Microbioma

Eu já andava preocupada com a alimentação do Ludo, que é vegetariano.

As vitaminas dele estão boas, mas a soja que ele ingere diariamente não é o melhor dos alimentos.

Pra aumentar minhas preocupações, segundo notícia recente, a Rússia que é uma das maiores consumidoras da nossa soja não quer mais importa-la porque está entupida de agrotóxicos.

Coincidência ou não, acabei de ler um livro que ganhei há meses chamado “Amigos da Mente”, do neurologista norte-americano David Perlmutter, que abomina a soja.

Assim como outras teorias de alimentação e saúde, as conclusões do Dr Perlmutter também não são unanimidade nos meios científicos, mas reúnem muitos adeptos.

O neurologista é um estudioso do microbioma (conjunto de material genético da flora bacteriana) do intestino humano.

Se ele é neurologista, por que estuda as bactérias do intestino?

Porque, segundo o livro, a maior parte do microbioma está no intestino e o equilíbrio dessa flora bacteriana afeta o humor, a libido, o metabolismo, a imunidade e até o raciocínio.

Outra coincidência, enquanto eu lia “Amigos da Mente”, foi a notícia que saiu por esses dias sobre bactérias relacionadas à Depressão e ao Mal de Parkison.

Para quem quiser conhecer as ideias do Dr Perlmutter, segue minha síntese de “Amigos da Mente”:

Quais são os vilões do microbioma saudável?

  • Exagero no uso de antibióticos na agricultura e na pecuária para o crescimento e o amadurecimento rápido dos futuros alimentos, assim como hormônios, herbicidas e pesticidas que comemos sem perceber.
  • Glúten, Soja e Açúcar (Adoçantes também)

O único adoçante tolerado pelo microbioma é a Estévia natural

As frutas deveriam bastar como a nossa fonte de açúcar – especialmente abacate; lima; limão e frutas vermelhas.

O que devemos comer e beber para equilibrar o microbioma?

1 – Prebiótica

Alimentos que favorecem as bactérias boas do intestino.

Exemplos: Goma Acácia ; raiz de Chicória crua; Tupinambo cru; folhas de Dente de Leão cruas; Alho cru; Alho Poró cru; Cebola crua ou cozida e Aspargos crus

2 – Probiótica

As próprias bactérias boas

Onde encontrar? Em Alimentos Fermentados, como Iogurte com Culturas Vivas (sem açúcar ou adoçante ou corante); Kefir; Chucrute; Picles; Frutas e Vegetais em conserva (em salmoura, não em vinagre) e também em Chá de Kombucha; pequenas quantidades de Tempeh; Kimchi e em Carnes, Peixes e ovos Fermentados.

3 – Pouco Carboidrato e Pouca Proteína

O prato principal deve ser de Vegetais acompanhados de 100g de Proteína.

O preparo das Proteínas deve ser com Azeite de Oliva ou Manteiga Clarificada (acho que a Manteiga de Garrafa serve, mas não tenho certeza).

Das leguminosas, só Grão de Bico é recomendado sem receios pelo Dr Perlmutter.

4 – Alimentos sem Glúten

O Glúten, mesmo para os que não são celíacos, é um dos ingredientes mais inflamatórios do mundo.

Até os grãos sem Glúten, como o Arroz, devem ser consumidos com moderação (1 vez ao dia no máximo).

5 – Vinho tinto (uma taça); Chocolate Amargo (um pedacinho) e Café (com moderação)

6 — Água Filtrada

A dieta na prática

Percebe-se que não é simples fazer essas mudanças na rotina, mas acredito que a dieta pode ser adaptada e implementada aos poucos.

Meu primeiro passo foi substituir minha Coca Zero (venenosa) pela água com gás e sem gás.

Felizmente, os meninos não tomam refrigerante.

Pra eles, por enquanto, troquei o chocolate ao leite pelo meio amargo, até chegar ao amargo.

Uma dica deliciosa de pão sem glúten é o pão de queijo caseiro da Bela Gil!

Ainda não sei o que fazer com a soja do Ludo…

Boa semana a todos!

É um pedaço editado da premiada foto de Cristais de Aminoácidos, do fotógrafo Justin Zoll

Anúncios

Pisa e Homeschooling

  • O que é o Pisa?

O Programme for International Student Assessment (Pisa) é uma iniciativa de avaliação de estudantes matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental em escolas públicas e particulares.

