Prescrições Poéticas

Prescrições de Carlos Drummond de Andrade

  • Lembrete (PARA A ANGÚSTIA)

Se procurar bem, você acaba encontrando

não a explicação (duvidosa) da vida,

mas a poesia (inexplicável) da vida

sete quedas d

  • Poesia (PARA A FRUSTRAÇÃO)

Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia desse momento

inunda minha vida inteira

sete quedas c

Prescrição de Eucanaã Ferraz

  • Manifesto (PARA A ANSIEDADE)

Sim ao prazer sem custo

Acatar, beber, dividir o bom

que venha feito o sol, gratuito.

Quem sabe o dom, o sem-razão

e o sem-motivos possam mais

do que exigimos. Nem se duvide

do que é capaz a coincidência

entre coisas. Nesse mundo

em que gênios são servos de si mesmos,

pratique-se o descanso, para

que o fogo nunca esteja frio

e o coração passeie seus cavalos.

sete quedas b

Prescrição de Thiago de Mello

  • Qual o melhor poeta para lhe trazer A palavra perto do peito?

Ainda não consegui, eu que leio

poetas todos os dias,

encontrar a medida universal,

a fita métrica mágica,

para aferir quem é grande, quem é maior ou menor.

Menor por quê? Por que maior?

Somos poetas os que somos.

Cada leitor é quem sabe

Os que lhe chegam mais perto

Do peito, do ser, da fronte.

Não sei se os meus prediletos

“Eu plantei um pé de sono

brotaram vinte roseiras”.

(só gosto do que me comove,

só me comove o que entendo)

são pequenos ou são grandes.

Sei só que são bem-amados.

sete quedas a

Aos alérgicos à poesia, recomendo banhos de cachoeira

*Fotos da Cachoeira das 7 quedas em Araras

 

 

 

Felicidade Contagiante

Ontem, bem cedo, por conta das chuvas de verão e, consequentes, trombas d`água, saímos de casa em direção ao Poço da Rocinha, em Secretário, distrito de Petrópolis.

O Vico queria ter ido, mas estava com muito sono. O Ludo não foi porque está no Rio.

Uma hora de viagem, partindo do Centro de Petrópolis.

Casais, famílias, amigos, quase todos munidos de churrasqueirinhas ou bolsas térmicas grandes, outros com carvão pra improvisar com as pedras locais um almoço ainda mais raiz.

Só uma barraca vendendo bebidas, salsichão e queijo coalho.

Ao redor, verde pra todo lado e vários níveis de piscinas naturais depois das cascatas.

Não é lugar pra contar vantagem por aí que é exclusivo porque poucos conhecem ou mostrar que está com dinheiro sobrando pra viver essa experiência, nem precisa se preocupar em exibir um corpo “decente”.

Em suma, ninguém querendo ser o dono dessa festa, nem rei no meio de uma gente tão modesta.

Cada um contribuindo com seu bem estar trouxe algumas horas de bem estar coletivo.

Quando chegamos, ainda empolgados pelo passeio, o Vico pediu pra voltarmos lá com ele.

Antes de dormir, eu perguntei a ele, que está de férias, o que tinha pra fazer na manhã seguinte:

Nada. Só ser feliz.

Boa Semana a Todos!

Professoras que as histórias nos contam

Personagem e Profissão

Imagine que você vai encontrar alguém e a única informação sobre a pessoa é a profissão.

Não sabe o nome, se é homem ou mulher, a idade, a que classe social pertence, que tipo de roupas usa para trabalhar, nem qualquer outra informação.

O que sua mente faz? Busca lembrar de alguém conhecido ou de ideias sobre a profissão representadas por personagens da TV, do cinema e da literatura.

A representação das professoras (e dos professores) na literatura infantojuvenil é o tema do livro Professoras que as histórias nos contam – organizado por Rosa Maria Hessel Silveira, Editora D P&A.

As 8 autoras do livro identificaram os principais traços que descrevem professoras e professores, em histórias de aventura, romance e mistério em 100 obras indicadas para crianças e adolescentes, desde a década de 1970 até os anos 2000, no Brasil.

Quem são as professoras (e professores) segundo os 100 livros de literatura infantojuvenil selecionados?

