A longa estrada da popularidade

most likable

Hoje cedinho, tomando meu café, abri a revista “Psychology Today” e me deparei com um artigo que criou alguns links na minha cabeça.

  • Black Mirror
  • Banalogias
  • Expectativas e Frustrações

O artigo, resumidamente, explicava o seguinte:

Nosso cérebro é programado para buscar a aceitação do grupo porque nossos ancestrais precisavam pertencer a um grupo para não ficarem sozinhos e mais expostos aos perigos.

Por que devemos buscar “likability” (ser amáveis) em vez de “likes”(popularidade)?

Primeiramente, porque é mais saudável, tanto para o indivíduo quanto para o grupo.

Saber ser amável e agradável para o convívio com os outros começa a ser importante na infância. Tem relação com ajudar as pessoas e criar relações harmônicas.

Status é uma preocupação que nasce na adolescência, quando se procura atenção e destaque no grupo.

  • Black Mirror

Quem ainda não assistiu à série de ficção científica Black Mirror, da Netflix, assista porque tem alguns bons episódios sobre a influência da tecnologia em todas as áreas da vida humana. No primeiro episódio da terceira temporada, Nosedive, a popularidade (medida pela quantidade de likes de 4 ou 5 estrelas em um site de relacionamentos) se torna a moeda necessária para comprar os bens (casa, carro etc) valorizados pela sociedade.

A personagem principal de Nosedive faz de tudo pelos likes e vai se tornando uma caricatura do que é considerado popular, perdendo a própria personalidade e a crítica de si mesma e da sociedade em que vive. O final é o redentor reencontro dela com o que se perdeu na longa estrada da popularidade.

Be a Man!

O que podemos fazer para não deixar a busca por status (ou likes) nos dominar?

Segundo o artigo, algumas partes do cérebro festejam quando temos seguidores e curtidas ou chamamos a atenção em algum ambiente, positivamente. A boa notícia é que as mesmas áreas do cérebro também são ativadas quando ajudamos os outros e nos sentimos conectados a um grupo!

  • Banalogias

No livro Banalogias, de Francisco Bosco (escritor e filósofo, filho do músico João Bosco), um dos textos de que mais gostei se chama “Dialética dos Playboys” e trata exatamente da dificuldade de amadurecer e se reinventar quando se é muito popular na adolescência por razões que não fazem sentido na vida adulta.

Aqui está um trechinho:

“Pois como se reconhece um playboy decadente? Simples: Ele é igualzinho ao que era há dez anos. Tudo mudou à sua volta; ele não. A melancolia dos playboys decaídos decorre desse autoaprisionamento, dessa impossibilidade de reinventar-se. Vestem-se do mesmo jeito, fazem as mesmas coisas, falam a mesma linguagem. Mas aquilo que era liberdade é agora um gritante beco sem saída existencial”.

Quem quiser ler o texto inteiro (vale a pena) pode encontrá-lo clicando em leia um trecho no site da Saraiva.

Segundo o artigo, alguns estudos constataram que os adolescentes muito populares passam as outras fases da vida tentando recuperar a antiga popularidade e, nos primeiros anos da fase adulta, costumam se envolver em comportamentos de risco, além de viverem relacionamentos mais tumultuados.

  • Expectativas e Frustrações

É normal desejar para si mesmo e para os filhos uma vida só de sucessos e aceitação dos pares. Tem momentos e ambientes em que isso acontece naturalmente e outros em que experimentamos mais dificuldades e dissabores. Eu me tranquilizo só de saber que o Ludo e o Vico gostam de ir para a escola, que é o mundo das crianças e dos adolescentes. Eles têm amigos e também, infelizmente, alguns desafetos (já que esse mundo não é perfeito).

O artigo termina com um recado que se aplica ao grupo da maioria das pessoas que eu conheço e no qual também me incluo. Tirando casos de bullying, que podem ser traumáticos e requererem maiores cuidados e acompanhamento, alguns sofrimentos da juventude fortalecem o espírito na vida adulta e nos tornam sensíveis aos outros e atentos aos sinais que trarão mais benefícios à vida a longo prazo.

Homecoming

As ilustrações são do artigo “The long reach of popularity”, Revista Psychology Today, Jun.2017, e do livro “Norman Rockwell 332 Magazine Covers”.

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