O Pisa é coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil, a coordenação do Pisa é responsabilidade do Inep.

  • Para que serve o Pisa?

O objetivo do Pisa é produzir indicadores que contribuam para a discussão da qualidade da educação nos países participantes.

As avaliações do Pisa acontecem a cada três anos e abrangem três áreas do conhecimento – Leitura, Matemática e Ciências.

  • Como está o desempenho do Brasil no Pisa?

O Brasil, infelizmente, está sempre na “lanterna desse campeonato”.

  • O que Homeschooling tem a ver com o Pisa?

Homeschooling é o nome pelo qual se conhece a Educação Domiciliar em muitos países.

A maioria dos países que se destacam há anos no Pisa admitem a Educação Domiciliar.

Podemos afirmar que esses países vêm se destacando no Pisa por causa da Educação Domiciliar?

Não, mas podemos afirmar que a Educação Domiciliar não piorou a Educação, não acabou com as escolas, nem com o acesso à Educação nos países que se destacam há anos pelos melhores índices de desempenho escolar, segundo o Pisa.

A Educação Domiciliar é simplesmente uma opção nesses países.

A maioria dos países que encabeçaram a lista do Pisa em 2015 já admitiam a Educação Domiciliar:

Cingapura, China, Japão, Estônia, Canadá, Taiwan, Finlândia, Irlanda, Eslovênia, Suíça, Nova Zelândia, Dinamarca, Polônia, Bélgica, Austrália, Reino Unido, Portugal, França, Áustria, Rússia, República Checa, Itália, Luxemburgo…

  • Por que famílias de países culturalmente tão diferentes como Japão, China, Canadá e Irlanda optam pela Educação Domiciliar?

China

“Muitos defensores da educação em casa na China apontam que não enviar seus filhos para escolas públicas os libera de aprendizagem mecânica e doutrinação entorpecente na sala de aula.” ·

Japão

“… as famílias japonesas que estudam em casa geralmente são motivadas por necessidades especiais de seus filhos. Infelizmente, tem havido falta de apoio em sala de aula para muitas crianças com necessidades especiais, variando de dificuldades de aprendizagem a outras questões como “hikikomori” ou crianças reclusas, outra preocupação crescente aqui no Japão.

Nem todas as famílias de homeschooling japonesas estão fazendo isso por causa de necessidades especiais, no entanto. Algumas famílias estão escolhendo o caminho de educação escolar em casa porque sentem que seus filhos merecem essa opção. Eles acham que é melhor para seus filhos do que para o ensino obrigatório, especialmente porque há mais frustração com o fracasso da educação voltada para resultados, que vem com o aumento das horas de lição de casa e a preparação para exames. Como tem havido casos em que as crianças educadas em casa passaram com sucesso nos exames para entrar nas universidades mais difíceis do Japão, mais famílias estão começando a ver a educação escolar em casa como uma opção legítima ou alternativa às escolas públicas nos dias de hoje.” ·

Canadá

“Hoje, alguns ainda escolhem o homeschooling por causa de preocupações com o currículo do governo ou o desejo de uma ênfase religiosa específica na educação de seus filhos. Mas muitas famílias agora escolhem a educação escolar em casa simplesmente porque é possível e prática como nunca se imaginou. Os pais que trabalham em casa, famílias que viajam frequentemente, crianças com muito talento para esportes, para atividades artísticas ou que tenham necessidades especiais, combinadas com o surgimento de opções educacionais por meio da tecnologia digital, são apenas algumas das razões pelas quais os pais escolhem a educação escolar em casa.” ·

Irlanda

“As pessoas podem escolher educar em casa por vários motivos; tudo, desde o seu filho que odeia a escola até o seu desejo de uma educação secular para o seu filho – e muita coisa no meio. Na Irlanda, você pode decidir estudar em casa por muitas razões – como manter uma oposição religiosa ou ideológica à educação disponível nas escolas daqui. Ou até mesmo objetando a educar uma criança em uma escola.”

  • Moral da história, sou pedagoga, não tenho interesse em política partidária e não sou religiosa. Ainda assim, antes de condenar a Educação Domiciliar como se fosse acabar com a Educação no Brasil ou desprestigiar os profissionais da Educação ou tirar os alunos das escolas, me interessei pelo assunto e acho que deve ser uma opção legal.

