Fôrma e Forma

matrioskas loiras

As duas faces de Eva

A expressão “piriguete” surgiu na periferia de Salvador e foi parar no funk carioca. Ela é fruto da junção das palavras “perigosa” e “girl“, mais o acoplamento final “ete” para soar melhor…

No dicionário Aurélio Escolar significa moça ou mulher namoradeira.

“Embora a piriguete denote perigo, ela é dotada de uma dimensão de poder, de não submissão e de liberdade, principalmente sexual. A piriguete é entendida como uma mulher com modos heterodoxos de vestir, de agir e de expressar sua sexualidade”…

“Entretanto, ao mesmo tempo em que as piriguetes são um perigo e podem subverter a dominação masculina, elas podem também, a partir da sua forma de agir, reforçar algumas normas de gênero referentes à dominação masculina, e, assim, fortalecer essas normas e preconceitos contra elas mesmas”.

matrioskas morenas e loiras

“Tudo o que você quer ser”

Durante 56 anos a boneca Barbie teve 180 profissões, mas um único tipo de corpo. Se esse corpo fosse de uma mulher, ela teria 45 cm de cintura, 91 cm de busto e 83 cm de quadril.

Em 2016, a boneca loira de formas irreais, que influenciou gerações, passou a ser fabricada com 4 tipos de corpo, 7 tons de pele, 22 cores de olhos e 24 tipos de cabelo.

Saias e vestidos

Encaixar na Fôrma

“Como afirmou o sociólogo francês Marcel Mauss, é por meio da “imitação prestigiosa” que os indivíduos de cada cultura constroem seus corpos e comportamentos.

O conjunto de hábitos, costumes, crenças e tradições que caracterizam uma cultura também se refere ao corpo…

Esse corpo, que pode variar de acordo com o contexto histórico e cultural, é adquirido pelos membros da sociedade por meio da “imitação prestigiosa”. Os indivíduos imitam atos, comportamentos e corpos que obtiveram êxito e que tem prestígio em sua cultura.”

roda o tempo

Formas mais Felizes

  • Não têm vergonha do próprio corpo
  • Não mendigam amor, atenção e reconhecimento
  • Não se acham o centro do mundo
  • Não deixam para amanhã o que podem resolver hoje
  • Não têm medo de dizer Não

Para quem quiser encontrar os textos e se aprofundar:

LARANJEIRA, Larissa Quillinan Machado.Piriguete: A garota fálica mascarada; O rótulo como máscara, maquiagem ou armadura de um comportamento sexual mais ativo ou considerado típico do masculino. Revista Sociologia. Editora Escala, Edição 67, pp. 44-51.

GOLDENBERG, Mirian. Homem não chora. Mulher não ri. 80 ideias para entender melhor sexo, amor e felicidade. 1 ed. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 2013.

*Ilustrações (alteradas com o aplicativo Prisma):

Christa e Adam Hook: livro “The People Atlas”, autor Philip Steele, Editora Oxford.

Julie Paschkis: livro “Tarot”, autor Dennis Fairchild, Running Press.

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Identidade, Tempo e Forma

tinta vermelha

A Identidade da Forma

A forma é o modo por que se relacionam os fenômenos, é o modo como se configuram certas relações dentro de um contexto. Para dar um exemplo visual: ao se observar duas manchas vermelhas lado a lado vê-se uma forma. Ela abrange as manchas e os relacionamentos existentes entre as manchas. Portanto, a forma não seria uma mancha isolada, seria a mancha relacionada a alguma coisa. Se a mancha estivesse sozinha, no plano pictórico, estaria relacionada ao fundo branco (que é extensão, é superfície e é cor)…” (Fayga Ostrower)

borboleta alice

A Identidade da Forma no Tempo: Constância

“A imagem referencial liga-se a um fenômeno de percepção que ainda é pouco elucidado, mas cuja importância é indiscutível, tanto para as ordenações que fazemos, como para o sentido que as formas têm para nós. Trata-se do fenômeno da constância.”(Fayga Ostrower)

pintura de borboletas

“No dia seguinte a borboleta não veio.

Ela quis provar a amizade do menino.

Mas, para a nossa surpresa, não houve tristeza.

Pedro pegou o pincel e pintou tantas borboletas

quantas ele tinha na lembrança.”

(Bartolomeu Campos Queirós)

olhar borboletas

“Por vezes somos tão diferentes de nós mesmos como dos outros.” (François de La Rouchefoucauld)

homem invisivel

“Vôo de borboleta pode transformar qualquer dia em domingo.” (Bartolomeu Campos Queirós)

borboletas da alice

  • As ilustrações alteradas pelo aplicativo Prisma são de Darcy Penteado (Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, tradução de Monteiro Lobato) e Sara Ávila de Oliveira (Pedro, de Bartolomeu Campos Queirós)
  • Os textos de Fayga Ostrower foram tirados do livro Criatividade e Processo de Criação, Editora Vozes, 30ª edição.

