Hábito de Reclamar

pato donald

O antigo Pato Donald e o fazendeiro Eustaquio Bagge, do Cartoon Network, são personagens que simbolizam a rabugice e a insatisfação constante.

Nas últimas semanas tenho pensado bastante nesse hábito de reclamar.

Andando de metrô, anos atrás, me chamava atenção o desprazer da maioria dos passageiros que iam e vinham sentados. Podia ser por causa do emprego ou do desemprego, do par ou ausência de um par, dos filhos, dos pais, dos vizinhos, dos colegas…

Dava a impressão que algum tipo de vergonha impedia um sorriso de satisfação ou de paz de espírito para os estranhos que usavam o mesmo vagão.

Anos antes, quando eu nem me imaginava andando sozinha de metrô, quem me surpreendia pelo seu bom humor constante era um senhor chamado Joel. Ele trabalhava no meu prédio. De segunda a sexta, comemorava com a mesma empolgação o reencontro com as mesmas pessoas. Ou era excesso de endorfina, dopamina e serotonina naquele ser humano ou alguma disciplina budista para ver o copo sempre cheio.

Quanta gente você conhece que prefere começar uma conversa criticando, fazer piada reclamando, manter a rotina dando bronca e cobrando algo dos outros

O hábito de reclamar também pode ser um sinal para cuidar da saúde. A Distimia,  como explica o Dr Drauzio Varella é um tipo de depressão, que durante séculos serviu para caracterizar as pessoas mal humoradas, irritadiças e de personalidade complicada, às vezes até pedantes, por acharem que nada é suficientemente bom ou original.

Encontrei em alguns blogs e sites ideias para ajudar as pessoas a largarem o hábito de reclamar

  • Em primeiro lugar: Se quiser ajudar o reclamão não seja agressivo. Tente apontar o hábito sem atacar a pessoa.
  • Se a pessoa estiver disposta a mudar esse hábito, sugira o desafio de Will Owens: A pessoa escolhe um acessório e tem que muda-lo de lugar toda vez que fizer uma queixa ou uma crítica. O objetivo é mantê-lo no mesmo lugar por 21 dias seguidos. A pulseira que se pode mudar de braço é o objeto ideal. A contagem dos 21 dias zera a cada reclamação.
  • Conte e pergunte sobre 3 a 4 coisas pelas quais podemos ser gratos diariamente
  • Uma última dica: Preste atenção se você também está com o hábito de reclamar. “Pense no reclamar como sendo mau hálito. Percebemos quando vem da boca de outra pessoa, mas não quando vem da nossa”.

Uma ótima semana a todos!

Fontes:

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/distimia-3/

https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/comportamento/o-habito-de-reclamar-pode-causar-doencas-e-levar-a-solidao

https://obemviver.blog.br/2015/05/18/reclamar-menos-faz-bem-excelente-materia/

https://menthes.com.br/reclamar-menos-e-desafio-que-compensa-conheca-estrategias/

http://necessidadebasica.com.br/2016/04/um-mundo-livre-de-reclamacoes/

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Mulheres do Século XX

foto na praia

Ontem assistimos a mais uma indicação de filme do Ludo, Mulheres do Século XX.

Por que eu recomendo esse filme?

Por diversos motivos:

  • Faz pensar no impacto do meio e da época em que nascemos e crescemos sobre a nossa visão de mundo nas décadas seguintes. Nessa história, temos as referências principais da mãe, nascida nos anos 1920, do filho nos anos 1960 e da jovem mulher que o influencia, nascida nos anos 1950. Como pano de fundo para o que acontece no cotidiano dos personagens principais, o filme pontua grandes mudanças, culturais, sociais, de padrão de consumo etc. que marcaram as referidas décadas do século XX.
  • Mostra a dificuldade de adaptação da mãe ao novo comportamento do filho adolescente (não apenas pelo conflito geracional), pelo estranhamento de não ser mais o centro da vida do rapaz e pelo desafio de educar um homem para ser uma boa pessoa e saber se relacionar com os outros.
  • Destaca o feminismo sob três perspectivas: da mulher que conquistava sua independência financeira, mas ainda era marginalizada por não ter um marido, da adolescente que se sentia livre sexualmente, mas não acreditava ser merecedora de afeto, nem conhecia seu próprio prazer e da jovem adulta que vivia cada movimento cultural intensamente e compartilhava seus pensamentos, inclusive sobre o movimento feminista, sem medo da rejeição social.

Além desses motivos, sou mãe de dois adolescentes que têm amigos e amigas e gosto de observar a influência delas na formação das identidades deles.

Boa semana!!!

*A imagem, alterada pelo aplicativo Prisma, foi tirada do livro Almanaque 1964 , de Ana Maria Bahiana.