Fontes:

http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/o-que-e-o-pisa/21206

http://www.ebc.com.br/educacao/2013/12/ranking-do-pisa-2012

http://www.ebc.com.br/educacao/2013/12/ranking-do-pisa-2012

https://japandaily.jp/homeschooling-in-japan-4182/

https://www.scmp.com/lifestyle/families/article/2153883/chinese-parents-who-homeschool-their-kids-and-why-they-reject

https://www.fraserinstitute.org/blogs/homeschooling-in-canada-continues-to-grow

http://giftedireland.ie/homeschooling/

 

 

 

Professoras que as histórias nos contam

Personagem e Profissão

Imagine que você vai encontrar alguém e a única informação sobre a pessoa é a profissão.

Não sabe o nome, se é homem ou mulher, a idade, a que classe social pertence, que tipo de roupas usa para trabalhar, nem qualquer outra informação.

O que sua mente faz? Busca lembrar de alguém conhecido ou de ideias sobre a profissão representadas por personagens da TV, do cinema e da literatura.

A representação das professoras (e dos professores) na literatura infantojuvenil é o tema do livro Professoras que as histórias nos contam – organizado por Rosa Maria Hessel Silveira, Editora D P&A.

As 8 autoras do livro identificaram os principais traços que descrevem professoras e professores, em histórias de aventura, romance e mistério em 100 obras indicadas para crianças e adolescentes, desde a década de 1970 até os anos 2000, no Brasil.

Quem são as professoras (e professores) segundo os 100 livros de literatura infantojuvenil selecionados?

  • Professores de ciências são homens, geralmente heróis, extravagantes, distraídos, idealistas, éticos, descuidados com a aparência e abnegados
  • Professoras e professores de português são austeros, recatados, eruditos, isolados, detentores de conhecimento e controle sobre os alunos
  • Professoras alfabetizadoras seguem a cartilha e o rigor ou são praticamente desnecessárias
  • Professores de educação física são homens fortes, burros, alguns carrascos outros amigos
  • Diretoras e diretores de escola são solitários e poderosos
  • Professoras jovens e lindas usam jeans apertado, se enfeitam, ensinam a “nova pedagogia” e abandonam a profissão para casar.
  • Professores jovens e sedutores são inteligentes, bonitos, ensinam a “nova pedagogia” e não fazem esforço para seduzir.
  • Não há professoras ou professores negros: “Para ser professor, é preciso controlar a raça, disfarçar a etnia”

Certamente você, assim como eu, o Ludo e o Vico,  já leu algum dos 100 livros analisados pelas autoras e nem percebeu a quantidade de sexismo, racismo, dentre outros preconceitos presentes nas histórias.

Não é pra sair queimando os livros por isso. Dá pra incentivar a leitura das crianças e dos adolescentes, que além de conseguirem compreender o que está escrito, devem ser capazes de refletir sobre o que está explícito e implícito no texto e nas ilustrações.

Para quem indico o livro Professoras que as histórias nos contam?

  • O livro é precioso para quem pensa no papel da literatura destinada a crianças e adolescentes
  • É fundamental para quem ensina, incentivando a leitura, e que talvez nem perceba a sua própria imagem nos livros “paradidáticos”
  • Interessa a qualquer pessoa curiosa sobre linguagem, cultura e a criação de significados e verdades

Aqui em Petrópolis eu adquiri o livro Professoras que as histórias nos contam na livraria Vozes (Rua do Imperador, 834)

Pergunte!

puxa conversa cinema

Puxa Conversa

Com que personagem você gostaria de trocar umas ideias na vida real?

O personagem sai do nada e chega ao ápice. Que filme é esse?

Qual é o melhor final de filme?

De qual filme você tem vergonha de dizer que gosta?

Com qual personagem de cinema você mais se identificou?

Qual seria o personagem em que você votaria?

Em que filme você torceu pelo personagem errado?

Qual filme sobre música ou músicos mais mexeu com você?

Fugas, escapadas mirabolantes e saídas engenhosas. Que filme lhe vem à mente?

Qual o filme com a mais bela mensagem?

livro yves de la talle

 

Perguntas para uma Vida com Sentido

“Em algum lugar, Edgard Morin comentou criticamente que a escola e a universidade costumam apresentar as respostas sem explicitar as perguntas, ou seja, costumam apresentar conhecimentos sem falar das interrogações que desencadearam a elaboração desses conhecimentos. Tenho firme convicção de que essa crítica é central e explica muito da heteronomia intelectual e da falta de motivação para aprender de muitos alunos, sejam eles do ensino fundamental, médio ou, ainda, superior.