Bom Domingo e Boa Semana!

 

Arrumação

canela

Notas sem referência

Agendas em branco

Na cadência da displicência

Meias solteiras em todo canto

Bric a Brac de Tic Tacs, moedas e tomadas

Gavetas de acúmulos confusos emperradas

Nesse ninho até a poeira se acomodou

Atrasos, perdas e planos são bolor

Roupas apertadas demais para celebrar

Baterias que não voltarão a ligar

Reduzir a tralha é abrir uma janela

Guarde o que lhe faz bem e entregue o que lhe flagela

 

Fiz essa poesia pra comemorar a nova arrumação no quarto do Ludo, que está uma maravilha! Depois de muitos anos de bagunça, meu amado adolescente aceitou algumas ideias de organização e revolucionou o quarto dele:D

Eu mesma fui bem bagunceira a maior parte da vida, mas com o tempo e “with a little help from my husband” aprendi a viver sabendo onde estão meus objetos queridos e necessários.

Recomendo o best seller da japonesa Marie Kondo “Isso me traz alegria – um guia ilustrado da mágica da arrumação” – pra quem está sem norte e quer uma ajudinha. Foi muito útil aqui em casa!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Idade, Tempo e Forma

AS CINCO IDADES DOS SERES HUMANOS

humanos de ouro

Os primeiros homens eram de ouro. Viviam como deuses, sem trabalhos, nem sofrimentos. Não sentiam dores e apenas adormeciam para morrer.

Os seguintes foram os homens de prata. Estes viviam muito tempo como crianças, cem anos no colo das mães. Quando se tornavam adultos, destruíam uns aos outros. Zeus os escondeu debaixo da terra.

homens de prata

Quando Zeus decidiu fazer os homens de freixo (madeira), como suas lanças, as casas de armas já eram de bronze.

homens de freixo

 

Depois, vieram os humanos de bronze. Comiam carne, matavam-se uns aos outros e foram destruídos no Dilúvio.

diluvio

Finalmente, com a idade de ferro, a vergonha e a justiça deixaram a Terra e não houve mais fim para os trabalhos e os sofrimentos…

Fim

mae coloca pra dormir

 

FORMIDÁVEL

A palavra “formidável” já significou “terrível”, “medonho”, “pavoroso”. Passou a ser sinônimo de “enorme” e “descomunal”, mas atualmente quer dizer “sensacional” e “admirável”. Mudam-se os tempos e a forma de perceber o que é FORMIDÁVEL!

O UNICÓRNIO

Cabeça e tronco de cavalo, braços e pernas de cervo, cauda de leão, um único chifre no meio da testa. Este ser fantástico representa pureza. O seu chifre tem o dom de identificar veneno e desfazer seu mal.

PÉGASO

Símbolo da imortalidade. Cavalo alado, nascido do sangue da medusa, decapitada por Perseu. Capturado por Belerofonte. Juntos mataram o monstro Quimera.

unicornio alado

RICARDO

Vive tu meu menino, os belos anos

Junto dos teus, na doce companhia

Do que há de melhor em corações humanos,

E faze deste dia eterno dia.

(Machado de Assis)

 

carranca

ENIGMA

Decifre o enigma da esfinge: Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio dia tem dois e à tarde tem três?

 

*As ilustrações alteradas com o aplicativo Prisma são de Michelle Iacocca, Entre neste livro – A constituição para crianças (texto de Liliana Iacocca), Jan Parker, Mitos e Lendas da Grécia Antiga (texto de John Pinsent, tradução de Octavio Mendes Cajado) e Morella Fuenmayor, A cama da mamãe (texto de Joi Carlin, tradução de Ana Maria Machado).

Almanaque Formidável

 

estrelas eu me pergunto

Um almanaque retrata as origens de sua confecção

Guarda as receitas da avó e as piadas de salão

Anedotas, adivinhas, parlendas e tirinhas

Histórias que se cruzam e conversam nas entrelinhas

contos e lendas da amazonia

Conta os dias, os meses e os movimentos lunares

Mede a coxa, o busto e até os polegares

Mostra as maravilhas do mundo e as soluções benfazejas

As estações, o zodíaco e as novas certezas

eu me pergunto jostein gaarder

Se o tema central é o tempo e a forma

Imagine o que virá…

O corpo, o gosto, o direito e o oposto, todo o encanto que esta linguagem puder manar

um quilombo no leblon

Esta é a primeira página do Almanaque Formidável que passa a fazer parte do blog Ludo e Vico a partir de hoje.

