A passagem dos anos pelas lentes do cinema

Alguns ótimos filmes sobre as mudanças ao longo da vida usam o mesmo elenco ou o mesmo personagem principal anos ou décadas depois da primeira filmagem.

Nesse “quase gênero” de filme (normalmente drama) tenho duas dicas para maratonas de fim de semana ou de qualquer outro dia de ficar em casa curtindo o frio, como hoje:

  • o primeiro é a vida de Antoine Doinel (personagem mais famoso do diretor François Truffaut) da adolescência até os trinta e muitos anos.
  • o segundo mostra a vida de Xavier Rousseau em 3 décadas e cidades distintas – em Barcelona, Paris e Nova York, na visão do diretor Cédric Klapish.

Nas duas sequências os primeiros filmes são incríveis, senão não teriam se tornado sequências, claro, mas as continuações também são ótimas!

Antoine Doinel

O personagem Antoine Doinel, alter ego do diretor Truffaut, nos cinco filmes da saga:

  • Os Incompreendidos (1959) é um dos melhores filmes que eu já assisti. Emocionante a atuação de Jean Pierre Léaud, como Antoine Doinel, ainda adolescente. O personagem briga contra o autoritarismo da escola e a incompreensão dentro de casa e, por sua rebeldia, sofre duras consequências que influenciam o resto de sua vida.
  • Antoine e Collete (1962) é mais cômico do que trágico. Narra o primeiro amor (platônico) de Antoine Doinel, aos 20 anos, por uma amiga. Ele é “adotado” pela família da moça e tratado como um irmão pela linda Collete.
  • Beijos Proibidos (1968) é uma comédia romântica que acompanha as dificuldades do personagem em arrumar um emprego e em se relacionar com a namorada Christine. Mais uma vez ele vive uma relação filial com os pais da namorada.
  • Em Domicílio Conjugal (1970), Antoine está casado com Christine e se torna pai, mas, apesar de finalmente conseguir a estabilidade profissional, permanece perdido na formação da nova família.
  • O Amor em Fuga (1979) revela a vida de Antoine depois de se divorciar de Christine, aos 35 anos. Ele reflete sobre as pessoas e os acontecimentos do seu passado e se apaixona de novo.

Xavier

Os três filmes sobre a vida de Xavier aos 20, aos 30 e aos 40 anos são protagonizados pelo ator Romain Duris, que é o melhor do filme “Como Arrasar um Coração“, comentado no post da semana passada. A namorada dele é vivida pela atriz Audrey Tautou (a fofa Amelie Poulain!)

  • Albergue Espanhol (2002) é o filme que mostra o último ano de Xavier na faculdade, quando decide deixar Paris para fazer um intercâmbio em Barcelona. Lá, o rapaz de 20 e poucos anos vive em um albergue com outros jovens de diversas nacionalidades. Ele se identifica com as descobertas e as indecisões dos novos amigos e experimenta uma mudança radical na sua vida em vários aspectos. Volta para Paris mais seguro das suas convicções e mais sensível ao que importa na vida.
  • Em Bonecas Russas (2007), Xavier está com 30 anos e apesar de ter realizado algumas conquistas profissionais ainda não está satisfeito com a vida e continua imaturo nos relacionamentos amorosos, como era aos 20 anos. Sua melhor amiga (que conheceu no albergue) o ajuda a encontrar o amor.
  • O Enigma Chinês (2013), aos 40 anos, Xavier vive uma crise no casamento (com uma das personagens que conheceu no albergue) e se separa. Ela vai morar em Nova York e leva os filhos deles. Para estar próximo das crianças ele também se muda. Assim como na saga de Antoine Doinel, as mulheres da vida de Xavier Rousseau estão presentes nesse filme como as peças de um quebra-cabeças que formam a personalidade confusa, insatisfeita e cômica do personagem.

Espero que vocês tenham gostado das dicas!

Bom restinho de domingo!

Frio no Rio

 

 

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Na Idade da Inocência

capa dvd na idade da inocência

Ontem assisti “Na Idade da Inocência”, do cineasta francês François Truffaut.

Posso afirmar sem medo que é um dos filmes mais lindos sobre a infância e a transição desta para a adolescência já realizados.

A ingenuidade, a maldade, os desejos, as vergonhas, os erros, os aprendizados e tudo mais que faz parte desse universo pelo qual nós, adultos, já navegamos, são captados de forma natural, sem clichês e com extrema sensibilidade por esse renomado diretor.

Segue a sinopse:

Sinopse A Idade da Inocência

Esse fim de semana já estava programado que eu e o Vico assistiríamos algum filme do Tim Burton, mas vou reservar um horário pra ver de novo, junto com ele e o Ludo, essa preciosidade do cinema francês.

Espero que quem já assistiu tenha se entusiasmado para rever.

Quem não viu, procure na internet, nas locadoras ou com amigos cinéfilos.

É diversão garantida!

Beijos e bom final de semana!