A bolsa amarela

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“Tempo, tempo mano velho falta um tanto ainda eu sei

Pra você correr macio…”

(Sobre o tempo, Pato Fu)

A personagem Raquel, do livro “A bolsa amarela”é uma menina que deseja que o tempo passe para que ela tenha logo os mesmos direitos dos adultos: Ser ouvida e ter privacidade, entre outras “regalias” dos mais velhos.

Além de comandar o tempo, a menina quer poder ser menino para ter a mesma liberdade que só os homens, na sociedade machista em que ela vive, têm.

Diante das limitações dentro e fora de casa, a criança encontra pela criatividade e pelo prazer de escrever um espaço onde existem amigos secretos e aventuras.

Estes amigos, que estão sempre com ela, ficam escondidos dentro da sua bolsa amarela, onde também são guardados os desejos mais profundos da pequena escritora.

A premiada autora Lygia Bojunga, que foi traduzida em várias línguas, nos torna crianças confidentes da menina diante das injustiças e incoerências do mundo adulto.

Li esse livro pela primeira vez há algumas décadas e ele voltou a me surpreender.

Apesar de vivermos em uma sociedade menos machista do que a da época em que o livro foi publicado, 1976, e das reviravoltas na educação dos filhos, “A bolsa amarela” continua atual.

Os sentimentos da criança em relação ao mundo que não cabe na sua bolsa e os desejos de poder decidir sobre o que mais valoriza na sua vida são atemporais.

Este livro, clássico da literatura infantojuvenil, é, portanto, uma indicação da “mãe que lê” e também da biblioteca “gostar de ler” do Ludo e do Vico.

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