Com que corpo eu vou?

Roda do JB

MOVIMENTO BODY POSITIVITY

Body Positivity não é apenas se amar. É se respeitar.”

(Urban Dictionary Top Definition)

Dicas de como ter uma imagem corporal positiva”

  • Reveja quem anda com você: … amizades tóxicas, relacionamentos abusivos … pessoas que apenas nos colocam pra baixo, não nos incentivam…
  • Pare de se comparar:… Não enxergue as outras mulheres como rivais. É uma visão machista e … só vai te fazer mal.
  • Comece a ter referências de corpos reais: … Quando você se vê representada tudo muda e seu olhar do que é BONITO também.

Tenha paciência com você e com os outros: quem está passando pelo processo body positive é você, não os outros…

(Alexandra Gurgel – Ativista Body Positive)

Garfield e o espelho

MOVIMENTO BODY NEUTRALITY

A ideia da neutralidade corporal é enxergar o corpo como um veículo que, quando cuidado com carinho, vai te ajudar a se deslocar pelo mundo e te trazer alegria. É isso. Sem ficar pensando na aparência.

Resumindo, a neutralidade corporal se baseia em reconhecer o que seu corpo faz, não o que ele aparenta. Seu corpo permite que você se exercite, viaje o mundo e conheça novas culturas. Seu corpo permite andar de mãos dadas e abraçar. Seu corpo te leva de A a B.

(Body Neutrality – O movimento que não está nem aí para a aparência do seu corpo)

cactos redondos

“Prezado Sr Oliver
Estamos escrevendo esta carta para você em nome de um grupo de nutricionistas que se preocupam com sua mais recente campanha para influenciar a política de obesidade infantil. Ao falar de “guerra contra a obesidade”… acreditamos que você possa estar contribuindo para a estigmatização da aparência das crianças…”

palmeiras JB

Embora não seja sua intenção, as campanhas contra a obesidade ( inclusive a infantil) contribuem para o estigma do peso, o bullying etc, pois deveriam focar na saúde e não nas medidas.

CR JB

As imagens deste post, que pretendem mostrar a pluralidade das formas e cores da natureza, foram tiradas no domingo passado, aniversário do Vico. Ele pediu, entre outras atividades, pra se reunir com os amigos em Petrópolis e no Rio, na casa dos avós e no Jardim Botânico.

Boa Semana!!!

Retas, Curvas e um Castelo

castelo de itaipava

Hoje comemoramos o dia do padrasto!

Em vez de almoçarmos onde seria certo que ficaríamos satisfeitos com o sabor e melancólicos pelo exagero ou comedimento com as escolhas do buffet, nos aventuramos até Itaipava para almoçar em um Castelo.

Foi a terceira vez que visitei o Castelo de Itaipava, antiga residência de veraneio do barão Smith de Vasconcelos (tio da Marta Suplicy), construída em 1920, pelos arquitetos Lúcio Costa e Fernando Valentim.

Eu tinha 14 anos, em 1992, quando conheci o local, ouvindo a fita Steel Wheels dos Rolling Stones no meu walkman, como os meninos hoje vivem escutando Deus sabe o quê nos celulares. Foi um leilão de peças da abastada família, ainda dona do castelo. Meus pais adoravam me levar pra leilões:)

Anos depois, o Ludo e o Vico, pequeninos, estiveram no espaço comigo em um evento de decoração. O Ludo ainda lembra de ter “voado” em um pula-pula elástico aquele dia.

O castelo não pertence mais à família que o construiu. Virou um complexo de restaurante, hotel e ambientes para eventos como casamentos, mas manteve a magia do cenário medieval.

A comida é saborosa e não chega a ser extorsiva. A música ao vivo foi a única reclamação dos rapazes. Até do repertório cheio de Djavans eu gostei.

O músico Toquinho também estava almoçando lá e o Vico queria tirar uma foto com ele, mas ficou com vergonha de interromper o almoço do homem.

Lembrei dos versos de Aquarela – “… e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo…” – que nós quatro ouvimos na infância, pra dar o nome ao post, acrescentando as curvas da linda estrada que liga Petrópolis a Itaipava.

estrada Petrópolis Itaipava

 

Distrações Particulares

24 horas na vida de uma mulher

Quando eu era adolescente (idade em que mais se depende dos grupos, amizades e namoros para o amor próprio florescer) meu pai me disse que eu precisava encontrar satisfação em atividades que não dependessem de companhia.

Criança se diverte dando nome e enredo a um cotonete, mas, durante os anos da juventude, basta um dia sem alguém da mesma idade com quem se possa trocar ideias, afeto etc. pra começar a murchar ou espetar os mais velhos.

