Almanaque do Meu Pai

Dia 18 de Maio

Aniversário do meu amado pai, avô do Ludo e do Vico

Dia Internacional dos Museus

Nascimento de Frank Capra (diretor do clássico filme A Felicidade não se compraentre outros filmes famosos, de 1926 a 1961)

Primeira publicação de Asterix e os Godos, considerado um dos melhores trabalhos da dupla Goscinny e Uderzo

Dia da Luta Antimanicomial

Início do Primeiro Reinado do Imperador Napoleão Bonaparte (1804-1814)

Para o meu Pai

PARA ensinar o Tutti Frutti balançava como criança

O  MEU par que salvava as festas nas pistas de dança

GENEROSO professor de poesias, de outras culturas e de outros mundos

DEDICADO a compartilhar os melhores queijos e pensamentos profundos

SENSÍVEL ao olhar de um neto, à minha voz no telefone, ao inesperado abraço

CURIOSO, não se cansa de aprender, pois, desde sempre, “saber não ocupa espaço”

E, apesar de grande na forma e no conteúdo, esse papai, que -praticamente- sabe tudo,

AMADO, aprendeu a amar o compasso diferente e a melodia desconhecida

PAI, que brinca de escrever seu mundo dentro da nossa vida

“Womp-bomp-a-loom-op-a-womp-bam-boom”

Curiosidades de Pessoas e Livros

Bibliognosta: Grande conhecedor(a) de livros

Bibliocasta: Destruidor(a) de livros

Bibliomania: Desordem obsessivo-compulsiva por colecionar livros, podendo levar ao isolamento social

Bibliofilia: Amor pelos livros

Bibliofagia: Ação de roer papéis, documentos, encadernações de livros, etc.

Bibliofobia: Aversão à leitura

Bibliótafo: Aquele que esconde seus livros raros

Alguns Museus para conhecer em Petrópolis

Museu Imperial

Palácio Quitandinha

Museu de Cera de Petrópolis

Casa Museu de Santos Dumont

Museu de Porcelana de Petrópolis

Casa dos 7 Erros

Museu da FEB (Força Expedicionária Brasileira)

Palácio Rio Negro

Museu do Artesanato do Estado do Rio de Janeiro

Museu das Armas Históricas Ferreira da Cunha

Muitas Felicidades, Pai!!!

Beijos!!!

*As imagens foram tiradas do livro “The Second Kids’ World Almanac of Records and Facts” e da Internet (cartaz do filme “A Felicidade não se Compra” e Google – Mapas de Museus de Petrópolis).

Bom Fim de Semana a Todos:)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Mãe e Bailarina

Nem toda mulher quer ser mãe

Tanto tem mãe com açúcar quanto com sacarina

Tem gente boa que não teve mãe

Nem toda boa mãe quis ser bailarina

(Mãe e Bailarina, Mãe do Ludo e Vico, 2019)

“Minha mãe é gozada.

Não tem essas manias de arrumação que muita mãe dos outros tem,

ela até que vai deixando as coisas meio espalhadas na casa, um bocado fora do lugar,

e na hora em que precisa de alguma coisa quase deixa todo mundo maluco,

revirando pra lá e pra cá.”

(Bisa Bia Bisa Bel, Ana Maria Machado, 1981)”

Ana Maria Machado é a 6ª ocupante da cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras, autora de mais de cem livros para crianças e outros para adultos.  

Uma vez, ela disse que seu livro de maior sucesso de público -Bisa Bia Bisa Bel- surgiu da saudade de suas avós e da vontade de falar delas para seus dois filhos (ainda nasceria a filha e futura ilustradora).

“Eu sou pipsis (príncipe)

Você é pipesa (princesa)”

(Vico, aos 2 anos de idade, explicando, com muito carinho, uma brincadeira para a Mãe)

“Dona mamãe ralha e beija,

Erra, acerta, arruma a mesa,

Cozinha, escreve, trabalha fora,

Ri, esquece, lembra e chora

Traz remédio e sobremesa

Tem até pai que é tipo mãe

Esse então é uma beleza!”

