O rádio e o livro de Jo Nesbo

Invenções telefone

Outro dia, fomos à livraria e o Ludo pediu pra levar “O Morcego”, de Jo Nesbo.

Para quem, como eu, nunca tinha ouvido falar em Jo Nesbo, fiquei sabendo, pelo Ludo que ele é um escritor norueguês de literatura policial, que vem fazendo muito sucesso e vai ter alguma de suas histórias adaptada para o cinema. Será estrelada pelo ator Michael Fassbender, que é o Magneto jovem (X Men) e já atuou em muitos outros filmes, como o ótimo Bastardos Inglórios.

O Ludo está gostando do livro e pretende ler todos da série protagonizada pelo detetive Harry Hole.

Harry Hole usa sua genialidade para desvendar crimes, mas tem uma personalidade difícil e problemas com a bebida. Não é a primeira vez que um personagem desses aparece e cai no gosto do público.

estudo em vermelho sherlock

Há alguns anos nos divertíamos muito aqui em casa assistindo a versão do Sherlock Holmes interpretado pelo ator Benedict Cumberbatch, mas a série , na época, não levou o Ludo a se interessar pelo livros de Conan Doyle.

Perguntei para o meu filho como foi que ele descobriu esse Jo Nesbo e ele me disse que foi em um podcast. Podcasts são os programas de rádio da internet.

Achei curioso porque, quando o rádio começou a se espalhar pelo Brasil, havia, inicialmente, o interesse em educar, transmitir informações e encurtar as distâncias entre as pessoas, assim como a internet.

A televisão, desde o seu surgimento por aqui, na década de 1950, sempre teve o interesse descarado em vender bens de consumo em larga escala. Tinha propaganda até no nome dos programas: Reporter Esso, Telenotícias Panair, Telejornal Pirelli…

Hoje, todos os esses meios de comunicação têm o mesmo objetivo, mas, às vezes, sem querer, convencem adolescentes a se afastar um pouco da sua programação para fazer outras atividades, como ler.

Invenções TV

As ilustrações das invenções são do livro The Second Kids World Almanac of Records and Facts, de Margo McLoone-Basta e Alice Siegel, que eu guardo desde que ganhei, em 1987!

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Audiolivro e Podcast

audiolivro

O Ludo adora ouvir podcasts sobre cinema e cultura pop em geral. O preferido dele é o Nerd Cast, do site Jovem Nerd, que se comunica muito bem com os jovens e adolescentes, usando humor e trazendo informações do interesse da maioria deles e atualidades importantes para situá-los no mundo em que vivemos.

Podcast parece um programa de rádio, sem comerciais, sobre temas específicos, no qual você organiza suas horas de programação.

Como o Ludo gosta muito de ficar escutando conversas, explicações e opiniões sobre variados assuntos, não quer carregar os livros para onde vai, mas não consegue desgrudar do celular e dos fones, imaginei que ouvir as histórias seria um recurso interessante para aumentar o repertório literário dele.

A partir dos podcasts, tive, então, uma ideia para incentivá-lo a ler mais: Audiolivros, ou audiobooks!

Na minha infância, o mais próximo de um audiolivro que eu tive contato foi a Coleção Disquinho, que tocava na minha vitrola amarela. Eu adorava ouvir repetidamente as histórias da Bela Adormecida, da Cigarra e a Formiga, da Roupa Nova do Rei, entre outras, e não deixei de gostar de lê-las também.

Queria que tivesse existido algo semelhante durante a minha adolescência, já que eu ouvia rádio o dia inteiro, mas não lia tanto assim.

Pesquisei sobre audiolivros e encontrei o seguinte:

  • Para ouvir os audiolivros basta ter um celular e fones de ouvido.
  • Além de não rasgar, nem pesar, audiolivro costuma ser mais barato do que o livro impresso. Há audiolivros disponibilizados gratuitamente na internet.
  • Do ponto de vista cognitivo, ler ou ouvir o conteúdo de um livro são a mesma coisa, exceto pela necessidade de decodificar que a leitura traz. Ou seja, para crianças já alfabetizadas e fluentes na língua materna não faz diferença ler ou escutar uma história no próprio idioma.
  • A maior parte dos audiolivros é publicada na língua inglesa, seguida da alemã.
  • Nos Estados Unidos há seleções anuais dos melhores audiolivros, por gênero, e dos melhores narradores de audiolivros. Imagino a diferença que faz um bom narrador ou uma boa narradora para o interesse pela história!
  • Existem aplicativos que permitem sincronizar a leitura do ebook com o áudio, para tornar a experiência mais confortável, como no caso de ter que ouvir em outra língua, na qual não se é fluente, por exemplo.
  • Nas livrarias brasileiras há pouquíssimos audiolivros em exibição. Na internet a variedade é maior, mas, ainda assim, é difícil encontrar bons produtos para adolescentes e crianças em português.

Existem alguns aplicativos, tanto em português quanto em inglês, que se autodenominam bibliotecas de audiolivros, mas são bem fraquinhos na quantidade e na diversidade de gêneros. É necessário peneirar para encontrar algo que valha a pena.

Depois de pesquisar onde encontrar o maior volume de audiolivros com títulos interessantes em português e em inglês, concluí que, para o Ludo, que compreende bem inglês, pode ser uma boa ideia comprar pela audible , por meio da Amazon, e, para os livros em português, optar pela editora tocalivros. Foram as duas fontes que achei melhores, entre muitas outras, que me pareceram propaganda enganosa.

Torço para que as editoras brasileiras se animem em seguir a tendência do mercado internacional por audiobooks, que os países de língua inglesa, principalmente, estão liderando.

Os audiolivros consistem em mais um instrumento para a formação de leitores e podem ampliar a inserção de todas as pessoas, inclusive os portadores de necessidades especiais, no universo dos livros.