  • Professores de ciências são homens, geralmente heróis, extravagantes, distraídos, idealistas, éticos, descuidados com a aparência e abnegados
  • Professoras e professores de português são austeros, recatados, eruditos, isolados, detentores de conhecimento e controle sobre os alunos
  • Professoras alfabetizadoras seguem a cartilha e o rigor ou são praticamente desnecessárias
  • Professores de educação física são homens fortes, burros, alguns carrascos outros amigos
  • Diretoras e diretores de escola são solitários e poderosos
  • Professoras jovens e lindas usam jeans apertado, se enfeitam, ensinam a “nova pedagogia” e abandonam a profissão para casar.
  • Professores jovens e sedutores são inteligentes, bonitos, ensinam a “nova pedagogia” e não fazem esforço para seduzir.
  • Não há professoras ou professores negros: “Para ser professor, é preciso controlar a raça, disfarçar a etnia”

Certamente você, assim como eu, o Ludo e o Vico,  já leu algum dos 100 livros analisados pelas autoras e nem percebeu a quantidade de sexismo, racismo, dentre outros preconceitos presentes nas histórias.

Não é pra sair queimando os livros por isso. Dá pra incentivar a leitura das crianças e dos adolescentes, que além de conseguirem compreender o que está escrito, devem ser capazes de refletir sobre o que está explícito e implícito no texto e nas ilustrações.

Para quem indico o livro Professoras que as histórias nos contam?

  • O livro é precioso para quem pensa no papel da literatura destinada a crianças e adolescentes
  • É fundamental para quem ensina, incentivando a leitura, e que talvez nem perceba a sua própria imagem nos livros “paradidáticos”
  • Interessa a qualquer pessoa curiosa sobre linguagem, cultura e a criação de significados e verdades

Aqui em Petrópolis eu adquiri o livro Professoras que as histórias nos contam na livraria Vozes (Rua do Imperador, 834)

Receita de Natal

Receita de Natal

Ingredientes: muitos presentes

Laços de fita, de teto, de casamento

Colaterais, ascendentes e descendentes

Do mesmo tronco, de sangue e de sentimento

Na hora Dele nascer e da chegada de Noel

Brilham anjos, estrelas, meias e bolas

Enfeites de plástico, tecido ou papel

Salpicados sobre a massa de sacolas

Não leva porco, milho ou goiabada

Aceita figo, peixe, uva e água

Jesus e Nicolau comiam rabanada?

E chester com farofa?

Tradições pagãs passadas na galhofa

A gosto bate o sino de Belém

Aos ouvidos mais sensíveis não convém

Se felicidade é brinquedo que não tem

Música natalina nem sempre faz bem

Antes de enformar a delicada harmonia

Misture os diversos com empatia

Adoce o humor para não azedar em ironia

Serve a todos se usar pouco o celular neste dia

ninho de Natal

Feliz Natal!!!

Dentro da casa Claudio de Souza

FPSS-claudio2

Dentro da casa Claudio de Souza

A mesa posta com riso e abraço

Convivas contornam e ampliam o espaço

Duplas retratam ao pé do ouvido

Sorrisos reconhecidos no primeiro contato

 

Clarice, Chico, Lygia, Gerson e Francisca

Samba de prosa, roda operista

Almas que se escrevem

Alunos que se inscrevem

Amigos que comparecem

Família reunida

 

Claudio de Souza comemora

Brilha em vitrais de outrora

Da rua, quem passa nem imagina

Quanta vida na casa da esquina!

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Pelo quarto ano consecutivo a Casa de Cláudio de Souza abrigou as “Rodas de Leitura”, oferecidas pela Fundação Cultural Casa Lygia Bojunga. Guiado pela professora Maria Francisca Valle, licenciada em música e pedagogia com especialização em artes na educação, o workshop reuniu estudiosos e apaixonados por literatura na Casa Cláudio de Souza.

Neste domingo, 16 de dezembro de 2018, com café da manhã e música, na Casa Cláudio de Souza, o escritor Gerson Valle,  presidente da Academia Petropolitana de Letras, lançou, pela editora Ibis Libris, o livro de poesias Utopias na Contramão.

Mais informações sobre a Casa de Claudio de Souza estão aqui

 

 

Cordel Reflexivo

sertão cordel

Quero lhe dar este presente

Uma reflexão de repente

Não ao acaso ou de supetão

Mas de verso improvisado,

Um folk xilogravado

Nesta rede septilhado

Como trova do sertão

 

O que de mais fundo lhe toca o peito?