(Se as coisas fossem mães, Sylvia Orthof, 1984)

“…Mamãe foi filha única de pais separados, não sabia lidar com família. A gente teve que aprender junto com ela. Depois, quando ela tinha 40 anos, papai morreu. Nós tínhamos 14, 12 e sete anos. Aí, faltava pai, marido, trabalho, grana. Depois, muitas outras faltas. Mas o que ficou mesmo de mais importante foi nunca desistir de acreditar no amor, na vida e na liberdade… Ela conseguiu dar a nós o que ela nunca teve: irmãos amorosos e amigos… É pieguice, mas é verdade.”

(Claudia Orthof, filha da escritora Sylvia Orthof em entrevista sobre a mãe)

Te amo

(Ludo -outro dia e muitas vezes- sem ser Natal nem Ano Bom, para a Mãe)

“Não é mesmo distraída a alegre vovó Guida?

Para dar de beber ao gato,

Pôs o leite no sapato,

E no pé – coisa maluca!

Ela pôs sua peruca.”

(A alegre vovó Guida que é um bocado distraída, Tatiana Belinky, 1988)

“Eu tive uma infância boa. Meus pais eram filhos de gente abastada. Meu pai, quando menino, tinha um cavalinho dele, um pônei, só para ele, porque o pai dele era dono de cavalos e carruagens… Ele foi o décimo quinto filho, num tempo em que as famílias tinham 15 filhos. Minha mãe também teve 14 irmãos. Só que a mãe dela, minha avó, foi mais prática, teve vários gêmeos. Já com a mãe do meu pai foi de um em um, coitada…”

 (Tatiana Belinky, aos 87 anos, para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial)

“Quando eu crescer, quero ser mãe e bailarina

(Mãe do Ludo e Vico -aos 6 anos- revelando dois sonhos para sua inspiradora Mamãe)

 

Validade dos Ditados

Desde 23 de abril um bocado de ideias para um post chegaram e foram embora.

Espremi livros, filmes, músicas e reflexões desses 10 dias e acho que deu um caldo.

Aliás, a expressão dar um caldo pode ter muitos significados. O que eu queria dizer é que esse post quase passou da validade, mas ainda guarda um sabor agradável, espero.

Uma parte do post é dos Ditados vencidos.

A outra parte é dos Ditados sem prazo de validade.

Adivinhe quais Ditados já estão com cheirinho estranho…

MENTE VAZIA É A OFICINA DO DIABO

Dia 23 de abril, assistimos ao filme O homem que copiava que é de 2003.

André, personagem de Lázaro Ramos, é um operador de fotocopiadora, que gosta de desenhar, mora com a mãe e está apaixonado. Essa mente ocupada com o ofício, com o ócio criativo e com o amor tem ideias mirabolantes, ingênuas, perigosas, ilícitas…

No dia seguinte, andando aqui na Avenida do Imperador, atrás de uma batedeira, eu e meu marido entramos numa loja de utensílios domésticos e ouvimos a seguinte conversa entre dois vendedores, que nem deram bola pra nossa presença:

Um dia vou sair do Brasil.

– Pra onde tu vai?

– Pra Espanha, Miami ou Havana.

– Havana? O que é que tem lá?

– Tem praias…

O resto da conversa não escutamos, mas ficamos imaginando o que o sujeito esperava encontrar em um dos destinos escolhidos: Muitos encontros amorosos, ofertas de empregos bem mais interessantes do que aqui em Petrópolis ou até ficar rico e nem precisar trabalhar.

Quantas outras pessoas, trabalhando no Mercado, na Feira, no Escritório de Advocacia, no Hospital, na Assembleia Legislativa, estudando na Faculdade de Engenharia ou de Economia, também imaginam atalhos para seus sonhos?

QUEM SAI AOS SEUS NÃO DEGENERA

Dia 27, passou no canal TV Escola o documentário QI: a história de uma farsa.

Segundo o documentário, o teste desenvolvido no começo do século XX, pelo psicólogo francês Alfred Binet, para medir atrasos no desenvolvimento de crianças em idade escolar, foi explorado por eugenistas que manipulavam dados para garantir a pureza étnica da sociedade.