Espero que gostem.

Sejam bem vindos!

*As ilustrações alteradas pelo aplicativo Prisma são de Akin Duzakin , do livro “Eu me pergunto …”  (de Jostein Gaarder); Pedro Rafael, do livro “Contos e lendas da Amazônia” (de Reginaldo Prandi) e Carla Irusta, do livro “Um quilombo no Leblon” (de Luciana Sandroni).

 

Elixir Mágico

lobo uivando

Essa semana o post relata uma experiência que parecia até engraçada na hora, pois foi inusitada para mim e para o meu marido, mas passado um tempinho se mostrou amarga pela constatação da má fé que rege as relações entre as instituições e as pessoas e entre as próprias pessoas que se enxergam como mercadorias.

Pra suavizar esse tom distópico lembrei do clipe de Say Say Say, com o Michael Jackson, o Paul e a Linda McCartney, em que eles tentavam vender um “elixir mágico” e saíam enganando um monte de gente e fugindo de uma cidade para outra.

Os Trouxas

Sábado passado, eu e meu marido fomos a um mercado enorme aqui em Petrópolis, desses que vendem eletrodomésticos, comida, roupas, etc.. Já no estacionamento ouvimos um homem anunciar que aquela filial da rede de supermercados havia sido escolhida para uma promoção e as pessoas dentro do mercado tinham que se aproximar do locutor.

Ele estava em cima de uma escada prestes a desligar o microfone para contar o que era a tal promoção.

Primeiro, pediu uma salva de palmas para todos os clientes do mercado, por serem os que menos “degustavam”(=roubavam comida) no estado do Rio! O pior é que as pessoas aplaudiram! Depois fez todos o seguirem para onde estavam televisores que seriam vendidos por um preço bem especial.

Nós paramos para assistir à agonia das pessoas para pegar as senhas, que eram limitadas, para conseguir os aparelhos de TV que estavam fora do catálogo, ou seja, encalhados na loja e que nunca teriam conserto. Teve gente rasgando a caixa pra não deixar outro pegar. Meu marido conseguiu alertar uma família da roubada.

Nem sempre somos os espertos …

O Vazio

Tirei o trecho a seguir de um artigo da filósofa Márcia Tiburi, da Revista Cult, disponível na íntegra aqui.

“Podemos caracterizar nossa época a partir de três grandes vazios:

1 – O primeiro deles é o vazio do pensamento, tal como o denominou Hannah Arendt. A característica desse vazio é a ausência de reflexão, em palavras simples, de questionamento. Como é impossível viver sem pensamento, o uso de ideias prontas se torna a cada dia mais necessário e vemos ideias se transformarem em mercadorias para facilitar a circulação. Não são apenas as ideias que viram mercadorias. As mercadorias também vem substituir ideias. (…)

Com isso quero dizer que o mundo da aparência substituiu o da essência e isso atingiu até mesmo o pensamento. A inteligência se tornou algo da ordem da aparência, uma moda. (…)

2 – O segundo vazio parece ainda mais profundo, até porque, tradicionalmente tem relação com o território do que chamamos de sensibilidade que está revestido de mistérios. Nesse campo, entra em jogo o vazio da emoção. A impressão de que vivemos em uma sociedade anestesiada, na qual as pessoas são incapazes de sentir emoções, não é nova. Alguns já falaram em culto da emoção, em sociedade excitada, em sociedade fissurada. Buscamos de modo ensandecido uma emoção qualquer. Pagamos caro. (…) A emoção virou mercadoria e o que não emociona não vale a pena. Alegrias suaves e tristezas leves não interessam. Tudo tem que ser extasiante. (…). A questão que está em jogo é a do esvaziamento afetivo. Se usarmos um clichê, diremos que nos tornamos cada vez mais frios, cada vez mais robotizados (…).

3 – Por fim, podemos falar de um vazio da ação. O esvaziamento da política não foi construído de uma hora para outra. (…) Arrancaram a política das entranhas existenciais do ser humano por meio do exercício do pensamento reflexivo que dependia da linguagem e do afeto. No lugar, é posto o “chip fascista” que permite repetir a prepotência e a maldade. Esse chip faz o maior sucesso. Ele ajuda a deixar de pensar no outro, na morte, na dor de viver, na complexidade da vida urbana, na falta de ética. Ele garante o vazio da ação, por meio do qual o povo – que somos todos nós – não deve se permitir ser político, não deve pensar, nem sentir politicamente, não deve participar. Em uma palavra, não deve agir. (…)”

Mais Reflexão, Mais Amor e Mais Ação!