Com efeito, o que é conhecimento? Ele é uma resposta a interrogações que os homens fizeram e se fazem. Logo, o sentido do conhecimento não está nele próprio, mas sim nas interrogações que desencadearam sua construção. Dito de outra forma, a resposta só faz sentido se conhecemos a pergunta.

Por que os homens se debruçaram sobre a gramática? O que eles queriam com isso? Qual era sua preocupação? Por que os homens se debruçaram sobre o cosmos? O que eles queriam saber? Por que queriam saber? Por que os homens resolveram investigar a mente humana? Qual era a pergunta? A inquietação?

Escreveu Elie Wiesel, Prêmio Nobel da Paz: “Quando eu era pequeno, minha mãe nunca me perguntava se eu havia dado boas respostas durante a aula. Ela me dizia: Você fez uma boa pergunta? Isso governou minha vida“.”


No post de hoje eu juntei as categorias Receitas de Brincadeiras e Mãe que Lê porque estas foram as últimas melhores aquisições da casa.

*Puxa Conversa: Cinema – 100 cartas para falar da sétima arte, de Josival Nunes, Editora Matrix é um livro caixinha que rendeu assunto com os meninos, no carro e no lanche de sábado e que está à venda nas melhores livrarias. Foi presente dos avós para o Ludo.

*Formação Ética – Do tédio ao respeito de si, de Yves de La Talle, Editora Artmed, é um livro maravilhoso desse professor e pesquisador de Psicologia Moral da USP, que recebi pelo correio faz umas duas semanas, pois só consegui comprar pela Estante Virtual.

Boa Semana a todos!

 

Prêmio Postar

prêmio postar

Depois de acompanhar várias premiações entre blogs, decidi criar a minha, de forma um pouco diferente, destacando postagens especiais:D

O Prêmio Postar objetiva divulgar a diversidade e a qualidade de postagens recentes ou antigas de alguns blogs selecionados entre tantos outros do universo WordPress para conquistar novos seguidores ou, simplesmente, proporcionar boas leituras.

Cada categoria homenageia de uma a três postagens pelas quais o blog Ludo e Vico guarda carinho e admiração!

Faça Você Mesmo (DIY)

Estampas Variadas

Frutas Desidratadas no Microondas

Kintsugi – A arte das Imperfeições

Álbum de Férias

Belezas do meu Ceará

Hong Kong com a Família

Como alugar um Motorhome na Flórida

“Estante Virtual”

Kafka à beira mar – Mangá

Guardiões do Louvre – Mangá

Otelo

Papo Cabeça

30 Maneiras para Lidar com um Depressivo

Pessoas Altamente Sensíveis

Neurose e Psicose segundo Freud

Natureza Viva

Um Dia de Cada Vez para Viver

Wild and Alive

Parque Urbano do Jamor

Palavra Mágica

Nenhum Segredo a ser Revelado – Palavras de um Fotógrafo Amador

50 Tons de Amarelo Ocre!

Saindo do Armário

*Jovem Revelação*

A Inquisição Maternal e as Primeiras Provas do Sétimo Ano

Parabéns aos nomeados! Vida longa a esses blogs!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Insólito e Sedutor

grande hotel budapeste

Outro dia estava revendo o filme O Grande Hotel Budapeste e fiquei sabendo que o diretor e roteirista Wes Anderson se inspirou nos temas da vida e da obra do escritor Stefan Zweig, austríaco, de nascimento, cidadão britânico, que correu a Europa e a América até se apaixonar pelo Brasil.

Além deste filme, cerca de 70 outros também foram inspirados nas novelas, ensaios e biografias escritas por este autor, que foi o mais traduzido no mundo entre os anos 1920 e 1930.

carta de uma desconhecida

Seus livros foram banidos e queimados e sua cidadania austríaca revogada com a ascensão do nazismo. As obras de Stefan Zweig caíram no esquecimento durante as primeiras décadas que sucederam a Segunda Guerra Mundial, pois representavam uma Europa, do período entre as Grandes Guerras, que não existia mais.