Há pouco tempo o Congresso dos Estados Unidos cortava gastos com pessoas mais necessitadas com base na teoria de que a pobreza seria inata. O filme revela, inclusive, como as políticas sociais foram influenciadas pela ideia de que a inteligência é definida no nascimento.

PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO

“A arte e a literatura têm conduzido seres humanos por jornadas empáticas desde que os cidadãos da antiga Atenas choravam pelos personagens que viam no palco durante o festival de Dionísio.

O teatro, o cinema, a pintura e a fotografia desempenharam todos um papel na geração do que os gregos chamavam de ekstasis, ou êxtase, em que saímos temporariamente de nós mesmos e somos transportados para outras vidas e culturas.”

(Roman Krznaric, O poder da Empatia – A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo, Editora Zahar, p.190)

PEDRAS QUE ROLAM NÃO CRIAM LIMO

Dia 30 de abril assistimos A história de Buddy Holly, filme de 1978.

Buddy Holly foi um pioneiro do Rock, que influenciou os Beatles, os Rolling Stones, Bob Dylan, Eric Clapton e Elvis Costello e que morreu no dia que a música morreu.

Ao receber o Prêmio Nobel de Literatura 2016, Bob Dylan se manifestou sobre a questão das letras de música serem consideradas literatura, detalhando suas influências por meio de livros e músicas.

Na música, ele citou como seu herói, Buddy Holly, que no final dos anos 1950, aos vinte e bem poucos anos, misturou country, rock, rhythm and blues.

Buddy escrevia, cantava e tocava as próprias músicas, o que era incomum na época, assim como era incomum um cantor jovem estar despreocupado em fazer o tipo sensual, arrepiando na guitarra de óculos!

CAMARÃO QUE DORME A ONDA LEVA

Para homenagear a cantora Beth Carvalho, falecida no dia 30 de abril escolhi esse ditado, que, além de engraçado é um samba.

Uma mulher de vanguarda, dona de grande voz e empatia, num mundo masculino, com sabedoria e generosidade resgatou sambistas esquecidos, como Cartola, e revelou novos talentos, dentre os quais Zeca Pagodinho.

Segundo a própria Beth, em entrevista gravada em 16 de fevereiro de 2018 :

O samba é revolucionário, é vanguarda porque é a crônica do dia-a-dia. Se não quiser ler jornal, acompanhe o samba que ele vai dizer o que está acontecendo agora.”

CAUTELA E CANJA DE GALINHA NÃO FAZEM MAL A NINGUÉM

Até gripe forte apareceu nesse espaço de 10 dias. Foi o Vico quem pegou.

A Sonia Hirsch – autora de Atchiiim! – tem um blog de onde copiei a receita de canja a seguir:

“… comida de gripe é aquela velha canja tradicional brasileira que veio da China e da Índia junto com os marinheiros, nas caravelas. O arroz, branco ou integral, deve ser cozido em bastante água por 3 horas, no mínimo. Quanto mais cozinhar, melhor fica. Se galinha caipira houver, cozinhar junto até ela desmanchar; caldo de galinha ajuda a dissolver muco. Temperar com alho, cebola, aipo, alho-poró, pimenta, azeite extravirgem, pouco sal ou shoyu, salsinha, hortelã. Tomar essa canja à vontade até melhorar.”

No livro Atchiiim! da editora Correcotia encontrei ótimas recomendações, além dos desenhos maluquinhos e lindos da Eva Furnari.

Até breve!

 

Lobo do Homem

 

Prólogo da Ilha dos Cachorros

Dez séculos atrás, antes da Era da Obediência, cães livres governavam suas liberdades marcando seus territórios.

Buscando a ampliação de seus domínios, a Dinastia Kobayashi, amante de gatos, declarou guerra e atacou com fúria os incautos animais de quatro patas.

Na véspera da aniquilação total dos cachorros, um menino guerreiro que simpatizava com a condição dos cães sitiados, traiu sua espécie. Decapitou a cabeça do líder do clã Kobayashi e empunhou sua espada berrando o seguinte grito de guerra haiku: Eu viro as costas – para os humanos! 

