Dislexia, Minecraft & Línguas

poster minecraft prisma

O que é Dislexia?

A dislexia é classificada como um transtorno de aprendizagem. É literalmente um transtorno, um aborrecimento! Imagina você não ter dificuldades de entender os assuntos na escola, achá-los até fáceis, mas na hora de ler e de escrever se enrolar todo?!

O disléxico, entre outras coisas, ignora palavras no meio da frase, mistura a ordem das letras e das sílabas, além de viver trocando “p” e “b”, “c” e “g”, “t” e “d”, “v” e “f”.

Resultado: Ansiedade, insatisfação e até raiva dos livros e dos cadernos.

Isso acontecia com o Vico. Tenho a felicidade de dizer acontecia porque depois de passar por quatro fonoaudiólogas competentes, que não conseguiram ajudá-lo, conhecemos uma psicopedagoga muito iluminada, que atende na “Casa de Janelas Amarelas”, a Marcília Neves, que praticamente, resolveu a questão. Isso já faz alguns anos. O Vico não precisou repetir de ano e adora a escola.

Minecraft e Dislexia

Além da excelente e querida Marcília, que identificou uma razão emocional no meio das letras, acho que jogar Minecraft na internet também ajudou a desatar os nós na língua.

A vontade de conversar com os amigos teclando durante o jogo fez o Vico enfrentar o medo de se expor e ele saiu escrevendo, errando e aprendendo na marra – com as piadas de quem estava do outro lado da tela e pela observação da ortografia certa dos outros jogadores. Eles abreviavam algumas palavras, mas não a maioria. Eram apenas crianças brincando, exercitando as habilidades no jogo e a rapidez para se comunicar pela escrita.

Com a significativa melhora desse transtorno, os livros da Coleção Diário de Pilar tiveram caminho aberto e se tornaram seu primeiro amor pela leitura impressa.

quebra-cabeça neon

Línguas e Dislexia

A dislexia não desaparece em outras línguas. As letras que já são confusas em português têm sons diferentes nos outros idiomas!

Enquanto havia um problema com o português eu achava que não devia empurrar outra língua goela abaixo no Vico. Ele até se saía bem no inglês e no espanhol da escola, mas, depois que veio estudar no colégio onde está atualmente, percebemos que o inglês não tinha sido internalizado de verdade.

Tentamos algumas estratégias:

  • Cursos

Existem cursos de inglês ótimos no mercado, mas nenhum considera a dislexia nos métodos de ensino e de avaliação.

Normalmente, o aluno com dislexia fica cada vez mais envergonhado de errar na leitura e na escrita na frente dos colegas e pode até criar um bloqueio com a língua.

Os cursos para o Vico viraram sinônimo de lugar pra bagunçar, que foi a estratégia usada por ele para se sentir mais confortável no ambiente.

No caso dele, portanto, não funcionou até hoje.

  • Cursos de Inglês Online

O curso de inglês online tem as vantagens do custo mais baixo do que o curso presencial e do ritmo da aprendizagem ser ditado pelo aluno, que pode voltar nos temas que teve mais dificuldade.

A desvantagem é a desmotivação a médio prazo. Pelo menos foi a experiência que eu vivi com o Vico. Qual é a criança ou o adolescente que vai gostar de aprender sozinho (ainda que supervisionado pela mãe) algo que não é do seu maior interesse e por quanto tempo isso vai funcionar?

Essa tentativa durou cerca de um ano.

  • Site de “Homeschool”

Existem vários sites de “Homeschool”. Esse é o nome da prática de estudar em casa, em vez de ir para a escola, permitida nos EUA e em alguns outros países.

Conheci e gostei do site “time4learning”, principalmente para a alfabetização e os primeiros anos do ensino fundamental. O aluno reconhece os sons das letras em diversas palavras, brincando com joguinhos.

O problema é que só quem já entende razoavelmente o idioma acompanha a velocidade do áudio. Deve ser ótimo pras crianças americanas que tenham dislexia.

  • Aulas Particulares

Finalmente, acertamos! Um amigo do Vico deu a indicação de um professor canadense que está morando aqui no Rio (espero que constitua família e continue aqui por muitos anos) que cobra um preço equivalente ao de um curso de inglês não extorsivo e que tem motivado e melhorado bastante o inglês do Vico!

Acabamos encontrando um caminho que se adaptou ao nosso bolso, ao temperamento do Vico e às suas singularidades, mas quantas pessoas têm essa sorte?

A aprendizagem da língua materna e das línguas estrangeiras, quando se tem dislexia, é um assunto que ainda está embrionário aqui no Brasil.

Espero que este post ajude quem está perdido no quebra-cabeça da dislexia.

 

 

 

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Diários de Pilar

Todas as crianças podem gostar de ler, inclusive as que são vidradas em jogos eletrônicos.

Aos 9 anos, o Vico só queria saber de jogar Minecraft no computador até o dia em que descobriu a coleção de livros Diário de Pilar. Ele continuou jogando muito Minecraft, mas também  passou a gostar de ler!

Normalmente, nós fazíamos uma leitura compartilhada, sendo que, algumas vezes, era tanta curiosidade pra saber o que ia acontecer nas histórias, que ele lia sozinho.

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Hoje, a coleção completa tem 5 livros:

  • Diário de Pilar na Grécia
  • Diário de Pilar no Egito
  • Diário de Pilar em Machu Pichu
  • Diário de Pilar na Amazônia
  • Diário de Pilar na África

A autora, Flavia Lins e Silva, é bastante popular entre as crianças. Ela escreveu, além de outros trabalhos para o público infantil, a série de televisão Detetives do Prédio Azul.

A ilustradora Joana Penna fez desenhos cheios de detalhes para acrescentar informações aos diários da Pilar. São lindos.

Em todas as aventuras estão presentes certos ingredientes irresistíveis para as crianças e os adultos que compartilham essa leitura.

  • Mitologia de vários povos do mundo
  • Descrição deliciosa dos lugares visitados pela Pilar
  • Gostinho de quero mais no final de cada capítulo

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Além das peripécias da personagem, Pilar leva temas delicados para seus leitores refletirem e se emocionarem. Sem querer fazer spoiler vou revelar alguns: Pilar não conhece o pai dela, seu avô querido já está ficando muito velhinho e sua mãe vai arrumar um namorado.

Para saber mais sobre a coleção Diário de Pilar e os outros trabalhos da autora é só acessar o site dela, que inclusive tem fotos da boneca Pilar nos lugares onde as aventuras aconteceram: http://www.flavialinsesilva.com.br.