Identidade, Tempo e Forma

tinta vermelha

A Identidade da Forma

A forma é o modo por que se relacionam os fenômenos, é o modo como se configuram certas relações dentro de um contexto. Para dar um exemplo visual: ao se observar duas manchas vermelhas lado a lado vê-se uma forma. Ela abrange as manchas e os relacionamentos existentes entre as manchas. Portanto, a forma não seria uma mancha isolada, seria a mancha relacionada a alguma coisa. Se a mancha estivesse sozinha, no plano pictórico, estaria relacionada ao fundo branco (que é extensão, é superfície e é cor)…” (Fayga Ostrower)

borboleta alice

A Identidade da Forma no Tempo: Constância

“A imagem referencial liga-se a um fenômeno de percepção que ainda é pouco elucidado, mas cuja importância é indiscutível, tanto para as ordenações que fazemos, como para o sentido que as formas têm para nós. Trata-se do fenômeno da constância.”(Fayga Ostrower)

pintura de borboletas

“No dia seguinte a borboleta não veio.

Ela quis provar a amizade do menino.

Mas, para a nossa surpresa, não houve tristeza.

Pedro pegou o pincel e pintou tantas borboletas

quantas ele tinha na lembrança.”

(Bartolomeu Campos Queirós)

olhar borboletas

“Por vezes somos tão diferentes de nós mesmos como dos outros.” (François de La Rouchefoucauld)

homem invisivel

“Vôo de borboleta pode transformar qualquer dia em domingo.” (Bartolomeu Campos Queirós)

borboletas da alice

  • As ilustrações alteradas pelo aplicativo Prisma são de Darcy Penteado (Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, tradução de Monteiro Lobato) e Sara Ávila de Oliveira (Pedro, de Bartolomeu Campos Queirós)
  • Os textos de Fayga Ostrower foram tirados do livro Criatividade e Processo de Criação, Editora Vozes, 30ª edição.

Bom Domingo e Boa Semana!

 

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Existo, logo me Comparo

Renoir

O post desse domingo é sobre um artigo da revista Psychologist Today, de dezembro de 2017, livremente traduzido e adaptado por mim a seguir:D

O título do artigo, de Rebecca Weber, é “Fuja da armadilha da comparação: Como ser feliz apenas sendo você mesmo”.

Apesar do título, o artigo explica a importância da comparação com os outros, pois essa é a forma como a mente humana mensura sua própria identidade.

A teoria da comparação social desenvolvida em 1954 pelo psicólogo Leon Festinger descreve que o impulso para a comparação foi uma necessidade para a evolução da espécie. Esse impulso nos protegeu e ensinou a avaliar ameaças.

Quando nos confrontamos com os outros, reconhecemos automaticamente quem somos, nossas habilidades e também nossas fraquezas.

Os alvos para a comparação normalmente são as pessoas com as quais mais nos identificamos, além daquelas que fazem parte do pequeno universo ao qual pertencemos, como os amigos, parentes e vizinhos.

As comparações que mais nos atingem são relacionadas aos assuntos que priorizamos, como a aparência, as conquistas profissionais, os relacionamentos, a situação financeira e, até mesmo, questões e metas mais específicas, como a quantidade de likes no Instagram ou de artigos acadêmicos publicados.

Degas

Algumas comparações nos causam efeitos positivos

  • Quando existe um reconhecimento de que somos melhores em alguma atividade do que as demais pessoas do nosso círculo social, nossa autoestima floresce.
  • Outra situação positiva ocorre quando as conquistas de alguém que admiramos servem de inspiração e motivação para melhorar nossas próprias vidas.

As comparações, no entanto, podem ter efeitos negativos, que geram um sentimento crônico de inferioridade e depressão.

Quando dependemos dos outros para reconhecermos nosso valor, precisamos de feedback positivo ou símbolos de status para nos sentirmos bem, corremos o risco de nos deprimirmos.

A boa notícia, segundo os pesquisadores da Universidade de Essex e Cambridge é que essa necessidade de participar de processos de comparação com os outros diminui com a idade.

O novo problema, inclusive para os adultos, são as redes sociais que criaram um mecanismo  de se comparar o tempo todo de forma bastante adolescente, alimentando esse hábito que devia ter passado com a idade.

Nos adolescentes há uma boa desculpa para essa necessidade de ser avaliado pelas redes sociais. É que existem várias regiões do cérebro que buscam e produzem recompensas sociais e algumas estão hiper ativadas nessa fase da vida.

As recompensas sociais ligam a dopamina no cérebro quando sentimos que recebemos atenção e somos apreciados pelos nossos pares ou encontramos semelhanças com pessoas que admiramos.

A dopamina vicia o cérebro adolescente e pode ser a responsável pela dependência dos jovens (e, atualmente, de adultos) nas redes sociais.

Degas ballet

Como vencer esse vício?

A diretora do Centro de Pesquisas em Compaixão e Altruísmo da Universidade de Stanford, Emma Seppala, esclarece que não é o tempo que se passa nas redes sociais que importa, mas a forma como usamos as redes sociais.

Quando somos passivos observadores da vida alheia nas redes, nos sentimos menos felizes. A comparação com as vidas idealizadas que são postadas nos faz esquecer de aproveitar nossas vidas.

Por outro lado, as contribuições que podemos fazer compartilhando e interagindo produzem felicidade, assim como o contato com pessoas queridas que não estão próximas fisicamente.

Como se proteger da armadilha da comparação?

O artigo responde a pergunta:

A melhor maneira de se proteger da armadilha da comparação e de conseguir sair dela é desenvolver e manter a certeza de quem você é, independentemente de qualquer feedback.

“Saiba quem você é, seus valores e preferências, quando ninguém toma conhecimento disso.”

Tenha orgulho de quem você é quando não está sendo observado.

Espero que o post ajude a refletir.

As lindas imagens são reproduções de pinturas de Renoir e Degas que eu tenho em porta-copos:D

Bom domingo!