Ele seria, futuramente, conhecido como o lendário menino Samurai. Descanse em paz.

No final das sangrentas guerras de cães, os vira-latas vencidos tornaram-se animais de estimação sem poder:

Domesticados

 Dominados

 Desprezados

Mas eles sobreviveram e se multiplicaram.

Os Kobayashis, no entanto, nunca perdoaram seu inimigo conquistado.

Sina Canina

Por que chamar mulher de cachorra ou chamar homem de cachorro é considerado ofensivo se os cães são os melhores amigos dos humanos?

Dia de cão é uma expressão que designa um dia a ser esquecido.

Mundo cão e Vida de cão trazem a mente imagens de sofrimento e injustiça.

Fazer uma Cachorrada é agir de forma desonesta.

Quando teria sido o momento em que os cachorros viraram sinônimo de tanta coisa ruim na vida dos seus mestres humanos?

Excepcionalismo Humano x Abolicionismo Animal 

Wesley Smith (WS)Pesquisador do Discovery Institute e autor de “A Rat is a Pig is a Dog is a Boy: The Human Cost of the Animal Rights Movement” defende o excepcionalismo humano e afirma que o movimento pelos direitos animais é antiético por atribuir o mesmo valor moral aos humanos e animais baseado na senciência, mas acha que devemos melhorar o tratamento humanitário dos animais e métodos de criação.

Gary Francione (GF)Desenvolvedor da teoria abolicionista de direitos animais e autor de “Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog?” defende o direito do animal de não ser propriedade e argumenta que todo uso de animais é moralmente injustificável e que devemos abolir, e não regulamentar, a exploração animal.

WS:Ativismo de direitos animais… não é apenas sobre o sofrimento; é sobre não ter o direito de possuir um animal, e os animais não tendo o direito de serem possuídos. Gary acredita que nós nem sequer deveríamos ter cães, não importa o quão bem nós os tratamos, porque, como ele chama-os, são refugiados em um mundo no qual eles não pertencem. Portanto, não é apenas sobre o sofrimento; é uma visão de direitos na qual a ideia de possuir animais é vista como equivalente à escravidão.

GF: Eu sou contra qualquer uso de animais em absoluto. O cão-guia está no topo da minha lista, Michael? Não, absolutamente não. Deixe-me apenas esclarecer uma coisa. Minha posição é muito simples: todos nós concordamos que é errado causar sofrimento e morte desnecessários aos animais, e que os motivos de diversão, prazer ou conveniência não constituem necessidade. Mas 99.999999% de nossos usos de animais só podem ser justificados por motivos de diversão, prazer ou conveniência.

*Todas as imagens desse post foram tiradas de cenas do filme A ilha dos Cachorros, de Wes Anderson, que assistimos no Feriado de Páscoa, por indicação do Ludo

Boa Semana!

Keiko e Margherite

Primeira vez em Tóquio, Margherite entrou na loja de conveniência e perguntou a atendente Keiko:

-Por favor, tem pãozinho de espelta?

Keiko ofereceu um Oniguiri e quis saber o que era espelta.

Até aí nada demais. Parte da cultura de um povo é a comida.

Só que Margherite e Keiko não são consideradas pessoas comuns nas suas respectivas culturas.

Além disso, elas não se encontraram na ficção.

Pelo menos, não nos livros Querida Konbini e A Diferença Invisível.

Embora o primeiro seja um romance passado em Tóquio e o segundo uma HQ inspirada na vida de uma parisiense, as duas histórias falam de pessoas que não cabem nas regras e expectativas sociais.

Primeiro pensei nas semelhanças e diferenças entre Keiko e Margherite e nas culturas que as sufocaram.

Depois, formulei 7 perguntas de mau gosto que caberiam nos universos das duas e também no seu e no meu.

A resenha de Querida Konbini que me despertou o interesse pelo livro foi a do blog Lulunettes.