Sinto que jovens (e crianças) de agora não vivenciam tanto a solidão e o tédio, importantes para o autoconhecimento, pela possibilidade de acesso à internet 24 horas por dia.

feltro

Não proíbo, nem fico condenando o uso da rede pelos meus filhos, mas achei interessante essa notícia sobre a “medida de desintoxicação” que a França adotou para banir celulares nas escolas públicas, O objetivo aqui foi diminuir as distrações, com ressalvas para algumas atividades pedagógicas ou necessidades especiais de alunos.

Distrações são momentos de lazer, que podem ser preenchidos com ou sem companhia.

Meu marido usa pouco a internet e afirma que a melhor distração pra ele é estar comigo. Coisa linda, né?:D

Acho que uma companhia agradável, além das trocas de afeto e experiências, é a que sabe viver construindo pequenas alegrias, que não dependem necessariamente de alguém ou de aprovação, que não seja a própria.

Faço esse exercício escrevendo posts para o Ludo e Vico, trabalhando com feltro, desenhando e colorindo, lendo livros, revistas e posts, fazendo pastinhas no Pinterest, olhando a natureza…

 

bichanos

Essas curtas férias me inspiraram a escrever sobre as distrações que ampliam nossos universos particulares.

Quais são suas distrações particulares?

*A primeira imagem faz parte das ilustrações de Federico Maggioni para o livro 24 horas na vida de uma mulher, de Stefan Zweig, que eu li nas férias;)

 

Férias e Férias da Internet

férias

Olá a você que parou pra ler este blog pela primeira vez, aos que carinhosamente acompanham o Ludo e Vico, às blogueiras e aos blogueiros que eu leio assiduamente,

Estou me preparando para dias de férias, inclusive fora desta rede, que proporciona muitas alegrias, mas também toma tempo, atenção, resseca os olhos e tem me dado uma certa enxaqueca de manhã e à noite.

Antes de voltar para a realidade virtual, além de marcar o oftamologista, pretendo organizar um horário a fim de acessar o celular ou outro aparelho conectado ao WiFi com menos frequência, seja para ler, jogar, pesquisar ou escrever.

Vivi, praticamente, metade da minha existência sem o vício das telas. Acho que esse pequeno afastamento vai me fazer bem.

Desejo boas postagens, leituras e conversas a todos!

Abraços e até breve:)

Insólito e Sedutor

grande hotel budapeste

Outro dia estava revendo o filme O Grande Hotel Budapeste e fiquei sabendo que o diretor e roteirista Wes Anderson se inspirou nos temas da vida e da obra do escritor Stefan Zweig, austríaco, de nascimento, cidadão britânico, que correu a Europa e a América até se apaixonar pelo Brasil.

Além deste filme, cerca de 70 outros também foram inspirados nas novelas, ensaios e biografias escritas por este autor, que foi o mais traduzido no mundo entre os anos 1920 e 1930.

carta de uma desconhecida

Seus livros foram banidos e queimados e sua cidadania austríaca revogada com a ascensão do nazismo. As obras de Stefan Zweig caíram no esquecimento durante as primeiras décadas que sucederam a Segunda Guerra Mundial, pois representavam uma Europa, do período entre as Grandes Guerras, que não existia mais.

Li essa semana Novelas Insólitas, uma seleção de histórias de Stefan Zweig, escolhidas e comentadas pelo jornalista Alberto Dines (1932-2018), que o conheceu na infância aqui no Brasil, escreveu uma biografia do escritor além de ter idealizado e fundado o museu Casa Stefan Zweig em Petrópolis, sua última morada!

La Paura

Novelas Insólitas trata de temas como a sedução e o adultério, pelo olhar de uma criança, que não os compreende e, ainda assim, luta para participar e ter importância no mundo confuso dos adultos. Há uma abordagem da juventude que necessita de paixão para se engajar em um projeto de vida e não enxerga o fascínio de sua própria existência. Os traumas do nazismo são descritos por um improvável jogador de xadrez. Essas foram as três novelas de que eu mais gostei no livro, sem desmerecer a originalidade das demais. A única crítica que eu me atrevo a fazer é a escolha das histórias Júpiter e Foi ele? quando poderia ter sido selecionada uma outra já que são praticamente idênticas, com finais opostos.

O próximo livro dele que pretendo ler é 24 horas na vida de uma mulher e o próximo museu (passeio em família) que comentei aqui deve se tornar post também!

*As imagens do post, alteradas pelo aplicativo Prisma, foram tiradas dos filmes O Grande Hotel Budapeste; Carta de uma desconhecida e O medo , que assistimos na nossa maratona de filmes inspirados nas obras de Stefan Zweig.