Mostrar a fim de causar despeito?

Ser cheio de si e de si mesmo se iludir?

Honra, dignidade e respeito?

Manter a guarda com atitude?

Assim, ainda que o medo lhe inunde,

Plantar-se de pé quando cair?

 

Saber sobre viver, morrer e amar?

Deixar de legado as fotos no celular?

Esperar no calendário, num futuro imaginário,

O dia de acordar com a macaca, de enfiar o pé na jaca?

Será revolucionário!

Mas só se a preguiça deixar…

Que é o vício mais duro de largar.

 

Falta de abraço?

Mania de perseguição?

Angústia de chegar?

Raiva da opinião?

O outro, os outros, a outra, as outras?

Seu laudo médico?

Sua prescrição?

 

A saudade de não saber,

De não precisar de conforto,

De caber num saco, todo torto,

Do que era antes de ser?

Pois essa reflexão não é só sua

Ela é a razão de toda criatura

À qual é dada a peleja de nascer

cacto cordel

 

*As ilustrações foram tiradas do livro Cultura da Terra, de Ricardo Azevedo (escritor e ilustrador)

Bom domingo a todos!

Hábito de Reclamar

pato donald

O antigo Pato Donald e o fazendeiro Eustaquio Bagge, do Cartoon Network, são personagens que simbolizam a rabugice e a insatisfação constante.

Nas últimas semanas tenho pensado bastante nesse hábito de reclamar.

Andando de metrô, anos atrás, me chamava atenção o desprazer da maioria dos passageiros que iam e vinham sentados. Podia ser por causa do emprego ou do desemprego, do par ou ausência de um par, dos filhos, dos pais, dos vizinhos, dos colegas…

Dava a impressão que algum tipo de vergonha impedia um sorriso de satisfação ou de paz de espírito para os estranhos que usavam o mesmo vagão.

Anos antes, quando eu nem me imaginava andando sozinha de metrô, quem me surpreendia pelo seu bom humor constante era um senhor chamado Joel. Ele trabalhava no meu prédio. De segunda a sexta, comemorava com a mesma empolgação o reencontro com as mesmas pessoas. Ou era excesso de endorfina, dopamina e serotonina naquele ser humano ou alguma disciplina budista para ver o copo sempre cheio.

Quanta gente você conhece que prefere começar uma conversa criticando, fazer piada reclamando, manter a rotina dando bronca e cobrando algo dos outros

O hábito de reclamar também pode ser um sinal para cuidar da saúde. A Distimia,  como explica o Dr Drauzio Varella é um tipo de depressão, que durante séculos serviu para caracterizar as pessoas mal humoradas, irritadiças e de personalidade complicada, às vezes até pedantes, por acharem que nada é suficientemente bom ou original.

Encontrei em alguns blogs e sites ideias para ajudar as pessoas a largarem o hábito de reclamar

  • Em primeiro lugar: Se quiser ajudar o reclamão não seja agressivo. Tente apontar o hábito sem atacar a pessoa.
  • Se a pessoa estiver disposta a mudar esse hábito, sugira o desafio de Will Owens: A pessoa escolhe um acessório e tem que muda-lo de lugar toda vez que fizer uma queixa ou uma crítica. O objetivo é mantê-lo no mesmo lugar por 21 dias seguidos. A pulseira que se pode mudar de braço é o objeto ideal. A contagem dos 21 dias zera a cada reclamação.
  • Conte e pergunte sobre 3 a 4 coisas pelas quais podemos ser gratos diariamente
  • Uma última dica: Preste atenção se você também está com o hábito de reclamar. “Pense no reclamar como sendo mau hálito. Percebemos quando vem da boca de outra pessoa, mas não quando vem da nossa”.

Uma ótima semana a todos!

Fontes:

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/distimia-3/

https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/comportamento/o-habito-de-reclamar-pode-causar-doencas-e-levar-a-solidao

https://obemviver.blog.br/2015/05/18/reclamar-menos-faz-bem-excelente-materia/

https://menthes.com.br/reclamar-menos-e-desafio-que-compensa-conheca-estrategias/

http://necessidadebasica.com.br/2016/04/um-mundo-livre-de-reclamacoes/