Sobre A Diferença Invisível recomendo a resenha do Muquifo Literário e a palestra da autora, Julie Dachez, em vídeo do TED X.

Depois das resenhas, como combinado, vamos às perguntas de mau gosto e algumas sugestões de respostas.

1) Japonês é tudo igual?

“… O preconceito é abjeto, é nojento, porque ele assassina a individualidade da pessoa, antes de qualquer discussão. Ele dispensa o que é o indivíduo, sua história, seu esforço, suas crenças, seus sonhos, suas particularidades. Ele elimina qualquer chance desse indivíduo expor o que ele tem só de seu. E o faz com uma só noção:

(Japonês, ou qualquer outro) é tudo igual.”

Texto tirado de “Racismo à moda da casa”, do site Geledes

2) Países civilizados são os que difundem o conhecimento e o progresso?

“… Tomando o homem branco como símbolo máximo e universal da humanidade e da civilização, cientistas europeus dissecaram, mediram, patologizaram e classificaram os corpos considerados desviantes do padrão masculino e eurocêntrico. Esse discurso científico justificou uma série de práticas políticas racistas e sexistas, institucionais ou não, que permanecem até os dias de hoje.”

Texto tirado do site da Funarte sobre o espetáculo “Vênus Negra, um manual de como engolir o mundo”.

3) Autista sente empatia?

“… Da mesma forma do que indivíduos não autistas, autistas podem ter empatia demais, mesmo que outras pessoas não percebam ou que eles não consigam demonstrar. Um autista pode não se sentir confortável em velórios, por exemplo, seja pela dificuldade de chorar e/ou sentir vontade de rir em momentos inesperados. … Antigamente, os médicos e os psicólogos – alguns ainda o fazem … – podiam interpretar alguns desses comportamentos como se fossem transtornos mentais, como a esquizofrenia, sociopatia e outros, aumentando ainda mais o preconceito, exclusão e uso de medicamentos desnecessários.”

Texto tirado do post “Autismo: A importância de escutar e interpretar o autista” do Blog do Ben Oliveira

4) Se não é igual, é menos normal e menos humano?

“Pego rapidamente as manias das pessoas ao meu redor, sobretudo em relação ao jeito de falar. No momento minha fala é uma mistura do jeito de Izumi e de Sagawara.

Acredito que isso aconteça com a maioria das pessoas… Depois que Izumi começou a trabalhar aqui, Sasaki passou a desejar “bom trabalho!” exatamente no mesmo tom que ela. Também teve a vez em que uma amiga de Izumi … veio nos ajudar no serviço, e as roupas das duas eram tão idênticas que pareciam a mesma pessoa. Talvez o meu próprio jeito de falar também tenha contagiado alguém. Acho que é assim, nos contagiando mutuamente, que mantemos nossa humanidade.”

Texto tirado do livro Querida Konbini, página 33

5) Como se pega ranço  de quem mal conhecemos?

“Pouco tempo depois de começar a trabalhar, percebi que todos os colegas se alegram quando você fica bravo pelas mesmas coisas que eles. Se alguém reclama do gerente ou diz que fulano não está trabalhando direito eu faço coro a essa indignação, isso gera um sentimento de solidariedade e deixa todo mundo contente.

Observo o rosto de Izumi e Sugawara e respiro aliviada. Ufa, estou me saindo bem como ser humano.”

Texto tirado do livro Querida Konbini, página 36

6) Asperger tem cura?

“Somos todos geniais, mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore ele passará o resto da vida acreditando que é estúpido.”

Texto e ilustração tirados de um dos quadrinhos da página 134 do livro A Diferença Invisível.

7) O normal é brincar, estudar, ter amigos, socializar, namorar, trabalhar, casar e ter filhos?

“Margherite tem 30 anos.

Ela ama animais, dias ensolarados, chocolate, comida vegetariana, seu cãozinho e o ronronar dos seus gatos.”

Texto e ilustração tirados da página 178 do livro A Diferença Invisível.

Boa semana!

 

Presente

Onipresente

Ontem aconteceu comigo mais uma dessas estranhas simbioses entre a mente e a  internet, que parece que adivinha o que pensamos e escuta o que conversamos.