Boa Semana!

*O desenho do lobo uivando foi tirado do livro “Alguns medos e seus segredos”, de Ana Maria Machado. A ilustração, alterada pelo aplicativo Prisma, é de Alcy Linares.

 

Síndrome de Irlen

sol de oculos

Como eu havia comentado em outro post sobre a palestra que assisti na Academia Petropolitana de Educação , a professora Sandra Luzia Ferreira Reis trouxe mais de um tema interessante que eu pretendia apresentar no blog.

A primeira parte da palestra está no post comentado acima, sobre o pensador da educação Reuven Feuerstein.

A segunda parte, trata dessa síndrome que eu nunca tinha ouvido falar e, talvez, você também não.

Síndrome de Irlen

O que é? É uma alteração visuoperceptual causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz que produz alterações no córtex visual e dificuldades de leitura.

Sinais em crianças ou adultos:

  • Tropeçam com frequência, são desastrados e deixam cair objetos
  • Levam muito tempo para realizar leituras e concluir deveres de casa
  • Queixam-se de dores de cabeça, tensão ou cansaço na escola
  • Evitam a leitura ou não têm prazer em ler, principalmente em voz alta
  • Saem-se mal em testes cronometrados ou padronizados
  • Só conseguem ler o começo do capítulo e os resumos
  • Têm mais facilidade em aprender nas discussões orais do que lendo
  • Não conseguem tirar boas notas, apesar de se esforçarem
  • Têm problemas de fluência e compreensão da leitura
  • Distraem-se facilmente ao ler ou escrever
  • Têm dificuldades com cálculos matemáticos, não conseguem diferenciar os sinais ou compreender os enunciados dos problemas
  • Sentem-se desconfortáveis ou distraídos em ambientes com luzes fluorescentes ou brancas

equilibrio

  • Entram em estado de devaneio durante a aula
  • Queixam-se frequentemente de dores de cabeça, de estômago, tontura e fadiga
  • Sempre que podem preferem ficar no escuro ou com fraca iluminação
  • Apresentam desconforto visual ao usar o computador e podem terminar o dia exaustos
  • Podem apresentar dificuldade ao olhar para listras ou xadrez
  • Podem apresentar pouca noção corporal, espacial ou dificuldade com degraus ou escadas rolantes
  • Têm dificuldade de agarrar uma bola que lhes é atirada
  • Na infância podiam apresentar tendência a brincar debaixo de móveis, dentro de guarda-roupas ou, apenas, com menos luz nos ambientes
  • Sentem incômodo com som alto ou alergias pelo corpo, principalmente nos olhos (que são extremamente sensíveis)
  • Apresentam pouca coordenação motora grossa e fina

eclipse

O que pode ser feito?

Uso de lâminas em páginas de livros (overlay)

*Auxílio de site que também funciona para dislexia: webhelpdyslexia

Uso de filtros (lentes ou óculos)

Esses óculos e lentes não são feitos em qualquer lugar. No Brasil, vale seguir esse site, da Fundação H´Olhos, em Minas Gerais, para maiores informações sobre onde fazer os testes e buscar orientações.

A professora Sandra Luzia Ferreira Reis também fez recomendações muito interessantes de adaptações em casa, na escola e até no ambiente de trabalho para melhorar as condições da vida de quem tem a Síndrome de Irlen (e que também são bastante úteis para outras questões de dificuldade de aprendizagem, no meu entender):

tutoria dos pares

  • Certificar-se de que não haja claridade excessiva ou reflexo de luz natural na lousa que possa prejudicar a visualização do aluno
  • Imprimir atividades e avaliações em espaçamento duplo e letra tamanho 12 ou maior
  • Ampliar o tempo para a realização de tarefas e provas
  • Comparar o aluno com ele mesmo
  • Usar tutoria dos pares

a)Dividir a classe em duplas

b)Fazer um aluno ser o tutor e orientar o outro (anotações na agenda, lembretes, provas, leitura

c) Alternar os papéis

d)Agrupar semanalmente os alunos em novas duplas

Eu não conheço os centros que realizam o diagnóstico e o atendimento, mas a palestrante é reconhecida como uma profissional ética e responsável aqui em Petrópolis. O nome dela está na lista dos credenciados pelo site da Fundação H´Olhos.

**As imagens – alteradas pelo aplicativo Prisma – são do ilustrador John Lane e foram tiradas do livro “The Second Kids World Almanac of Records and Facts”.

Boa semana a todos!