou o interesse pelo livro foi a do blog Lulunettes.

Sobre A Diferença Invisível recomendo a resenha do Muquifo Literário e a palestra da autora, Julie Dachez, em vídeo do TED X.

Depois das resenhas, como combinado, vamos às perguntas de mau gosto e algumas sugestões de respostas.

1) Japonês é tudo igual?

“… O preconceito é abjeto, é nojento, porque ele assassina a individualidade da pessoa, antes de qualquer discussão. Ele dispensa o que é o indivíduo, sua história, seu esforço, suas crenças, seus sonhos, suas particularidades. Ele elimina qualquer chance desse indivíduo expor o que ele tem só de seu. E o faz com uma só noção:

(Japonês, ou qualquer outro) é tudo igual.”

Texto tirado de “Racismo à moda da casa”, do site Geledes

2) Países civilizados são os que difundem o conhecimento e o progresso?

“… Tomando o homem branco como símbolo máximo e universal da humanidade e da civilização, cientistas europeus dissecaram, mediram, patologizaram e classificaram os corpos considerados desviantes do padrão masculino e eurocêntrico. Esse discurso científico justificou uma série de práticas políticas racistas e sexistas, institucionais ou não, que permanecem até os dias de hoje.”

Texto tirado do site da Funarte sobre o espetáculo “Vênus Negra, um manual de como engolir o mundo”.

3) Autista sente empatia?

“… Da mesma forma do que indivíduos não autistas, autistas podem ter empatia demais, mesmo que outras pessoas não percebam ou que eles não consigam demonstrar. Um autista pode não se sentir confortável em velórios, por exemplo, seja pela dificuldade de chorar e/ou sentir vontade de rir em momentos inesperados. … Antigamente, os médicos e os psicólogos – alguns ainda o fazem … – podiam interpretar alguns desses comportamentos como se fossem transtornos mentais, como a esquizofrenia, sociopatia e outros, aumentando ainda mais o preconceito, exclusão e uso de medicamentos desnecessários.”

Texto tirado do post “Autismo: A importância de escutar e interpretar o autista” do Blog do Ben Oliveira

4) Se não é igual, é menos normal e menos humano?

“Pego rapidamente as manias das pessoas ao meu redor, sobretudo em relação ao jeito de falar. No momento minha fala é uma mistura do jeito de Izumi e de Sagawara.

Acredito que isso aconteça com a maioria das pessoas… Depois que Izumi começou a trabalhar aqui, Sasaki passou a desejar “bom trabalho!” exatamente no mesmo tom que ela. Também teve a vez em que uma amiga de Izumi … veio nos ajudar no serviço, e as roupas das duas eram tão idênticas que pareciam a mesma pessoa. Talvez o meu próprio jeito de falar também tenha contagiado alguém. Acho que é assim, nos contagiando mutuamente, que mantemos nossa humanidade.”

Texto tirado do livro Querida Konbini, página 33

5) Como se pega ranço  de quem mal conhecemos?

“Pouco tempo depois de começar a trabalhar, percebi que todos os colegas se alegram quando você fica bravo pelas mesmas coisas que eles. Se alguém reclama do gerente ou diz que fulano não está trabalhando direito eu faço coro a essa indignação, isso gera um sentimento de solidariedade e deixa todo mundo contente.

Observo o rosto de Izumi e Sugawara e respiro aliviada. Ufa, estou me saindo bem como ser humano.”

Texto tirado do livro Querida Konbini, página 36

6) Asperger tem cura?

“Somos todos geniais, mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore ele passará o resto da vida acreditando que é estúpido.”

Texto e ilustração tirados de um dos quadrinhos da página 134 do livro A Diferença Invisível.

7) O normal é brincar, estudar, ter amigos, socializar, namorar, trabalhar, casar e ter filhos?

“Margherite tem 30 anos.

Ela ama animais, dias ensolarados, chocolate, comida vegetariana, seu cãozinho e o ronronar dos seus gatos.”

Texto e ilustração tirados da página 178 do livro A Diferença Invisível.

Boa semana!

 

A Arte do Encontro

Definição de Serendipidade

“Trata-se de um fenômeno amplo e multifacetado, cujo sinônimo mais imediato poderia ser “feliz acidente” – ou uma “descoberta fortuita e não planejada” – derivado de sorte, providência ou acaso. Ou, ainda, o sincronismo de vários acasos, daí também ser chamada de superencontro.”

Como encontrar a Serendipidade?

  • Seja proativo. A serendipidade é uma habilidade. Essa habilidade de combinar eventos ou observações de maneiras significativas a diferencia da sorte.
  • Estude arduamente. “O acaso favorece a mente preparada” (Louis Pasteur)
  • Abrace a diversidade.
  • Compartilhe seus interesses e conhecimentos. Tenha generosidade com o interesse das pessoas ao seu redor.
  • Reserve tempo para o ócio e o relaxamento.

(Revista Vida Simples, ano 17, edição 204: Sincronicidade, Margot Cardoso, )

Definição de Arte

“Uma das coisas mais difíceis de definir é a Arte. Tanto mais que ela varia muito nas suas manifestações e no tempo.”

“Sendo pois, um brinquedo, a Arte se distingue dos brinquedos infantis, dos jogos para adultos, dos esportes e das ciências puras, porque em todos estes se exerce de alguma forma um treino que será útil na vida prática: o instinto da posse; a conquista da vitória; a necessidade da força, da agilidade, de habilidade, quer física quer intelectual; a prática dos instintos sexuais, dos deveres familiares, etc.”

Principais elementos da Arte

  • Prescindibilidade da criação e de exercício, isto é, pode-se fazer ou não Arte, pode-se usar dela ou não.
  • Procura do prazer sem interesse prático imediato, uma brincadeira.
  • Uso de beleza como elemento físico da criação e psicológico do prazer

(Pequena História da Música – Obras completas de Mario de Andrade – VIII, Edição de 1967, Livraria Martins Editora)

“… A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida …”

(Samba da Benção, de Vinícius de Morais e Baden Powell)

As belas fotos foram tiradas do Instagram:

Boa Semana a Todos!!!