Tudo começou pelo Facebook, onde li um apanhado do pensamento do filósofo Alan Watts, de quem eu nunca tinha ouvido falar. Segundo o texto do FB, a voz do falecido Watts “aparece” conversando com o sistema de computador – Samantha- no filme Ela (Her). Deu até vontade de rever.

Os presentes de Alan Watts

Na música, ninguém faz do final o objetivo.

Se fosse assim, os melhores maestros seriam os que tocassem mais rápido; e existiriam compositores que só escreveriam finais. Pessoas iriam aos concertos para ouvirem apenas o último acorde — porque esse seria o final.

Mesma coisa na dança — você não busca um ponto particular na sala; onde você deveria chegar. O objetivo da dança toda é dançar.

Não vemos isso ser traduzido pela educação para a vida diária.

Aprenda por aprender!

A eternidade é agora … isto é, tornar-se parte integral do processo – seja o que for – e não se concentrar em um objetivo final sempre ilusório.

Não nos amarrarmos ao resultado final é algo que a maioria das pessoas nunca entenderá porque é contra-intuitivo.

Este ideal foi um foco central da filosofia de Alan Watts.

Presente Espera

Com essas ideias e algumas conversas off-line me lembrei da música do Chico Buarque  Quando o Carnaval chegar que fala do Presente como o Tempo de Espera, por motivos internos e externos ao indivíduo.

E quem me ofende, humilhando, pisando
Pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida
Duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Eu vejo a barra do dia surgindo
Pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada
Abafada, quem dera gritar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Presente que Flui

O Presente não é uma espera durante o Carnaval, nem quando alcançamos o “milagre” do Estado de Fluxo fazendo ou apreciando Artes ou outras Atividades.

Fernando Pessoa devia fluir nas suas realidades alternativas:

Certas horas-intervalos que tenho vivido, horas perante a Natureza, esculpidas na ternura do isolamento, ficar-me-ão para sempre como medalhas. Nesses momentos esqueci todos os meus propósitos de vida, todas as minhas direções desejadas. Gozei não ser nada com uma plenitude de bonança espiritual, caindo no regaço azul das minhas aspirações. Não gozei nunca, talvez, uma hora indelével, isenta de um fundo espiritual de falência e de desânimo. Em todas as minhas horas libertas uma dor dormia, floria vagamente, por detrás dos muros da minha consciência, em outros quintais; mas o aroma e a própria cor dessas flores tristes atravessavam intuitivamente os muros, e o lado de lá deles, onde floriam as rosas, nunca deixava de ser, no mistério confuso do meu ser, um lado de cá esbatido na minha sonolência de viver.

De volta ao Presente Espera

Antes de buscar o filme Ela (Her), descobri, pelo Google, outro filme, ainda mais próximo do nosso presente, de 2019: Estou me guardando para quando o Carnaval chegar, do cineasta brasileiro Marcelo Gomes.

“O filme fala de uma cidadezinha perdida no Brasil que produz muitos jeans, mas também está falando de nós, da nossa vida, do nosso dia a dia”.

“… é “impressionante como o passado da revolução industrial se encontra com o futuro”, no que talvez seja “uma enorme Toritama (cidade onde se passa o filme)”.

“Dedicamos nossa vida a trabalhar, competindo com o vizinho nesta guerra “neoliberal” na qual as relações sociais acabaram”.

“Talvez na China, no Paquistão e na Índia tenha ocorrido o mesmo, mas lá não há carnaval.”

 

 

Achados e Perdidos

Pra onde foi o post que não salvei em rascunho?

E o erro sem testemunho?

Juntaram-se às horas passadas?

Tocam gaita nas encruzilhadas?

Integram o gás carbônico?

Estão vivos no universo subatômico?

Até pousarem no queijo com sabor estranho

Na camisa que encolheu de tamanho

Quando, então, dão enjoo e coceira

Pulam o almoço e prostram a tarde inteira

Sem nexo de causalidade, isentos de maldade

Só pra me responder que aqui estão, mesmo sem fazer parte