Li essa semana Novelas Insólitas, uma seleção de histórias de Stefan Zweig, escolhidas e comentadas pelo jornalista Alberto Dines (1932-2018), que o conheceu na infância aqui no Brasil, escreveu uma biografia do escritor além de ter idealizado e fundado o museu Casa Stefan Zweig em Petrópolis, sua última morada!

La Paura

Novelas Insólitas trata de temas como a sedução e o adultério, pelo olhar de uma criança, que não os compreende e, ainda assim, luta para participar e ter importância no mundo confuso dos adultos. Há uma abordagem da juventude que necessita de paixão para se engajar em um projeto de vida e não enxerga o fascínio de sua própria existência. Os traumas do nazismo são descritos por um improvável jogador de xadrez. Essas foram as três novelas de que eu mais gostei no livro, sem desmerecer a originalidade das demais. A única crítica que eu me atrevo a fazer é a escolha das histórias Júpiter e Foi ele? quando poderia ter sido selecionada uma outra já que são praticamente idênticas, com finais opostos.

O próximo livro dele que pretendo ler é 24 horas na vida de uma mulher e o próximo museu (passeio em família) que comentei aqui deve se tornar post também!

*As imagens do post, alteradas pelo aplicativo Prisma, foram tiradas dos filmes O Grande Hotel Budapeste; Carta de uma desconhecida e O medo , que assistimos na nossa maratona de filmes inspirados nas obras de Stefan Zweig.

Língua Cabeluda

palavrinhas e palavroes

Palavras, palavrinhas e palavrões, de Ana Maria Machado, era um dos meus livros preferidos quando eu tinha uns 7 ou 8 anos.

O livro conta, de forma bem humorada, as descobertas de uma menina que adorava palavras novas, mas estava sendo severamente repreendida por repetir algumas.

Na lógica da personagem principal palavrão era qualquer palavra comprida e difícil de pronunciar como Impublicável, Providências, Fonoaudióloga… A menina estranhava quando as pessoas reclamavam de palavras pequenas e simples que ela repetia. Diziam que estava sujando a boca com palavrões cabeludos.

“Que tipo de palavrões seriam esses? Cabeludos? Louros? Cacheados? Ela nem conseguia repetir direito, quanto mais imaginar a cara deles…”

Aqui em casa não deixo os meninos falarem palavrões e peço desculpa se deixo algum escapar sob intensas emoções! Meu marido também tem a boca limpinha.rsrs

Acho que o respeito começa a desandar quando liberamos a porteira dessas palavras tabu. Por outro lado, são apenas palavras que se referem a conceitos de sexualidade e excreção. Por que, então, elas teriam ganhado o poder de afrontar a sensibilidade humana?

Do que é feito o pensamento

No livro Do que é feito o pensamento – A língua como janela para a natureza humana – o cientista cognitivo Steven Pinker explica:

“Se as palavras tabus são uma afronta à sensibilidade das pessoas, o fenômeno das palavras tabus é uma afronta ao bom senso. A excreção é uma atividade que todo ser encarnado tem que fazer todo dia, e mesmo assim todas as palavras em inglês para ela são indecentes, infantis ou clínicas”.

Em português, também, as pessoas são educadas para dizer que “vão ao banheiro” ou “ao Toilette”, como se evacuar em francês fosse mais elegante. rsrs

Segundo Steven Pinker, a língua inglesa também não oferece opções polidas para outra atividade da qual ninguém pode fugir: Sexo.

“Os verbos transitivos simples para as relações sexuais ou são obscenos ou desrespeitosos, e os mais comuns estão entre as sete palavras que não dá pra dizer na televisão”.

“A reação de escândalo que outros usos evocam, mesmo entre pessoas que defendem a liberdade de expressão e questionam por que tanta onda em torno das palavras sobre sexo, sugere que a psicologia da magia das palavras não é só uma patologia de puritanos dados à censura, mas algo que faz parte da nossa constituição emocional e linguística”.

Nem entrei no mérito dos preconceitos de raça, religião e opção sexual que atribuem a certas palavras a conotação de violência verbal e moral e que dizem muito do contexto sociocultural em que são verbalizadas.

Como espero ter demonstrado, desde criancinha acho o tema do poder das palavras nas nossas vidas fascinante.

Recomendo os dois livros citados para quem compartilha esse interesse pelas origens e usos das palavras que moldam e são moldadas pela mente humana e seus reflexos nas nossas relações com o mundo.

Bom Final de Semana a todos!